2014-11-07

Subject: Fantasmas gerados por desencontro entre cérebro e corpo

Fantasmas gerados por desencontro entre cérebro e corpo

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@ Nature/Chris Dale / Getty Images

As aparições são recorrentes na ficção e no drama desde há séculos, desde o pai de Hamlet a Bathsheba no sucesso de bilheteira do ano passado A evocação

Mas em algumas circunstâncias, pessoas reais também acreditam ter outra pessoa não existente a se lado, por exemplo, montanhistas extremos frequentemente relatam esta situação. Algumas pessoas com tipos relativamente raros de lesões cerebrais também relatam esta ‘sensação de uma presença'. 

Um estudo envolvendo uma dúzia desse tipo de paciente, agora publicado na revista Current Biology, sugere que essa sensação arrepiante pode surgir quando uma pessoa não integra adequadamente os diferentes sinais que recebe dos membros, como os gerados pelo toque e a informação sobre a sua posição no espaço. Os investigadores também reproduziram a ilusão em voluntários saudáveis em laboratório, com a ajuda de robots construídos para o efeito.

“Este é o primeiro estudo sistemático de um fenómeno muito bem conhecido mas que raramente foi analisado do ponto de vista biológico", diz Henrik Ehrsson, que estuda a auto-percepção no Instituto Karolinska de Estocolmo. “É fascinante.”

No estudo, a equipa de investigação composta por peritos em neurociências e robótica usou múltiplos tipos de imagens cerebrais para perceber que regiões do cérebro estavam lesionadas em pacientes com tendência para sofrer do sentimento de uma presença. Compararam estas regiões com as de pacientes controlo que tinham sofrido de outro tipo de alucinações complexas.

A única região unicamente associada à sensação de uma presença foi o córtex fronto-parietal, onde os diferentes tipos de informação sensorial e motora são integrados. Duas outras regiões, o córtex temporo-parietal e a insula, também estavam danificados tanto nos participantes no estudo como nos pacientes de controlo. Todas as três regiões já foram associadas à autoconsciência do corpo.

Os resultados mostram que nem todos os tipos de assombrações emergem da mesma forma do cérebro. “Eles mostram que as redes neurais envolvidas na sensação de uma presença não são as mesmas envolvidas nas experiências extra-corporais ou de ver um doppelgänger”, diz o autor principal do estudo, o neurocientista cognitivo Olaf Blanke, do Instituto Federal Suíço de Tecnologia de Lausanne (EPFL).

Blanke suspeitava que o efeito podia dever-se ao cérebro não perceber a fonte e identificar os sinais do corpo gerados pelo toque, percepção da própria posição no espaço (propriocepção) e movimento. Ele concebeu experiências para ver se seria possível induzir a ilusão em voluntários saudáveis, confundindo-os sobre o que lhes estava a tocar.

A equipa instalou um sistema robótico para testar a proposição e, numa série de experiências, os participantes (que não conheciam o objectivo dos investigadores) tinham que mover uma alavanca no robot à sua frente com o dedo indicador direito. Em consequência, um robot escravo por trás deles tocava-lhes nas costas com um movimento semelhante, imediatamente ou com um desfasamento de meio segundo.

 

Esse toque era a única informação sensorial sobre o ambiente que os participantes recebiam: eles estavam vendados e com auscultadores que produziam ruído branco para mascarar os sons dos movimentos dos robots.

Quando o feedback do robot era imediato, a maioria dos participantes rapidamente começavam a sentir que estavam a tocar em si próprios, apesar de estarem a fazer o gesto para a frente. Mas quando havia um desfasamento, sentiam antes que o toque provinha de outras pessoa ou de outra coisa. Muitos tinham um sentimento arrepiante de uma presença perto por trás deles e lhes tocava. Também sentiam que os seus corpos estavam mais atrás na sala do que realmente estavam e mais próximos da presença invisível.

Em mais uma experiência, outro conjunto de participantes foi colocado em frente a quatro pessoas que estavam a conversar e foi-lhes dito que uma ou mais dessas pessoas podiam estar na mesma sala quando decorreu o teste do toque. Durante o teste, o toque desfasado levou-os a sentir que havia várias pessoas na sala, apesar de permanecerem sozinhos.

As ilusões foram causadas pelo desencontro entre a informação esperada e a sensorial recebida, diz Blanke. Ele agora quer fazer scans aos cérebro de voluntários saudáveis enquanto eles fazem o teste, para ver se as áreas cerebrais neles activadas são as mesmas que as danificadas nos pacientes.

Perturbar a capacidade do cérebro para reconhecer o seu próprio corpo ensina-nos algo de muito fundamental sobre nós próprios, diz Giulio Rognini, um dos membros do EPFL. Quando o cérebro funciona mal "por vezes pode criar uma segunda representação do corpo, que já não é percebida como 'eu' mas como outro, uma presença”.

As experiências podem também lançar luz sobre a origem das alucinações sofridas pelas pessoas com esquizofrenia, dizem os investigadores.

 

 

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