2014-10-12

Subject: Peixes não consideram o seu reflexo um rival

 

Peixes não consideram o seu reflexo um rival

 

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@ Nature/Georgette Douwma/naturepl.com

Os espelhos são frequentemente usados para desencadear agressividade em estudos do comportamento animal, assumindo que animais que são incapazes de se reconhecerem a si próprios vão reagir como se tivessem encontrado um rival. Mas investigações recentes sugerem que esse tipo de trabalho pode simplesmente estar a reflectir o que os cientistas esperam ver e não verdadeira agressão.

Para a maioria das pessoas, olhar-se ao espelho não desencadeia hostilidade de dentes arreganhados perante o rosto que olha para nós, mas é verdade que muitos animais reagem agressivamente à sua imagem no espelho e há anos que os espelhos têm sido usados para desencadear esse tipo de resposta em investigação comportamental em espécies tão diversas como aves e peixes.

“Tem havido uma história muito longa de utilização de espelhos por ser tão fácil", diz Robert Elwood, investigador de comportamento animal na Universidade Queen em Belfast, Reino Unido. A utilização de um espelho simplifica radicalmente as experiências sobre agressão, reduzindo o número de animais exigidos e fornecendo ao animal que é observado um 'oponente' perfeitamente equiparado em termos de dimensão e peso.

Mas num estudo agora publicado na revista Animal Behaviour, Elwood e a sua equipa vêm somar evidências de que muitos estudos com espelhos têm falhas. Os investigadores analisaram o grau de convicção com que os peixes ciclídeos Amatitlania nigrofasciata reagem tanto aos espelhos como a verdadeiros peixes da sua espécie.

Esta espécie prefere apresentar o seu lado direito em exibições de agressividade, o que significa que acabam lado a lado numa configuração cabeça com cauda. É impossível para um peixe fazer isso com o seu próprio reflexo mas Elwood considerou que os peixes que enfrentam um espelho tentariam faze-lo e virar-se-iam de um lado para o outro enquanto tentavam mostrar uma exibição agressiva. Por outro lado, se o reflexo não desencadeasse uma reacção agressiva, os peixes não revelariam tanto (ou tão frequentemente) esse comportamento.

O que os investigadores realmente observaram foi esta última. Elwood compara a situação a um pugilista no ringue: se o pugilista pensa que está a lutar com um opositor real vai mover-se rapidamente e ficar mito atento. “Se está apenas a fazer poses em frente a um espelho, o pugilista pode ficar apenas lá parado", diz ele.

No início deste ano, Valentina Balzarini, ecologista comportamental na Universidade de Berna, publicou um artigo sobre a agressividade ao espelho em três espécies de ciclídeos do lago Tanganica em África. Ela descobriu que apenas numa, Neolamprologus pulcher, o espelho desencadeava respostas agressivas às observadas perante oponentes reais.

Ao contrário, da espécie estudada pela equipa de Elwood, N. pulcher, depende de exibições frontais e não de exibições assimétricas laterais, o que pode contribuir para as diferentes respostas nos estudos com espelhos. Assim, ainda que os espelhos possam ser úteis para estudos que investigam “a agressividade grosseira”, diz Balzarini, precisam de ser cuidadosamente validados para cada espécies.

 

“O maior problema é que estamos a testar um comportamento que exige uma série de acções e reacções de pelo menos dois participantes, num cenário que apenas tem um indivíduo", diz Balzarini. “Fico entusiasmado por ter questionado os testes com espelhos, especialmente do ponto de vista neurobiológico."

Em 2010, Russell Fernald, que estuda ciclídeos na Universidade de Stanford na Califórnia, e a sua colega Julie Desjardins, analisaram a expressão génica no cérebro de peixes que estavam a reagir a um espelho. Eles encontraram níveis mais altos de activação cerebral em áreas associadas com o medo, que não são vistas em lutas com peixes reais, apesar de outros indicadores (como os níveis de hormonas) serem semelhantes em ambos os casos. Isto, diz Fernald, mostrou claramente que lutar com um espelho é diferente de lutar com outro peixe, do ponto de vista dos peixes.

“Penso que os cientistas geralmente subestimam as capacidades cognitivas dos peixes", diz ele. “Mostrámos que os ciclídeos são capazes de raciocínio lógico. Os peixes são capazes de inferir a posição na hierarquia social só pela observação, logo porque razão seriam enganados por um espelho?”

Assim, pelo menos para os peixes, existe agora grande incerteza sobre a utilização de espelhos em investigação do comportamento animal. Elwood diz que "não quer dizer que não devam ser usados de todo mas a investigação sobre agressão e exibições pode ser questionada.”

 

 

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