2014-10-29

Subject: Resíduos da Deepwater Horizon depositaram-se numa vasta área

 

Resíduos da Deepwater Horizon depositaram-se numa vasta área

 

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@ Nature/Kari Goodnough/Bloomberg/Getty

Mais de um terço do petróleo derramado no golfo do México em 2010 quando da explosão da Deepwater Horizon nunca chegou à superfície.

Os cientistas têm estado a tentar localizar, desde então, os 2 milhões de barris desaparecidos e alguns sugeriram que o petróleo teria sido consumido por microrganismos ou se teria depositado no fundo do mar.

 Um estudo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences relata que uma fracção significativa do derrame estava depositada em várias zonas ao longo de, pelo menos, 3200 quilómetros quadrados de sedimentos de profundidade, uma área entre 20 a 100 vezes maior do que as estimativas anteriores tinham sugerido.

“Representa uma fracção significativa do petróleo que estava mais ou menos desaparecido da contagem”, diz Charles Fisher, biólogo de mar profundo na Universidade Estadual da Pensilvânia em University Park. Apesar de não ser claro se a concentração de poluentes no fundo do mar teve um impacto significativo sobre o ecossistema, este tipo de fuga em larga escala em profundidade não tem precedentes,  a equipa encontrou evidências circunstanciais de danos às formas de vida.

Logo após a explosão que matou 11 trabalhadores na plataforma petrolífera Deepwater Horizon e deixou o poço Macondo a verter durante 87 dias, os investigadores encontraram evidências de que uma porção substancial do petróleo ficou suspensa em camadas do oceano profundo numa forma tão difusa que a água parecia límpida. A BP, a petrolífera multinacional que era a operadora primária do poço exploratório de profundidade, negou a descoberta e as agências governamentais americanas foram lentas a dar-lhes crédito.

Mas determinar o destino desse petróleo tornou-se crucial para compreender os efeitos ecológicos e as repercussões legais do derrame. Se o petróleo de profundidade tivesse sido na maior parte consumido e o restante diluído o suficiente, seria benigno mas se o petróleo persistisse nos sedimentos numa área substancial do fundo do mar, podia potencialmente colocar sérias ameaças.

Esta última análise tornou-se possível depois de a Administração Nacional Americana  Oceânica e Atmosférica ter discretamente publicado dados em Janeiro passado sobre milhares de amostras de sedimentos recolhidas do golfo do México durante e após o acidente. A publicação dos dados faz parte da Avaliação de Danos aos Recursos Naturais (NRDA), um processo que a lei americana obriga após grandes derrames e que envolve cientistas do governo, académicos e industriais. Os dados não processados dos NRDA são frequentemente tornados públicos antes da sua análise oficial pois normalmente esta só surge após os casos legais serem resolvidos.

Para o estudo, David Valentine, geoquímico marinho na Universidade da Califórnia, Santa Barbara, focou-se essencialmente no composto orgânico hopano, um componente do petróleo não reactivo e que portanto serve como forma de seguir os derrames a longo prazo. Com base nos dados da NRDA, os investigadores foram capazes de delinear uma área de cerca de 3200 quilómetros quadrados em que as concentrações de hopano eram significativamente maiores que os níveis de fundo. O hopano não estava distribuído regularmente na zona mas num padrão em mosaico: “Penso que é um padrão muito interessante e nada do que pensávamos que seria", diz Valentine.

Alguns estudos sugeriram que a contaminação significativa se limitava a uma área muito menor mas isso pode ser porque a irregularidade das altas concentrações as tornava fáceis de falhar, diz Valentine.

Uma possível via de contaminação era o petróleo difuso espalhar-se pelas camadas mais profundas da coluna de água e mais tarde colidir com zonas mais rasas no talude continental. Isto contaminaria os sedimentos por contacto directo, uma hipótese baptizada como anel da banheira suja. Este último estudo apoia essa ideia, com os padrões de contaminação moderada de hopano a profundidades de 900 a 1300 metros, onde as camadas profundas de petróleo foram detectadas.

  No entanto, a equipa encontrou contaminação maior a profundidades de 1600 metros, abaixo da camada onde o petróleo difuso foi encontrado, sugerindo que o petróleo de alguma forma coagulou e afundou, diz Valentine, apesar do mecanismo dessa coagulação não ser claro.

Outros cientistas propuseram a hipótese do nevão sujo, em que o petróleo que emergia para a superfície formava coágulos com outro material orgânico e eventualmente se afundava. Mas o padrão de hopano encontrado por Valentine está melhor alinhado com as correntes de profundidade prevalecentes do que com o espalhar do petróleo à superfície, sugerindo que a coagulação poderá ter ocorrido em profundidade.

Globalmente, os investigadores estimam que 4 a 31% do petróleo aprisionado no mar profundo acabou nos sedimentos da zona contaminada. Chris Reddy, co-autor do estudo e químico marinho no Instituto Oceanográfico Woods Hole no Massachusetts, diz que a investigação irá ajudar a guiar os que terão que responder a futuros derrames em profundidade.

Valentine diz que provavelmente haverá porções de contaminação que as expedições NRDA falharam por estarem fora da zona de amostragem. Tanto Valentine como Reddy consideram que mecanismos como o nevão sujo podem ter estado em jogo noutras áreas.

Valentine removeram amostras que poderiam ter sido influenciadas por fugas naturais, incluindo amostras em que as concentrações de hopano eram elevadas em camadas de sedimento mais profundas, sugerindo input a longo prazo.

O trabalho não lidou directamente com o impacto biológico mas os autores apresentam um estudo de caso: as concentrações de hopano eram elevadas numa zona a sudoeste da cabeça do poço, onde outros investigadores relataram danos aos corais de profundidade.

Uma questão crucial que permanece, diz Valentine, é o papel dos dispersantes químicos que, pela primeira vez na história, foram injectados directamente no petróleo que fluía da cabeça do poço. O objectivo era quebrar o petróleo viscoso e acelerar a sua degradação mas não é claro em que grau a abordagem foi bem sucedida ou se causou danos. “O padrão que estamos a ver poderia ter sido totalmente diferente sem os dispersantes", diz Valentine, “mas não sabemos ainda o suficiente.”

“Os pedaços do quebra-cabeças estão a encaixar", diz Fisher, “mas as restantes questões em aberto vão ser mesmo difíceis de solucionar.”

 

 

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