2014-11-02

Subject: Fungo asiático ameaça salamandras europeias

Fungo asiático ameaça salamandras europeias

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Nicholas Caruso

Em 2010 um fungo começou a matar números astronómicos de salamandras-de-fogo na Holanda. Os biólogos descobriram agora que a doença responsável pelas mortes provém da Ásia e que para as salamandras de outras zonas do globo representa uma sentença de morte.

Quando as salamandras-de-fogo Salamandra salamandra holandesas (também conhecidas em Portugal por salamandras de pintas amarelas) começaram a morrer, os investigadores começaram a recolher todas as que pareciam saudáveis que encontraram na natureza. Recolheram 39 animais e começaram a mantê-los em cativeiro mas também elas começaram a morrer.

Testes para uma causa possível, os ranavírus, deram resultados negativos logo fizeram-se testes para o fungo Batrachochytrium dendrobatidis (Bd), que estava a devastar as populações de anfíbios por todo o mundo, conduzindo muitas delas à extinção.

Mas quando An Martel, cirurgiã veterinária na Universidade de Ghent na Bélgica, examinou os animais ao microscópio observou filamentos fúngicos entretecidos na pele das salamandras. Estes revelaram-se um novo ffungo mortal, um primo do Bd que a equipa baptizou Batrachochytrium salamandrivorans. 

Agora, os investigadores relatam na última edição da revista Science que as espécies de salamandras ou de tritões europeias e norte-americanas são vulneráveis a este fungo: “Primeiro ficámos muito felizes pois é muito entusiasmante detectar uma nova espécie de fungo", recorda Martel. “Mas depois ficámos muito assustados."

Em 2013, apenas 4% da população holandesa de salamandras-de-fogo restava e não existem barreiras naturais que impeçam o surto holandês e dois novos surtos na Bélgica de se espalharem pelo resto da Europa.

Para prever o impacto do fungo, a equipa de Martel expôs 10 espécies de rãs e sapos, 24 espécies de salamandras e tritões e uma espécie de cecílias aos esporos do fungo. O fungo atacou apenas as salamandras e os tritões e dos 44 indivíduos de salamandras europeias infectados, 41 morreram.

Seguidamente, os investigadores testaram mais de 5 mil anfíbios de todo o mundo em busca de vestígios do fungo. Encontraram B. salamandrivorans em animais tailandeses, vietnamitas e japoneses mas estes anfíbios não pareciam doentes, sugerindo que tinham desenvolvido defesas. É provável que os surtos europeus tenham começado com salamandras asiáticas importadas.

 

A equipa não detectou o fungo em qualquer amostra norte-americana mas Jodi Rowley, bióloga de anfíbios no Instituto de Investigação do Museu da Austrália em Sidney, considera que isso não significa que o fungo não seja uma ameaça para essas espécies. "Ficaria muito surpreendida que não estivesse já na América, pelo menos no comércio de animais de estimação, dado o volume de vendas de salamandras", diz ela. “É preciso aumentar os testes aos anfíbios que atravessam as fronteiras."

Defender estes testes é a paixão de Karen Lips, bióloga da conservação na Universidade do Maryland em College Park, que tem estudado o Bd desde 1997 e é co-autora deste último estudo. “Aqui nos Estados Unidos não temos forma de exigir qualquer teste ou vigilância da vida selvagem importada que pode estar a trazer agentes patogénicos ou parasitas", diz ela, acrescentando que estão 3 propostas de lei no congresso americano actualmente que apelam ao aumento da vigilância mas "estão paradas sem qualquer acção que as transforme em lei".

“Podemos pegar em tudo o que aprendemos com o Bd e fazer um trabalho muito melhor", diz Lips. Mas as suas esperanças estão temperadas com a experiência pois ela assistiu a dezenas de espécies de rãs a extinguirem-se nas Américas por acção do Bd.

“Há uma voz na minha cabeça que me alerta para não ter muita esperança", diz ela, “somos realmente a manter algum agente patogénico fora do país? Nem conseguimos manter o ébola afastado.”

 

 

Saber mais:

Novos vírus estão a matar anfíbios em Espanha

Populações selvagens reduzidas a metade em 40 anos

Sapos tóxicos podem ser desastre ecológico em Madagáscar

Redução de tamanho de salamandras associada a alterações climáticas

Testes de gravidez trouxeram fungo mortal para os Estados Unidos

Sapos dos canaviais estão a evoluir para super-invasores

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com