2014-10-19

Subject: Abutre envenenado anuncia a crise das aves europeias

 

Abutre envenenado anuncia a crise das aves europeias

 

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@ Nature/Pedro Armestre/AFP/Getty Images

Um enorme declínio no número de abutres na Índia foi atribuído à utilização generalizada de um medicamento anti-inflamatório no gado e agora os abutres europeus podem estar a seguir o mesmo caminho, com o primeiro relato de uma morte que está definitivamente associada a um medicamento semelhante.

Os abutres indianos sofreram declínios catastróficos desde a década de 90, com as populações de certas espécies, como Gyps indicus, a caírem mais de 95% e a serem classificadas como criticamente ameaçadas. Os cientistas culparam o medicamento diclofenac, que os veterinários dão ao gado para tratamento de situações tão variadas como pneumonia ou artrite, mas que é mortal para os abutres que se alimentam dessas carcaças, pois são invulgarmente sensíveis ao composto.

Na semana passada, um artigo publicado na revista Conservation Biology relatava que um grifo Gyps fulvus que tinha sido encontrado morto em Espanha em 2012 sofria de gota visceral grave, que nos abutres indianos é um sinal clássico de envenenamento por diclofenac. Testes laboratoriais mostravam que o fígado e os rins continham níveis elevados de flunixina, outro medicamento da mesma classe que o diclofenac, conhecidos por medicamentos anti-inflamatórios não esteróides (NSAID).

Este é o primeiro caso de um abutre selvagem morto por um NSAID fora da Ásia, de acordo com Mark Taggart, autor principal do artigo e investigador de poluentes na Universidade das Terras Altas e Ilhas em Thurso, Reino Unido. Também é a primeira morte de ave devida a um NSAID que não o diclofenac, acrescenta ele.

Os investigadores também dizem que este cadáver pode ser a ponta do icebergue em termos de mortes de abutres e salientam que apenas foi encontrado devido à transparência do governo da Andaluzia e dos esforços em curso para monitorizar os efeitos sobre a saúde da população de abutres local.

De acordo com a Fundação para a Conservação dos Abutres (FCA)em Zurique, Suíça, Espanha tem cerca de 70 mil grifos, 5 mil abutres-pretos  Aegypius monachus, 3 mil abutres do Egipto Neophron percnopterus e 300 abutres-barbudos Gypaetus barbatus.

Há muito que os investigadores têm vindo a alertar para os riscos que o diclofenac representa para os abutres espanhóis e Antoni Margalida, biólogo da conservação na Universidade de Berna, Suíça, concorda que o último artigo mostra que os necrófagos selvagens estão realmente a alimentar-se de cadáveres medicados, um ponto central na controvérsia pois os medicamentos não deviam ser usados em animais que pudessem entrar nas cadeias alimentares selvagens.

Margalida salienta que outras espécies ameaçadas também são necrófagas, como águias e outras aves de rapina. O que antes foi considerado um risco é agora “uma preocupação demonstrada que exige uma resposta urgente por parte das administrações para proibir o mais rapidamente possível a utilização do diclofenac”, diz Margalida.

 

A Agência Europeia do Medicamento está actualmente a considerar a ameaça colocada pelo diclofenac aos abutres europeus e deve apresentar uma decisão no final de Novembro. Pode proibir a utilização do medicamento no gado ou recomendar restrições ao seu uso ou à forma como as carcaças são tratadas. Produtos contendo diclofenac foram aprovados para uso veterinário no gado em Espanha apenas no ano passado e não é claro até que ponto o seu uso é generalizado. Estimativas da FCA sugerem que se houver um aumento da utilização, o número de carcaças contaminadas pode alcançar rapidamente o nível que praticamente dizimou os abutres indianos.

José Tavares, director da FCA, diz que o medicamento precisa de ser proibido por causa da prática e dos custos de controlar o acesso da vida selvagem a carcaças potencialmente tóxicas. Alguns dos animais vivem em zonas remotas e em certas zonas as carcaças são deixadas para os animais selvagens as devorarem em locais conhecidos como muladares.

“Estamos a pedir à União Europeia que proiba o diclofenac como um primeiro passo”, diz Tavares. Seguidamente a Europa deve considerar a proibição de outros compostos potencialmente perigosos, incluindo a flunixina que matou a ave espanhola. A inacção pode ter “um impacto significativo sobre os abutres europeus", alerta ele.

Alguns investigadores sugerem que se passe a utilizar um medicamento alternativo, o meloxicam, que trata os mesmos problemas que o diclofenac mas é menos tóxico para os abutres. Também manifestaram preocupação com o facto de a utilização do diclofenac na Europa poder minar os esforços para limitar o seu acesso a outras partes do mundo: “Outros não terão razão para o proibir", diz Tavares. E os que já o fizeram “podem reabrir a questão e dizer 'porque é que nos temos que deixar de usar se na Europa usam?'”

 

 

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