2014-10-22

Subject: Pinguins africanos causam alvoroço entre cientistas

 

Pinguins africanos causam alvoroço entre cientistas

 

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@ Nature/Krista Kennell/ZUMAPRESS.com/Corbis

A ilha Robben é famosa por ter sido o local onde Nelson Mandela passou 18 anos na prisão mas agora os 1200 casais reprodutores de pinguins africanos da ilha estão no centro de uma controvérsia científica: em causa está a sobrevivência de uma espécie ameaçada, bem como a forma como as pescas são geridas em todo o mundo.

Em 2013, existiam apenas 22 mil casais reprodutores de pinguins africanos Spheniscus demersus em todo o mundo: a população tinha sofrido um declínio de 65% desde 2001. As possíveis causas incluíam a poluição, perda de habitat e alterações climáticas, mas um suspeito crucial era a pesca de sardinhas e anchovas, presas importantes para os pinguins.

Para testar esta teoria, em 2008 o agora defunto Departamento de Assuntos Ambientais e Turismo da África do Sul iniciou uma experiência invulgar que envolvia duas ilhas (Robben e Dassen) ao largo da costa ocidental da África do Sul e outras duas (St Croix e Bird) ao largo da costa sul. 

Durante três anos uma zona em redor de uma das ilhas de cada par foi fechada à pesca, enquanto a outra ilha do par permanecia aberta. Seguidamente a situação foi invertida. Esta rara experiência controlada tem “importantes implicações para as pescas em competição com predadores vertebrados em todo o mundo", incluindo as aves marinhas, focas e golfinhos, diz Johann Augustyn, secretário da Associação Sul-africana da Indústria de Arrasto de Profundidade na Cidade do Cabo.

Quando a pesca foi restringida em redor das ilhas St Croix e Bird, os pinguins gastavam menos energia a procurar alimento para as suas crias logo ambos tinham maior probabilidade de sobrevivência. As áreas em redor dessas ilhas serão permanentemente encerradas à pesca em breve.

Mas para a ilha Robben não emergiu nenhum padrão claro. Os cientistas do Instituto de Investigação Marinha da Universidade da Cidade do Cabo, onde a maior parte dos dados tem sido analisada, estão a debater ferozmente se os fechos alternados em redor de Robben e Dassen devem continuar.

 

Os que querem mais tempo defendem ser difícil determinar os efeitos do fecho das ilhas sobre os pinguins pois as variações naturais na abundância de peixe podem baralhar o sinal. Prolongar os fechos outros três anos poderia permitir ao sinal, se ele existe, emergir, diz Richard Sherley, ornitologista do instituto. A ecologista marinha Astrid Jarre concorda que o fecho das pescas por outro ciclo pode ser uma precação sensata pois as restrições levaram a pequenos aumentos na taxa de sobrevivência das crias.

Mas alguns cientistas estão a apelar ao fim da experiência, alegando que os fechos estão a causar danos ao modo de vida dos pescadores. Doug Butterworth, director do Grupo de Gestão e Avaliação dos Recursos Marinhos do instituto, sugere que as pescas podem mesmo ajudar os pinguins de Robben e Dassen ao separar os cardume e faciltando as capturas pelas aves.

Os estudos de modelos populacionais de peixes e pinguins feitos por William Robinson, antigo estudante de doutoramento do grupo de Butterworth, assinalam um problema que pode ser bem pior para os pinguins que a pesca: muitas das sardinhas não atingem a maturidade e a distribuição dos peixes está a deslocar-se para leste, ainda que não sejam claras as razões desta situação.

Um workshop na Cidade do Cabo organizado pela BirdLife South Africa está a avaliar as evidências da experiência e um painel de peritos internacionais deverá fazer uma recomendação ao Departamento Sul-africano de Agricultura, Florestas e Pescas em Dezembro.

 

 

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