2014-09-29

Subject: Química forense pode ajudar a acabar com ladrões de plantas em África

 

Química forense pode ajudar a acabar com ladrões de plantas em África

 

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@ Nature/Hoberman Collection/UIG/Getty Images

Uma terra calcinada recebe os visitantes no Jardim Botânico Nacional Kirstenbosch na Cidade do Cabo, onde algumas das plantas mais raras da África do Sul em tempos estiveram. A 24 de Agosto, 24 das cicas do parque foram roubadas, provavelmente para serem vendidas no mercado negro do paisagismo.

Agora, numa última tentativa de salvar algumas das espécies mais ameaçadas da extinção, os cientistas estão a virar-se para os métodos forenses para ver se seguir a história das plantas suspeitas pode ajudar a levar os comerciantes ilegais à justiça. Mas o tempo escasseia para as plantas, que estão ainda mais ameaçadas que os emblemáticos rinocerontes do país.

As cicas endémicas da África do Sul, cujo aspecto faz lembrar uma mistura de palmeira e ananazeiro, estão entre as plantas mais ameaçadas do mundo. Das 38 espécies de cicas sul-africanas, três já se extinguiram na natureza e 12 outras estão criticamente ameaçadas. As cicas crescem lentamente e podem viver centenas de anos.

A sua aparência característica e raridade tornam-nas valiosos objectos de colecção, com as plantas a atingirem dezenas de milhares de dólares. Este potencial de lucro está a alimentar a sua recolha ilegal, ainda que os prevaricadores enfrentem até 10 anos de cadeia, se forem apanhados.

As tentativas para impedir a recolha ilegal têm falhado sucessivamente, especialmente na natureza: marcadores de microchip inseridos nas plantas foram detectados pelos ladrões armados com máquinas de raios X e removidos, por exemplo. Um método com um pouco mais de sucesso foi micro-pulverizar as plantas com tinta, que deposita minúsculas etiquetas de identificação invisíveis a olho nu. No entanto, nem sempre é possível marcar todas as plantas de uma colecção, o que fará na natureza.

O novo método, desenvolvido pelos cientistas da Universidade da Cidade do Cabo e do Instituto Nacional de Biodiversidade da África do Sul em Pretória, contorna este problema usando a própria química da planta. Baseia-se na análise de isótopos estáveis, um método vulgar na ciência forense, para detectar onde a planta viveu.

Na natureza, a abundância relativa dos isótopos dos elementos químicos varia de local para local e, à medida que os seres crescem, são absorvidos para a construção das suas moléculas, tornando estes isótopos verdadeiras assinaturas incorporadas.

A análise dos isótopos estáveis tem ajudado a identificar a origem do marfim contrabandeado, dinheiro falso e até de drogas mas a sua adequação à identificação das cicas era desconhecida, algo que o botânico Adam West quis mudar.

 

Ele e a sua equipa retiraram amostras de duas espécies de cicas, Encephalartos lebomboensis e Encephalartos arenarius. Analisaram plantas que sabiam terem sido deslocadas e compararam as suas assinaturas isotópicas com as de plantas selvagens, tendo descoberto que é possível distinguir as plantas que tinham sido deslocadas. Os seus resultados, que devem ser publicados em Novembro na revista Journal of Forensic Sciences, sugerem que o método  consegue seguir a deslocação de uma planta, mesmo que esta tenha sido feita há décadas.

West está actualmente a testar amostras de rusgas policiais de plantas suspeitas, para verificar se os seus isótopos são consistentes com a história que o seu dono conta ou com uma origem selvagem.

Ele espera que este método possa deter os comerciantes ilegais: “Mesmo se obtiveste a tua cica da natureza há 30 anos, nós ainda seremos capazes de o identificar”, diz ele. O próximo passo é criar uma biblioteca de cicas selvagens, acrescenta ele. Isso irá fornecer uma referência das impressões digitais químicas contra a qual as plantas suspeitas podem ser comparadas.

Jason Sampson, curador do Jardim Botânico Manie van der Schijff em Pretória, considera a análise isotópica “um trabalho elegante". Ele espera que faça a diferença nos esforços anti-recolha ilegal. No entanto, também considera que é necessário fazer mais para conter a procura de cicas raras, acelerando os programas de reprodução em cativeiro.

Mas West recorda que são precisos anos para propagar as cicas e que algumas espécies não os têm: “Na natureza, as espécies estão a extinguir-se à escala de dias, semanas ou meses, não anos ou décadas. Estamos a perder esta batalha."

 

 

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