2014-11-08

Subject: Medicamento para Alzheimer ultrapassa barreira sangue-cérebro

 

Medicamento para Alzheimer ultrapassa barreira sangue-cérebro

 

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Levar medicamentos ao cérebro pode vir a tornar-se mais fácil, graças a moléculas que são capazes de os acompanhar através das membranas notoriamente impermeáveis que separam os vasos sanguíneos dos neurónios. 

Num estudo de prova de conceito realizado em macacos, biólogos usaram o sistema para reduzir os níveis da proteína β-amilóide, que se acumula em placas no cérebro associadas à doença de Alzheimer.

A barreira sangue-cérebro é uma camada de células que forra o lúmen dos capilares que alimentam o sistema nervoso central e é a forma que a natureza encontrou de proteger o delicado cérebro de agentes infecciosos e compostos tóxicos, ao mesmo tempo que permite a entrada de nutrientes e oxigénio e a saída de resíduos. 

Como a barreira regula rigorosamente a passagem de moléculas de grande dimensão e frequentemente impede as moléculas de medicamentos de entrar no cérebro, há muito que representa um dos desafios mais difíceis no desenvolvimento de tratamentos para doenças cerebrais.

Várias abordagens estão a ser testadas para ultrapassar a barreira, incluindo nanopartículas pequenas o suficiente para passar pela barreira das membranas celulares, cateteres que entregam o medicamento directamente no cérebro e impulsos de ultra-sons que empurram microbolhas através da barreira mas nenhuma delas ainda revelou aplicações terapêuticas alargadas.

O neurobiólogo Ryan Watts, da companhia de biotecnologia Genentech em San Francisco, procurou atravessar a barreira explorando a transferrina, uma proteína localizada na superfície dos vasos sanguíneos e que transporta ferro para o cérebro. 

A equipa criou um anticorpo com duas extremidades: uma liga-se de forma fraca à transferrina e usa a proteína para se transportar para o cérebro. Uma vez que o anticorpo esteja no interior do cérebro, a sua outra extremidade liga-se à enzima β-secretase 1 (BACE1), que produz a β-amilóide. Ainda mais importante, o anticorpo liga-se muito mais fortemente à BACE1 do que à transferrina, o que o retira do vaso sanguíneo para o cérebro. Bloqueia a BACE1 e impede-a de produzir β-amilóide.

Quando a Genentech descreveu pela primeira vez os testes com o anticorpo em 2011, os resultados pareciam prometedores: em ratos geneticamente modificados para produzir a versão humana da BACE1, uma única injecção do anticorpo reduziu a concentração de amilóide no cérebro em 47%. 

Mas o projecto foi atrasado em 2013, quando os investigadores descobriram que anticorpo atacava glóbulos vermelhos imaturos que apresentam a transferrina na superfície externa das suas membranas, sugerindo que o tratamento podia ser danoso.

No seu estudo mais recente, agora publicado na revista Science Translational Medicine, os investigadores ajustaram a força com que o anticorpo se liga à transferrina.

Quando testaram o medicamento em ratos e macacos Macaca fascicularis, descobriram que se propagava pelo cérebro dos animais e reduziram os níveis de β-amilóide no seu plasma sanguíneo em mais de 50%. O anticorpo não pareceu afectar as células do sangue dos macacos mas, no entanto, resta perceber se o medicamento iria mitigar os sintomas comportamentais do Alzheimer, pois os macacos não desenvolvem a doença ou placas amilóides da mesma forma que o Homem.

“É uma abordagem muito elegante e inteligente”, diz Robert Vassar, biólogo molecular na Faculdade Feinberg de Medicina  da Universidade Northwestern em Chicago, que estuda o papel da BACE1 na doença de Alzheimer. A chave, diz ele, parece ser modificar o anticorpo de forma a que estabeleça uma ligação nem demasiado forte, nem demasiado fraca à transferrina.

 

A BACE1 tornou-se um alvo popular

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