2014-10-25

Subject: Fetos comunicam para decidir o seu sexo

 

Fetos comunicam para decidir o seu sexo

 

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@ Nature/Organica/Alamy

Em muitos animais o sexo da descendência é, biologicamente falando, decidido entre os progenitores mas para os fetos trepadores japoneses Lygodium japonicum o sexo dos filhos depende de toda uma comunidade comunicando entre gerações, relatam os investigadores na última edição da revista Science.

Os pequenos fetos mais velhos segregam feromonas para determinar o sexo dos mais jovens, mantendo uma razão dos sexos equilibrada de forma a que se possam reproduzir mais rapidamente, mostra o estudo.

Este foi o olhar mais íntimo que houve até agora sobre a vida sexual dos fetos, que se reproduzem a partir de esporos e não de sementes. A planta adulta é um gametófito, que pode ser masculino, feminino ou hermafrodita. Se não existem outros gametófitos em redor, todos permanecerão hermafroditas e fazem auto-fecundação, o que cria o risco de consanguinidade.

Mas no feto trepador japonês, uma equipa liderada por Makoto Matsuoka, biólogo molecular na Universidade Nagoya, Japão, descobriu que os gametófitos mais velhos influenciam o sexo dos mais jovens seus vizinhos. O processo em duas etapas envolve uma feromona chamada giberelina, que provoca o desenvolvimento de órgãos sexuais masculinos nas plantas.

Os fetos femininos em maturação expressam alguns genes que iniciam a produção de giberelina mas acrescentam um grupo químico metil-éster à molécula percursora antes de a secretar para o solo húmido da floresta. Esta modificação ajuda os fetos jovens a absorver a substância. Seguidamente as pequenas plantas expressam os genes necessários para completar a produção da giberelina, o que as transforma em plantas masculinas.

Isto permite aos fetos mais velhos serem femininos ao mesmo tempo que aumentam o número de plantas masculinas, equilibrando assim os sexos, eliminando a necessidade de auto-fecundação e mantendo a diversidade genética.

“Sabemos muito mais sobre o sexo em animais do que em plantas", diz Jody Banks, geneticista vegetal na Universidade Purdue em West Lafayette, Indiana. Quando se trata de feromonas que determinam a selecção sexual, "este é realmente o primeiro estudo a pôr-lhe um rosto molecular", diz ela.

 

A giberelina teve um papel central na Revolução Verde depois da Segunda Guerra Mundial, quando as tecnologias de reprodução e cultivo fizeram disparar a produção de trigo e arroz por todo o mundo. Nestas culturas, a giberelina actua como hormona de crescimento e o desenvolvimento de novas variedades com reduzida sensibilidade a esta hormona permitiu aos agricultores cultivar plantas mais baixas e com caules mais resistentes ao clima. 

Tai-ping Sun, biólogo molecular na Universidade Duke em Durham, Carolina do Norte, considera que, um dia, uma melhor compreensão desta hormona poderá permitir-nos obter estirpes mais eficientes de culturas agrícolas.

Também podem existir implicações ecológicas: Matsuoka salienta que o feto trepador japonês se tornou uma espécie invasora nas zonas pantanosas do sudeste dos Estados Unidos e que os fungicidas que têm como alvo a giberelina podem ser usados para combater a propagação dos fetos.

Ele acrescenta que é difícil dizer se a cooperação inter-geracional será comum entre outras espécies de fetos.

Mas Banks pode ajudar a descobrir: ela trabalha com uma espécie diferente de feto e está a tentar identificar quais dos seus genes afectam a selecção sexual. “Isto é realmente útil pois agora temos alguns genes candidatos como alvo", diz Banks.

 

 

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