2014-10-23

Subject: A extinção invisível

 

A extinção invisível

 

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@ Nature/Mauricio Handler/National Geographic Society/Corbis

Quando Roy Plotnick pensa nas espécies que se estão a extinguir tenta visualizar como tudo parecerá aos cientistas daqui a alguns milhões de anos. Plotnick, paleontólogo na Universidade do Illinois em Chicago, lançou uma invulgar experiência de pensamento considerando que animais que estão a desaparecer hoje poderão nunca estar representados no futuro registo fóssil. Ele chama à situação a "extinção invisível".

Plotnick explicou as suas ideias esta semana no encontro da Sociedade Americana de Geologia em Vancouver, Canadá.

O que é realmente a extinção invisível?

Estamos no meio do que já chamada a sexta extinção. Se olhássemos para trás daqui a uns milhões de anos no futuro, o que veríamos? Saberíamos se as espécies que se estão a extinguir agora alguma vez teriam existido, se apenas tivéssemos vestígios fósseis?

Como se estuda algo como isso?

Começámos com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), com as várias categorias de espécies ameaçadas e decidimos avançar com os mamíferos. Existem 715 espécies de mamíferos na lista. Comparámos a Lista Vermelha com vários conjuntos de dados que descrevem os mamíferos modernos para ver quais das espécies na lista se podem encontrar no registo fóssil.

E o que descobriram?

Das 715 espécies listadas como ameaçadas, apenas 90 delas estão representadas no registo fóssil, ou seja, cerca de 13%. O resto delas desaparecerá sem deixar qualquer rasto.

Mas se temos registo dessas espécies actualmente, como é que elas podem simplesmente desaparecer?

Assumimos muita coisa sobre a persistência dos registos humanos mas quem é que consegue ler uma disquete hoje em dia? O registo em rocha é muito mais persistente. Gosto de ler ficção científica e penso em mundos pós-apocalípticos e no que conseguiríamos perceber do passado distante.

Quais são os animais mais em risco?

São os pequenos, peludos e queriduchos, como os roedores e os morcegos. O tamanho do corpo é obviamente um factor, coisas grandes tendem a ter um registo fóssil, tal como as que têm maior distribuição geográfica. Vamos perder os endemismos pois temos menos probabilidade de ficar no registo fóssil se só existimos num único local.

Um exemplo são os quirópteros. Os morcegos estão em sérias dificuldades: Oitenta e duas espécies estão classificadas como ameaçadas ou vulneráveis mas apenas três delas são conhecidas em fóssil: o morcego-vampiro gigante, recentemente extinto, o ameaçado morcego mexicano de nariz comprido e o morcego do Indiana. Só teremos fósseis de morcego quando houver grutas.

 

E outros, para além dos mamíferos?

Gostaria de expandir esta análise a outros grupos, outros vertebrados terrestres. Estou convencido que a situação será igual para as aves: se pensarmos no que se perdeu em espécies insulares, a maioria provavelmente não será visível no registo fóssil. O mesmo acontecerá com os répteis.

Como é que as suas ideias se ligam ao conceito do Antropoceno, um período geológico marcado pela influência humana?

Como paleontólogo penso sobre o surgimento e extinção de espécies pois é assim que vemos o tempo geológico. Um grande sinal é a extinção em massa de mamíferos na América do Norte, Europa e Austrália, devida à chegada dos caçadores. Esse ponto seria o marcador estratigráfico.

Também precisamos de pensar no que introduzimos no futuro registo fóssil. Agarrámos em animais de grande porte, porcos, vacas e hominídeos, e distribuímo-los por muitos locais do mundo. Quando começamos a pensar sobre como será o registo fóssil futuro, pensamos logo que vai ter muitos ossos de porco.

E porque nos devemos preocupar com isto?

Quando falo de alterações ambientais globais com os meus alunos esta situação é uma parte tão importante do que se passa como as alterações climáticas. Estes animais vão desaparecer e nem sequer saberemos que alguma vez existiram, isso causa-me uma revolução no estômago.

 

 

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