2014-10-21

Subject: Fósseis rescrevem história do sexo penetrativo

 

Fósseis rescrevem história do sexo penetrativo

 

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@ Nature/John Long, Brian Choo/Flinders University

A história do sexo pode ter que ser rescrita graças a um grupo de peixes há muito extintos, os placodermes. Um estudo cuidadoso de fósseis destes animais com armadura que deram origem a todos os actuais vertebrados mandibulados, sugere que os seus descendentes (os nossos ancestrais) alteraram as suas práticas sexuais de fertilização interna para externa, um evento que até agora era considerado evolutivamente improvável.

“Isto foi totalmente inesperado", diz John Long, paleontólogo na Universidade Flinders em Adelaide, Austrália, e autor principal do estudo agora publicado na revista Nature. “Os biólogos pensavam que não poderia haver uma reversão de fertilização interna para fertilização externa mas demonstrámos que deve ter acontecido assim."

Se formos suficientemente atrás na nossa árvore filogenética, até antes dos placodermes, os nossos ancestrais eram peixes feios sem mandíbulas que se reproduziam através de fertilização externa, em que os espermatozóides e os óvulos são lançados à água para se unirem. Alguns destes parentes distantes deram posteriormente origem às lampreias e que ainda usam este método.

A equipa de Long estudou os placodermes, um dos primeiros grupos de mandibulados, e descobriu estruturas nos fósseis que interpretaram como claspers ósseos.

Anteriormente, os investigadores já tinham demonstrado na revista Nature que uma espécie de placoderme era o primeiro animal que se sabia ter usado o sexo penetrativo mas este último artigo mostra que um grupo ainda mais antigo de placodermes, os antiarcos, mais especificamente um grupo deles conhecido por Microbrachius, também usavam este método de fertilização. A descoberta é significativa porque os antiarcos são considerados os vertebrados mandibulados basais, o que sugere que todos os placodermes se reproduziam por fertilização interna usando claspers.

Mas as implicações desta descoberta são ainda mais penetrantes. Long diz que os peixes ósseos mais antigos, que se seguem aos placodermes na árvore filogenética, não mostram sinais de fertilização interna. Assim, em algum momento, os primeiros peixes devem ter perdido o método de fertilização interna dos placodermes, antes de os seus descendentes reinventarem órgãos com função semelhante e que vão de claspers semelhantes em tubarões e raias aos pénis dos humanos modernos, sugerem os autores. Os claspers dos tubarões modernos são cartilagíneos, no entanto, e formam-se a partir das barbatanas pélvicas, o que os torna fundamentalmente diferentes dos ósseos dos placodermes.

“O nosso artigo sugere que depois dos primeiros vertebrados mandibulados terem desenvolvido a fertilização interna, ela foi perdida num momento próximo do último ancestral comum a partir do qual os modernos peixes mandibulados evoluíram", diz Long.

 

O artigo deverá influenciar fortemente um debate em curso sobre o lugar dos placodermes na história evolutiva. Até à poucos anos, os placodermes eram considerados um grupo monofilético, um beco sem saída evolutivo. Esta interpretação diz que outros vertebrados teriam partilhado um ancestral comum com este grupo, em vez de descenderem deles.

Mas mais recentemente, investigadores incluindo Martin Brazeau, paleontólogo de vertebrados no Imperial College de Londres, campus de Silwood Park em Berkshire, sugeriram que os placodermes podiam não ser um grupo coerente único, com base em evidências das suas estruturas cranianas. Isso significaria que em vez de os humanos partilharem um ancestral comum com os placodermes, os placodermes seriam eles próprios ancestrais dos humanos.

Este último artigo complica este debate e oferece duas opções desconfortáveis. Segundo Brazeau, o trabalho apoia de forma convincente que todos os placodermes tinham fertilização interna, levando à conclusão improvável de que alguns dos peixes vivos com fertilização externa tinham ancestrais com fertilização interna. Mas o facto de todos os placodermes terem claspers ósseos pode ser considerada evidência de serem um grupo monofilético, o que contradiz as evidências cranianas que os colocam perto do topo da árvore filogenética dos vertebrados mandibulados.

Brazeau diz ser “cada vez mais agnóstico" sobre as duas opções: “Este trabalho vai certamente fazer as pessoas sentarem-se pensarem seriamente sobre o passado.”

 

 

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