2014-09-28

Subject: Cimeira climática das Nações Unidas cheia de entusiasmo

 

Cimeira climática das Nações Unidas cheia de entusiasmo

 

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@ Nature/Andrew Burton/Getty Images

Desde o início que teve mais intenção de propagar o entusiasmo por uma causa do que fazer promessas firmes e, nessa frente, a cimeira climática de 23 de Setembro cumpriu a sua função. Realizada em Nova Iorque, atraiu um leque de líderes mundiais, activistas e celebridades, que expressaram fortes preocupações sobre os efeitos que as alterações climáticas não mitigadas terão sobre a riqueza e a segurança das futuras gerações de ecossistemas vulneráveis.

Outros, no entanto, continuaram a afirmar que o mundo ainda está a fazer muito pouco para evitar as emissões de gases de efeito de estufa, que se estão a acumular a uma taxa que muito em breve irá causar severas perturbações climáticas.

O próximo desafio será assegurar que o entusiasmo gerado no encontro se traduza em compromissos firmes quando chegar o momento da crucial ronda de conversações climáticas das Nações Unidas. O objectivo do encontro, agendado para Dezembro de 2015 em Paris, será chegar acordo sobre um sucessor mais ambicioso para o Protocolo de Kyoto de 1997, parte do qual já expirou e o mais emissor, os Estados Unidos, nunca o ratificou. Ainda que o acordo de Paris seja menos restritivo, a ideia é incluir mais países e fazer cortes maiores nas emissões.

O encontro de Nova Iorque pretendia reunir apoios antes de Paris: “O objectivo fundamental não era negociar um acordo mas simplesmente fornecer apoio e encorajamento para o processo negocial”, diz Robert Stavins, economista ambiental na Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, que preside ao Projecto Harvard de Acordos Climáticos. “A presença de, e as declarações positivas de, mais de uma centena de chefes de estado mais do que atingiram esse objectivo.”

O presidente americano Barack Obama foi uma das maiores estrelas da cimeira: "Somos a primeira geração a sentir os efeitos das alterações climáticas e a última geração que pode fazer alguma coisa sobre isso", disse ele no seu discurso.

No seguimento de um primeiro mandato que pouco alcançou na frente das alterações climáticas, Obama tinha prometido após a sua reeleição em 2012 tornar este tema uma prioridade e, em Junho, a sua administração anunciou regulamentações sobre CO2 para todas centrais eléctricas americanas. Entretanto, a China, actualmente o maior emissor de CO2 e muito preocupado com o agravamento da poluição do ar, lançou esquemas de mercado dirigidos à redução das emissões e está a investir fortemente em tecnologias de energia limpa.

O encontro de Nova Iorque produziu alguns compromissos. A China referiu que irá cortar em 45% a intensidade de carbono (a quantidade de emissões por unidade de produção económica) da sua economia em crescimento rápido. No entanto, peritos dizem que a meta da China pode parecer mais ambiciosa do que realmente é dado que a intensidade energética tende a reduzir-se naturalmente nas economias maduras.

Os países ricos também prometeram ajudar a mobilizar dinheiros públicos e privados para financiar o desenvolvimento de energias limpas nos países em desenvolvimento e ajudar os países pobres a adaptar-se às alterações climáticas. Até 2020, a Fundação Green Climate, criada em 2011 pelas Nações Unidas, deverá canalizar US$100 mil milhões por ano para tecnologias de baixas emissões e desenvolvimento resistente ao clima.

“Os líderes mundiais parecem aceitar agora que as alterações climáticas são uma ameaça severa e que os cortes nas emissões não são necessariamente inimigas do crescimento económico”, diz Glen Peters, perito em política climática no Centro Internacional do Clima e de Investigação Ambiental em Oslo.

 

No entanto, é preciso fazer mais, diz ele: “Nada do que foi anunciado na cimeira nos levará a uma hipótese razoável de limitar o aquecimento global a níveis seguros.”

De acordo com os dados de emissões de gases de efeito de estufa publicados imediatamente antes da cimeira, o mundo substancialmente na rota para ultrapassar o limite de 2ºC (acima das temperaturas pré-industriais) que é generalizadamente aceite como o limiar para as alterações climáticas perigosas. Para termos 66% de hipóteses de evitar atingir esse limiar crítico, os países colectivamente evitar emitir mais de 1,2 mil milhões de toneladas de CO2 de 2015 em diante, muito menos do que o volume das reservas de combustíveis fósseis conhecidas.

No seu conjunto, as emissões precisam de diminuir a uma taxa anual média de 5% ao longo das próximas décadas para estabilizar o clima. De facto, as emissões globais estão actualmente a subir cerca de 2,5% ao ano e espera-se que atinjam um recorde de 37 mil milhões de toneladas em 2014. A essa taxa, o que resta do orçamento de carbono será explorado em menos de 30 anos.

“O desafio é claro mas as declarações políticas na cimeira não tiveram nem detalhe, nem ambição”, diz Malte Meinshausen, cientista climático no Instituto Potsdam de Investigação do Impacto Climático na Alemanha. Não é claro, por exemplo, quem fará os compromissos nacionais no proposto acordo de Paris, que provavelmente apenas terá força legal limitada e dependerá de os países sugerirem as suas próprias metas de emissões, que será revisto e aplicado.

O facto de os compromissos feitos até agora não serem suficientes para limitar o aumento da temperatura média global a 2 ºC é “uma pena mas não é o mais importante", discorda Stavins.

“Os países participantes na negociação estão a fazer progresso em direcção a um novo acordo híbrido que se aplicará a todos os países no contexto de um quadro comum”, diz ele. “Isto é de uma importância excepcional e é por isso que acredito que a probabilidade de alcançar um acordo significativo é melhor agora do que desde há 20 anos. “

 

 

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