2014-09-24

Subject: Simulação climática duplica idade do Saara

 

Simulação climática duplica idade do Saara

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature

A desertificação do norte de África pode ter começado há 7 milhões de anos, ou seja, há mais do dobro do tempo que as estimativas anteriores da idade do Saara, sugerem simulações climáticas. As descobertas também indiciam que esta alteração climática pode ter sido desencadeada pela gradual redução do mar de Tétis, o predecessor do actual Mediterrâneo.

As areias do Saara podem parecer eternas mas a maioria dos dados geológicos sugerem que o maior deserto não polar do mundo se formou há 2 a 3 milhões de anos, mais ou menos ao mesmo tempo que os ciclos de idades do gelo começaram a afligir o hemisfério norte.

Ainda assim, os cientistas revelaram pistas de que o Saara pode ser muito mais velho do que os 3 milhões de anos, diz Zhongshi Zhang, paleoclimatólogo no Centro Bjerknes de Investigação Climática em Bergen, Noruega e co-autor deste último estudo, publicado na revista Nature. Há quase uma década, salienta ele, uma equipa de investigadores relatou evidências de depósitos dunares que se estimava terem 7 milhões de anos, no norte do Chade.

Outras análises, incluindo variações a longo prazo da quantidade de poeira e pólen nos sedimentos retirados do fundo do mar ao largo do norte de África, relatam longos períodos de secura na região, que tiveram início há cerca de 8 milhões de anos.

Mas até agora não era claro o que poderia ter desencadeado a aridez, diz Zhang. Não ocorreram episódios de formação de montanhas que  pudessem ter influenciado do clima da região, salienta ele, nem as simulações climáticas a longo prazo da sua equipa sugerem alterações a longo prazo na órbita da Terra ou nas concentrações atmosféricas de dióxido de carbono que pudessem ser as culpadas.

Pelo contrário, a análise indicia um rearranjo gradual das  massas terrestres e, em particular, o fecho do antigo mar de Tétis à medida que a placa africana se deslocava para norte em direcção à placa eurasiática, que desencadeou uma alteração nos padrões climáticos.

As simulações mostraram que o fecho do mar de Tétis, bem como a elevação da península Ibérica, que substituiu uma vasta área de oceano ao largo da costa africana há 7 a 11 milhões de anos, enfraqueceram a monção de Verão em África. Quando esses ventos de oeste enfraqueceram, o fluxo de humidade do Atlântico tropical que antes atravessava o norte de África desviou-se para sul. Antes da elevação da península Arábica o norte de África tinha um clima semi-árido mais húmido, relatam os investigadores.

 

Stefan Kröpelin, geólogo na Universidade de Colónia, Alemanha, considera o modela interessante mas “é essencialmente especulação numérica baseada em praticamente nenhuma evidência geológica". Em particular, diz ele, pouco se sabe sobre a dimensão e geologia do mar de Tétis: “Nada que possamos encontrar no Saara tem mais de 500 mil anos e me termos do seu clima até o nosso conhecimento sobre o últimos 10 mil anos está cheio de falhas."

O norte de África provavelmente terá assistido a uma sucessão de fases mais secas e mais húmidas em alternância no seu passado distante, diz Kröpelin. Mas as evidências disponíveis sugerem que o Saara como o conhecemos não existia antes da glaciação no hemisfério norte ter começado, há cerca de 3 milhões de anos, diz ele.

Mathieu Schuster, sedimentologista na Universidade de Estrasburgo, França, e co-autor deste último trabalho, discorda. Apesar de ser verdade que pouco se sabe sobre a geologia antiga da região, diz ele, o estudo de 2006 no Chade (em que Schuster também foi co-autor), bem como os que relatam aumento de pó e pólen nos sedimentos, continham “fortes evidências que apoiam as nossas novas descobertas”.

 

 

Saber mais:

Qualidade do ar vai deteriorar-se com aquecimento global

Clima de África relacionado com o hemisfério norte

Alterações na precipitação associadas às actividades humanas

Animais fortemente atingidos por alterações climáticas

Episódios de clima extremo associados a alterações climáticas?

Nova esperança no controlo das pragas de gafanhotos

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com