2014-10-31

Subject: Cães de companhia vão testar medicamento anti-envelhecimento

Cães de companhia vão testar medicamento anti-envelhecimento

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@ Nature/Timothy Clary/AFP/Getty Images

Leveduras, vermes e ratos: todos viveram mais tempo quando tratados com vários compostos químicos em testes laboratoriais mas muitas pistas prometedoras falharam quando tentadas em humanos.

Esta semana os investigadores estão a propor uma abordagem diferente aos testes em animais de medicamentos prolongadores da vida: testes em cães de companhia. O seu alvo é a rapamicina, que é usada clinicamente como parte de um cocktail de medicamentos anti-rejeição após transplantes de rim e que também revelou prolongar as vidas de ratos em 13% nas fêmeas e em 9% nos machos.

O efeito do composto sobre a longevidade ainda não foi testado em pessoas pois os testes em humanos são caros e leva-se muito tempo a compreender se um medicamento consegue prolongar a vida humana. Mais, a rapamicina já não é patenteável logo as farmacêuticas não querem investir neste tipo de esforço.

O medicamento também provoca sérios efeitos secundários que o podem excluir como fonte da juventude farmacêutica. Tem, por exemplo, sido associado a um aumento do risco de diabetes em pessoas que receberam transplantes renais mas, em doses baixas, os investigadores suspeitam que o medicamento não será um problema para cães saudáveis.

“Qualquer composto tem efeitos secundários de algum tipo, a questão é que tipo de efeitos secundários estamos dispostos a tolerar”, diz Randy Strong, gerontologista no Instituto Barshop de Estudos da Longevidade e do Envelhecimento em San Antonio, Texas.

Para responder a esta questão, os biólogos moleculares Matthew Kaeberlein e Daniel Promislow, da Universidade de Washington em Seattle, propuseram dar doses baixas de rapamicina a cães num estudo que também iria testar se o medicamento consegue prolongar a vida dos animais. O par convidou peritos em saúde canina e em biologia do envelhecimento para um encontro em Seattle a 28 e 29 de Outubro para discutir como estruturas um teste deste tipo.

Os investigadores esperam testar a rapamicina em cães grandes, que tipicamente vivem oito a dez anos. Começarão por dar o medicamento com idades entre os seis e os nove anos. O teste piloto envolverá cerca de 30 cães, metade dos quais receberão o medicamento e permitirá aos investigadores dosear os cães durante pouco tempo e observar os efeitos sobre a função cardíaca e outros parâmetros de saúde. O teste pode ficar completo em apenas três anos mas os investigadores saberão muito antes disso, talvez no espaço de meses, se a rapamicina melhora a função cardíaca ou outros aspectos da saúde.

A rapamicina actua sobre uma proteína que está envolvida no crescimento celular mas se sabe sobre a forma como prolonga a vida: pode retardar o processo de envelhecimento ele próprio ou pode prevenir doenças relacionadas com a idade. Uma hipótese é que funciona em primeiro lugar na prevenção do desenvolvimento de tumores.

  Os cães de companhia devem fornecer um teste mais realista do que os ratos de laboratório sobre a forma como o medicamento deverá funcionar em humanos. Os animais de companhia sofrem algumas das mesmas influências ambientais e contraem algumas das doenças relacionadas com a idade que os seus donos, diz Kaeberlein. Ele tenciona alistar o seu próprio cão pastor alemão quando este tiver a idade adequada.

Outros investigadores dizem que o raciocínio de Kaeberlein e Promislow faz sentido: “Estamos a falar sobre se animais de companhia envelhecidos irão beneficiar e isso é bom modelo para a população humana", diz o geneticista fisiológico David Harrison, do Laboratório Jackson em Bar Harbor, Maine, que tem estudado a rapamicina em ratos.

Kaeberlein e Promislow reuniram cerca de US$200 mil de fundos institucionais da Universidade de Washington para o teste piloto mas vão precisar de muito mais para um teste com várias centenas de cães para testar se o medicamento, dado ao longo de anos, consegue prolongar a vida e o processo normal de envelhecimento em milhares de animais como forma de tentar compreender o mecanismo de algum tipo de efeitos prolongadores da vida.

Os participantes no encontro de Seattle também estão a considerar se será pedido aos donos dos cães que ajudem a financiar um teste maior e, se sim, se os investigadores podem prometer aos doadores que os seus cães seriam tratados com rapamicina e não com um placebo sem comprometer o estudo. Geralmente os participantes num teste clínico de topo são distribuídos aleatoriamente a grupos de tratamento ou de controlo.

“É um situação única pois são os animais de companhia das pessoas", diz Kaeberlein. “Não chegámos a nenhuma decisão sobre como vamos lidar com isso.”

 

 

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