2014-10-06

Subject: Pandemia de SIDA começou em Kinshasa na década de 1920

 

Pandemia de SIDA começou em Kinshasa na década de 1920

 

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@ BBC

A origem da pandemia de SIDA foi seguida até à década de 20 na cidade de Kinshasa, no que é actualmente a Republica Democrática do Congo, dizem os cientistas. A equipa internacional considera que uma "tempestade perfeita" de crescimento populacional, sexo e caminhos de ferro potenciaram a propagação do vírus.

Foi um verdadeiro feito de arqueologia viral encontrar a origem da pandemia, relata a equipa na revista Science. Foram usadas amostras arquivadas do código genético do  para o seguir até à fonte, com as evidências a apontarem para Kinshasa.

O seu artigo refere que um florescente mercado de sexo, rápido crescimento populacional e agulhas não esterilizadas usadas em clínicas de prestação de cuidados de saúde provavelmente ajudaram a propagar o vírus. Simultaneamente, os caminhos de ferro apoiados pela Bélgica permitiam a circulação de um milhão de pessoas através da cidade todos os anos, que depois levavam o vírus para as regiões vizinhas.

O HIV captou a atenção global na década de 80 e já infectou perto de 75 milhões de pessoas. Tem uma história muito mais longa em África mas exactamente onde teria começado a pandemia continuava a ser fonte de debate aceso.

Uma equipa de investigadores das Universidades de Oxford e Leuven tentou reconstruir a árvore genealógica do HIV e descobriu de onde provinham os seus ancestrais mais antigos através da análise de mutações no código genético do vírus.

"Conseguimos seguir as pegadas da história nos genomas actuais, deixaram um registo, uma marca de mutação no genoma do HIV que não pode ser erradicada", explica Oliver Pybus, da Universidade de Oxford.

O HIV é uma versão mutada de um vírus de chimpanzés conhecido por vírus da imunodeficiência símia, que provavelmente deu o salto entre espécies através do contacto com sangue infectado durante o manuseio de carne selvagem. 

Este salto foi dado várias vezes: um desses eventos originou o HIV-1 subgrupo O, que infecta dezenas de milhar de pessoas nos Camarões, mas apenas um dos saltos, o HIV-1 subgrupo M, foi capaz de infectar milhões de pessoas em todos os países do mundo.

A razão por trás desta capacidade pode ser encontrada numa época de declínio dos impérios europeus em África. Na década de 1920, Kinshasa (conhecida por Leopoldville até 1966) fazia parte do Congo belga e era uma grande cidade em crescimento rápido. "Os registos médicos coloniais mostram uma incidência muito elevada de várias doenças sexualmente transmissíveis", diz Pybus.

Grande número de trabalhadores masculinos eram atraídos para a cidade, distorcendo o equilíbrio de géneros de tal forma que chegou a haver dois homens para cada mulher, o que originou um comércio sexual rompante.

"Dois aspectos da infra-estrutura local teriam ajudado: as campanhas de saúde pública para o tratamento das diversas doenças infecciosas com injecções parecem ser uma rota plausível para a propagação do vírus e o segundo aspecto mesmo interessante é a rede de transporte que permitia às pessoas deslocarem-se facilmente num país enorme", diz Pybus.

 

No final da década de 1940 perto de um milhão de pessoas usava os caminhos de ferro de Kinshasa, levando à rápida propagação do vírus e zonas vizinhas, como a cidade de Brazzaville e a província mineira de Katanga, foram fortemente atingidas.

Essas condições de "tempestade perfeita" duraram apenas algumas décadas em Kinshasa mas quando terminaram o vírus já estava a espalhar-se por todo o mundo.

Jonathan Ball, da Universidade de Nottingham, considerou o trabalho "um fascinante vislumbre das primeiras fases da pandemia de HIV-1". "São os suspeitos do costume a provavelmente ter ajudado o vírus a ganhar tracção no Homem, as viagens, crescimento populacional e as práticas humanas de prostituição e intervenções de saúde não seguras. Talvez a sugestão mais polémica seja que a propagação dos vírus do grupo M tenha tido mais a ver com o facto de estes vírus serem melhor adaptados à transmissão e crescimento no Homem. Tenho a certeza que esta ideia vai desencadear um debate aceso e interessante no campo."

Andrew Freedman, perito em doenças infecciosas na Universidade de Cardiff, comenta: "Realmente parece um estudo muito interessante que demonstra de forma muito elegante a propagação do HIV na região do Congo muito antes da epidemia de SIDA ter sido reconhecida como tal na década de 80-"

"Já se sabia que o HIV tinha surgido através de transmissão entre espécies de chimpanzés nessa zona de África mas este estudo mapeia com grande detalhe a propagação do vírus desde Kinshasa, o que foi fascinante de ler."

 

 

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