2014-10-15

Subject: Modelos para alterações climáticas subestimam a absorção de CO2 pelas plantas

 

Modelos para alterações climáticas subestimam a absorção de CO2 pelas plantas

 

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@ BBC

Os modelos climáticos globais subestimam a quantidade de CO2 que está a ser absorvido pelas plantas, de acordo com um novo estudo agora conhecido.

Os cientistas dizem que entre 1901 e 2010 os seres vivos absorveram mais 16% deste gás de efeito de estufa do que antes se pensava, o que dizem explicar a razão porque os modelos consistentemente sobrestimam a taxa de crescimento do carbono na atmosfera.

No entanto, os peritos acreditam que os novos cálculos não deverão fazer grande diferença para as predições sobre o aquecimento global. O estudo foi publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Compreender qual a quantidade de dióxido de carbono que permanece na atmosfera é crítico para estimar os futuros impactos do aquecimento global sobre as temperaturas.

Cerca de metade do CO2 produzido acaba nos oceanos ou é absorvida pelos seres vivos mas a modelação dos impactos exactos à escala global é espantosamente difícil.

Neste novo estudo, uma equipa de cientistas voltou a analisar a forma como as árvores e outras plantas absorvem o carbono. Ao estudar a forma como o CO2 se espalha no interior das folhas (um processo conhecido por difusão no mesófilo), os autores concluíram que uma maior quantidade do gás é absorvido em relação ao que antes se estimava.

Entre 1901 e 2100 os investigadores acreditam que o seu trabalho aumenta a quantidade de carbono absorvido através da fertilização de 915 mil milhões de toneladas para 1057 mil milhões, uma subida de 16%.

"Há um desfasamento temporal entre cientistas que estudam os processos fundamentais e os modeladores que criam modelos de grande escala desses processos", diz Lianhong Gu, do Laboratório Nacional Oak Ridge, e um dos autores do artigo. "É preciso algum tempo para esses dois grupos se entenderem."

Os investigadores acreditam que os modelos do sistema Terra sobrestimaram a quantidade de carbono na atmosfera em cerca de 17% e pensam que a sua nova avaliação da absorção vegetal explica a diferença.

"A concentração de CO2 atmosférico apenas começou a acelerar rapidamente depois de 1950", diz Gu. "Por isso o desfasamento de 17% foi atingido durante um período de cerca de 50 anos. Se queremos prever o aumento das concentrações futuras de CO2 daqui a centenas de anos, qual seria a sua dimensão?"

Outros investigadores acreditam que este novo trabalho poderá ajudar a clarificar os modelos mas pode não significar grande coisa a nível de aquecimento global como resultado do aumento das concentrações do gás.

 

"O artigo uma nova visão sobre a forma como a intrincada estrutura das folhas, bem como a sua função, podem ter um impacto à escala planetária", diz Pep Canadell, do Projecto Global do Carbono no CSIRO Austrália.

"Fornece uma possível explicação para a razão porque os modelos do sistema Terra não conseguem reproduzir completamente o crescimento do CO2 atmosférico ao longo dos últimos 100 anos e sugere que a vegetação pode ser capaz de absorver mais CO2 no futuro do que está actualmente modelado."

"Ter mais carbono absorvido pelas plantas iria abrandar as alterações climáticas mas há muitos outros processos entre este trabalho e a capacidade dos ecossistemas terrestres para remover o dióxido de carbono e armazená-lo durante tempo suficiente para fazer uma diferença nas tendências do CO2 atmosférico."

Muitos peritos concordam que o efeito é interessante e pode exigir uma recalibração dos modelos mas não altera a necessidade de cortes a longo prazo das emissões para limitar o impacto do dióxido de carbono.

"Esta nova pesquisa implica que será ligeiramente mais fácil cumprir a meta de manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC mas com um grande ênfase no 'ligeiramente'", diz Chris Huntingford, modelador climático no Centro para a Ecologia e a Hidrologia do Reino Unido. "Globalmente, os cortes nas emissões de CO2 ao longo das próximas décadas ainda terão que ser muito grandes se quisermos manter o aquecimento abaixo dos 2ºC."

 

 

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