2014-10-27

Subject: Sequenciado genoma do humano mais antigo que se conhece

 

Sequenciado genoma do humano mais antigo que se conhece

 

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@ Nature/Bence Viola, MPI EVA

Um osso da perna com 45 mil anos encontrado na Sibéria forneceu a sequência genómica mais antiga de Homo sapiens de que há registo, revelando uma misteriosa população que pode em tempos ter-se estendido por todo o norte asiático.

A sequência de DNA de um homem caçador-recolector também fornece pistas entusiasmantes sobre a viagem dos humanos modernos de África para a Europa, Ásia e mais além, bem como para os seus encontros sexuais com os Neanderthal.

O povo a que pertencia este homem poderia ter permanecido desconhecido se não fosse Nikolai Peristov, um artista russo que cria jóias a partir de antigas presas de mamute. Em 2008, Peristov procurava marfim ao longo das margens do rio Irtysh na Sibéria quando se apercebeu de um osso na margem do rio. Escavou-o e mostrou-o a um perito forense da polícia, que o identificou como sendo humano.

O osso revelou-se o fémur esquerdo de um homem e acabou por chegar ao Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva em Leipzig, Alemanha, onde os investigadores o dataram por carbono. “Estava bastante fossilizado e tínhamos esperança que se revelasse antigo. Ganhámos o jackpot”; diz Bence Viola, paleoantropólogo que co-liderou o estudo do osso. “Era mais antigo que qualquer outro humano moderno datado até agora.” 

A sorte continuou quando os colegas de Viola descobriram que o osso continha DNA bem preservado e sequenciaram o seu genoma com o mesmo rigor que se alcança com os genomas humanos contemporâneos.

Os investigadores baptizaram a sua descoberta Ust’-Ishim, o nome do distrito onde Peristov descobriu o osso. Dataram-no entre 43 e 47 mil anos, praticamente o dobro da idade do genoma de humanos modernos mais antigo que se conhecia, ainda que existam genomas de humanos arcaicos mais antigos.

O DNA pode ser a única hipótese de ligar estes vestígios a outros humanos. "Este homem veio de não se sabe onde, não há um local arqueológico ao qual o possamos associar", diz Viola, sugerindo que este grupo se deslocava bastante.

O homem de Ust’-Ishim provavelmente descendia de um grupo extinto aparentado de perto com os humanos que deixaram África há mais de 50 mil anos para povoar o resto do mundo mas posteriormente se extinguiram, diz Viola.

A pista mais intrigante sobre a sua origem é que cerca de 2% do seu genoma é Neanderthal. Esta percentagem é mais ou menos a mesma que permanece actualmente no genoma dos não-africanos e que se deve às aventuras dos seus ancestrais com os Neanderthal. O homem de Ust’-Ishim provavelmente obteve o seu DNA Neanderthal destes mesmos acasalamentos, que, sugerem estudos anteriores, ocorreram depois de o ancestral comum aos europeus e asiáticos ter deixado África e ter encontrado os Neanderthal no Médio Oriente.

 

Até agora, o momento deste cruzamento era incerto, algures entre 37 e 86 mil anos, mas o DNA de Neanderthal no genoma de Ust’-Ishim coloca-o algures entre os 50 e os 60 mil ano, com base nos longos segmentos de DNA Neanderthal que apresenta. Os cromossomas maternos e paternos são misturados em cada geração logo ao longo do tempo os segmentos de DNA de um qualquer indivíduo vão ficando cada vez mais curtos.

As datas mais precisas para o cruzamento entre humanos e Neanderthal são um desafio para os cientistas que propuseram que os humanos modernos deixaram África há mais de 100 mil anos e chegaram à Ásia há mais de 75 mil anos, diz Chris Stringer, paleoantropólogo no Museu de História Natural de Londres. 

Esses investigadores, onde se inclui Michael Petraglia, arqueólogo na Universidade de Oxford, Reino Unido, apontaram ossos tipo H. sapiens do Levante com mais de 100 mil anos e para ferramentas de pedra com 70 mil anos encontradas na Índia como evidências de um êxodo humano para a Ásia ao longo de uma rota costeira a sul que eventualmente os levou à Oceânia.

Mas Petraglia vê o genoma de Ust’-Ishim de forma diferente: “Penso que se trata de uma parte de uma explosão populacional que ocorreu há cerca de 45 mil anos, o que significa que os humanos modernos chegaram ao fim do mundo há 45 mil anos." O seu número pode ter abafado as populações humanas que tinham chegado em migrações anteriores.

Petraglia espera que o DNA antigo e outros fósseis possam pintar uma imagem muito mais complicada. “Isto é apenas uma descoberta aleatória num depósito de um rio siberiano", diz Stringer. “O que mais poderá surgir quando se começar a procurar de forma sistemática?”

 

 

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