2014-10-02

Subject: Surto de ébola bloqueia esforços para controlar malária

 

Surto de ébola bloqueia esforços para controlar malária

 

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@ Nature/Pascal Guyot/AFP/Getty

À medida que o número de mortes causadas pelo ébola se espalha para os milhares na África ocidental, o surto pode ter um efeito por arrasto sobre a doença mais mortífera da região: o surto virtualmente encerrou os esforços para controlar a malária na Libéria, Serra Leoa e Guiné, fazendo temer que os casos da doença transmitida por mosquitos comecem a aumentar, se tal não está a acontecer.

Até agora, pelo menos 3 mil pessoas terão morrido de ébola na Guiné, Serra Leoa e Libéria, ainda que a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheça que os números oficiais estão muito abaixo do total. Por sua vez, a malária matou mais de 6300 pessoas nestes mesmos países em 2012, a maioria dos quais crianças pequenas.

No total, as mortes por malária caíram cerca de 30% desde 2000 em África, graças aos programas nacionais apoiados por agências internacionais como o O Fundo Global de Combate à SIDA, Tuberculose e Malária, a Agência para o Desenvolvimento Internacional e a Iniciativa contra a Malária da OMS. Os esquemas distribuem redes mosquiteiras gratuitas para proteger as crianças dos mosquitos durante o sono, treinam pessoal de saúde para detectarem casos de malária e fornecem testes e tratamento gratuitos aos pacientes.

Mas o surto de ébola deixou estes esforços parados nos 3 países afectados: "Ninguém está a fazer nada", diz Thomas Teuscher, director executivo da Parceria contra a Malária, sedeada em Genebra, Suíça.

Ele refere que os medicamentos contra a malária estão parados nos armazéns governamentais, especialmente na Libéria e na Guiné, onde os transportes de medicamentos foram atacados por pessoas revoltadas com a forma como o governo tem lidado com o surto de ébola. A Libéria tinha planeado uma campanha nacional para distribuir redes mosquiteiras este ano mas Teuscher diz que pode ser difícil faze-lo agora.

Os cuidados de saúde de rotina colapsaram durante o surto pois tanto pacientes e fornecedores evitaram as clínicas por medo da infecção. Em resultado, dezenas de milhar de pessoas podem morrer de causas tratáveis, diz Estrella Lasry, especialista em medicina tropical para os Médicos sem Fronteiras de Nova Iorque. Essas causas incluem complicações no parto, trauma e outras condições agudas que exijam cirurgia, bem como doenças diarreicas, viroses respiratórias e, especialmente, malária. Com tratamento adequado, geralmente a malária pode ser curada completamente mas se deixada sem tratamento pode tornar-se grave e mesmo fatal.

“É um desastre de todas as formas possíveis”, diz Lasry. “O impacto na saúde pública será enorme."

Até Agosto a OMS não tinha detectado um aumento de pessoas com sintomas de malária declaradas nas clínicas da Guiné, o único país afectado pelo ébola onde havia dados disponíveis. De facto, as mortes por malária diminuíram nas clínicas guineenses na primeira metade do ano, quando comparadas com 2013. Mas isso não é necessariamente uma boa notícia, diz Teuscher, pode significar que as pessoas mais doentes estão a manter-se longe das clínicas, assustadas com o ébola, e as suas mortes passaram despercebidas.

 

Pior, os sintomas da malária são semelhantes aos do ébola, logo muitas pessoas com malária estão a evitar as clínicas por temerem ter más notícias, diz Alice Johnson, enfermeira e mentora clínica da Last Mile Health, uma organização de Boston, Massachusetts, que treina pessoal de saúde na Libéria rural.

O impacto do ébola nos programas de malária deve prolongar-se muito após o fim do surto. Na Guiné, por exemplo, as autoridades enterram as vítimas de ébola com as suas redes mosquiteiras para impedir a propagação da infecção, o que levou a suspeitas de que as redes tinham alguma ligação ao ébola.

O pessoal de saúde tem receio de fazer testes sanguíneos para confirmar a malária porque o ébola se propaga através do sangue e fluidos corporais. Isso pode levar as pessoas que não têm malária a receber medicamentos para ela, o que pode contribuir para o desenvolvimento de resistências no parasita que a causa.

É importante voltar a activar os programas de controlo da malária, diz Teuscher, em parte porque eles podem ajudar a combater o ébola. Por exemplo, na Serra Leoa cerca de 2 mil trabalhadores de saúde foram treinados para ir às aldeias para detectar e tratar a malária mas também podem ser treinados para detectar o ébola e ajudar os infectados a ter tratamento, diz ele.

“Potencialmente, temos um exército de pessoas disponíveis nestes países com experiência no tratamento de malária", diz Teuscher. “Elas continuam lá, só precisam de ser ajudados a fazer um bom trabalho."

 

 

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