2014-11-09

Subject: Futuro da barreira de coral divide cientistas

 

Futuro da barreira de coral divide cientistas

 

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@ Nature/Jurgen Freund/naturepl.com

A saúde da mais famosa propriedade oceânica, o Parque Marinho da Grande Barreira de Coral, vai estar na ribalta na reunião de conservacionistas em Sydney, Austrália, um encontro realizado uma vez por década sobre gestão dos ecossistemas. 

O parque enfrenta desafios mas os cientistas discordam sobre o grau em que está ameaçado e em que está a ser bem ferido, para já não falar nas complicações trazidas pelas alterações climáticas.

A cada dez anos, a União Internacional para a Conservação da Natureza organiza o Congresso dos Parques do Mundo para decidir como usar os parques para promover a conservação. Entre 12 e 19 de Novembro, um tema central será como reforçar e expandir os parques marinhos, ainda que a Grande Barreira de Coral, em tempos anunciada como um exemplo brilhante de gestão de ecossistema, esteja em dificuldades.

Localizado ao largo da costa leste australiana, o parque abrange uma área de oceano aproximadamente do tamanho da Alemanha, inclui 3 mil sistemas de recifes de coral e é a maior estrutura viva da Terra. É gerido pela Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Coral (GBRMPA), que o dividiu em zonas que impõem diferentes graus de restrição a actividades como o mergulho ou a pesca.

Este ano, os protestos aumentaram de intensidade devido a uma proposta de expansão portuária que levaria à deposição de materiais nos limites do parque. O plano foi abandonado mas a Organização Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas (UNESCO) vai decidir no próximo ano se os danos provocados ao parque pela degradação e desenvolvimento significam que deve ser colocado na lista do Património da Humanidade Ameaçado. Em agosto, a GBRMPA publicou um relatório alertando para que as “perspectivas globais da Grande Barreira de Coral serem más e estarem a piorar".

Entre as diversas evidências de problemas está um muito citado estudo de 2012 que mostrou que o coberto de coral se reduziu a metade entre 1985 e 2012. O relatório culpa essencialmente os ciclones e os bandos invulgarmente grandes de estrelas-do-mar espinhosas Acanthaster planci, que devoram os corais construtores de recifes.

Alguns acreditam que muitos dos danos são temporários. Aaron MacNeil, que estuda a Grande Barreira no Instituto Australiano de Ciências Marinhas em Townsville, salienta que dois enormes ciclones (Hamish em 2009 e Yasi em 2011) atingiram o recife intensamente, produzindo um impacto negativo que ocorre uma vez em cada 600 anos. “De modo geral, penso que a Grande Barreira está em boa forma mas passou por um par de anos complicados de tempestades, que deixaram o coberto de coral invulgarmente baixo."

Outros, no entanto, dizem que as coisas estão piores do que alguma vez viram. O paleoecologista marinho John Pandolfi, da Universidade de Queensland em Brisbane tem vindo a usar núcleos sedimentares e outros métodos para reconstruir a história do recife ao longo dos últimos 1200 anos. “Receio que se compararmos o estado actual do recife à escala temporal que a minha equipa faz, então as coisas estão ainda piores do que possam ter ouvido", diz ele.

 

A equipa de Pandolfi documentou declínio nos corais do género Acropora, vitais para a estrutura do recife, que datam da década de 1920. As perdas estão provavelmente associadas a alterações agrícolas introduzidas pelos colonos europeus que afectaram a qualidade da água e danificaram os recifes. Os relatos actuais podem estar, portanto, a subestimar os declínios na qualidade do recife pois são muitas vezes baseado em comparações com um estado já degradado e não com um recife verdadeiramente saudável. A GBRMPA está a usar o trabalho de Pandolfi para tentar lidar com a questão.

As pressões modernas incluem os efeitos do desenvolvimento em zonas envolventes (como escorrências de fertilizantes agrícolas). Russell Reichelt, presidente e executivo-chefe da GBRMPA, diz que a ameaça da expansão do porto foi exagerada mas a GBRMPA vai encorajar o governo e os negócios locais a terem políticas de impacto positivo no recife e não apenas neutro, como agora. 

O biólogo marinho Bob Kearney, da Universidade de Camberra, diz que designar o recife como parque marinho desencadeou um foco "desadequado" nas pescas, dado que a maior ameaça são as alterações climáticas. O recife é altamente sensível às alterações de temperatura e à acidificação oceânica mas é preciso uma acção global para lidar com as emissões de carbono que são a raiz deste problema. 

MacNeil é mais optimista, graças à actual abordagem colaborativa entre governo, universidades e sector privado para a resolução dos problemas do recife. “Ao trabalhar em conjunto estamos em melhor posição para compreender e lidar com as ameaças à Grande Barreira de Coral do que alguma vez estivemos", diz ele.

 

 

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