2014-11-05

Subject: Modelos sobrestimam casos de ébola

Modelos sobrestimam casos de ébola

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@ Nature/Daniel Berehulak/NYT/Redux/eyevine

O surto de ébola na África ocidental já infectou pelo menos 13567 pessoas e matou 4951, de acordo com números publicados a 31 de Outubro pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Agora, num raro sinal encorajador, o número de novos casos na Libéria parece estar a estabilizar depois de meses de crescimento exponencial. Os cientistas consideram demasiado cedo para declarar que a doença está a recuar pois os dados muitas vezes não são fiáveis e o ébola é rápido a ressurgir mas é claro que os modelos matemáticos falharam na previsão rigorosa do progresso do surto.

Os investigadores estão agora a tentar compreender se os relatórios de camas vazias nos centros de tratamento e a diminuição do número de funerais são sinais de que menos pessoas estão a contrair ébola ou se há casos e mortes que não estão a ser relatados.

Na capital da Libéria, Monróvia, apenas 80 das 250 camas estavam ocupadas no centro dos Médicos sem Fronteiras (MSF) na semana passada mas Fasil Tezera, líder da missão dos MSF no país, é cauteloso: "A actual epidemia é imprevisível."

Normalmente os epidemiologistas usam modelos matemáticos para estimar a trajectória de um surto e para onde e de que forma dirigir os escassos recursos médicos mas na crise actual os dados no terreno contradizem as projecções dos modelos publicados, diz Neil Ferguson, epidemiologista na Imperial College de Londres e membro do Equipa Multidisciplinar de Resposta ao Ébola da OMS.

A 7 de Outubro, por exemplo, o modelador Alessandro Vespignani, da Universidade Nordeste em Bóston, Massachusetts, previu que a Libéria teria 6900 a 34400 casos até 24 de Outubro e 9400 a 47000 até 31 de Outubro mas a OMS colocou o número de casos no país em apenas 6535 a 25 de Outubro.

Vespignani diz que o seu modelo era o cenário mais grave, em que o crescimento exponencial de casos continuava e as medidas de contenção não eram eficazes. Mas ele e outros modeladores também são prejudicados pelos dados incompletos e pouco fiáveis sobre a epidemiologia do ébola, especialmente nas áreas mais atingidas.

Os modeladores também têm poucos dados empíricos sobre a forma como as medidas de controlo afectam quantitativamente a transmissão do ébola, diz o ecologista Nick Golding, que estuda a distribuição espacial da doença na Universidade de Oxford, Reino Unido. Os modelos “são enquadrados em dados de muito pouca qualidade de contagem de casos e basicamente na total falta de dados sobre intervenções", diz ele, o que torna difícil gerar projecções rigorosas.

Dois modelos mais complexos publicados no mês passado tentaram deslindar os efeitos das várias medidas de controlo mas os seus resultados também não estão de acordo com os resultados mais recentes da Libéria. Isso não surpreendeu Alison Galvani, epidemiologista na Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, e uma das autoras de ambos os estudos.

 

“As epidemias são alvos móveis", diz ela, acrescentando que as previsões dos seus modelos são, quando muito, um delinear da intervenção de saúde pública. Como as projecções dos modelos podem ser facilmente mal compreendidas, Ferguson considera que os modeladores “precisam realmente de pensar cuidadosamente no que sabemos sobre a transmissão do ébola e o impacto das diferentes intervenções e fazer o nosso melhor para comunicar as muitas incertezas”.

Entretanto, Bruce Aylward, assistente do director-geral que coordena os esforços de luta contra o ébola da OMs, está “aterrorizado” com a possibilidade da estabilização do número de novos casos venha a ser mal interpretado como uma diminuição do perigo. Ainda há necessidade de aumentar grandemente os recursos disponíveis para tratar pessoas infectadas e prevenir novos casos, diz ele.

Mas se se confirmar o abrandamento da taxa de infecção na Libéria, isso pode sugerir que mesmo níveis moderados de intervenção de saúde pública podem compensar, diz Golding. Para o actual surto de ébola, o número médio de novos casos por infectado (1,2 a 2,2) é muito inferior ao de muitas outras doenças infecciosas, como o sarampo (que se pode propagar a 12 a 18 pessoas por caso). À medida que as medidas de prevenção empurram este número ainda mais para baixo, a doença torna-se mais fácil de controlar e quando desce abaixo de 1, a propagação do vírus pára completamente.

Até que o surto na África ocidental seja extinto há um risco real de a doença ressurgir em zonas onde foi declarada contida ou mesmo noutras zonas. Um lembrete disto aconteceu há duas semanas: uma rapariga de 2 anos com ébola viajou centenas de quilómetros da Guiné para o Mali de autocarro, levantando a preocupação de que os passageiros que viajaram com ela possam desencadear surtos no Mali.

 

 

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