2014-09-22

Subject: População mundial não deve parar de crescer neste século

 

População mundial não deve parar de crescer neste século

 

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@ Nature

Muitos países africanos estão a fugir a uma tendência mundial de ter menos bebés e irão continuar a crescer ao longo do século XXI, sugere um estudo. Os autores dizem que a população mundial pode atingir os 12 mil milhões, contradizendo previsões anteriores de que atingiria o seu máximo nos 10 mil milhões por volta de meados do século.

Apesar de actualmente África ter uma população inferior à da índia, no final do século terá praticamente apanhado a Ásia como o continente mais populoso, relatam os investigadores na última edição da revista Science.

Na maior parte da Ásia, Europa e Américas as taxas de fertilidade (o número médio de crianças a que uma mulher dá à luz ao longo da sua vida) caiu nas últimas décadas para 1,5 a 2. Os países envelhecidos, como a Alemanha, Portugal ou Japão, estão a enfrentar sérios desafios económicos e sociais à medida que as despesas com pensões e cuidados de saúde devoram uma proporção cada vez maior dos seus fundos. As baixas taxas de nascimento estão a começar a ser uma preocupação até em países que até há pouco tempo tinham taxas de fertilidade elevadas, como a Turquia ou o Irão.

Muitos demógrafos esperavam que tendências semelhantes surgissem em África mas a taxa de fertilidade na África subsaariana continua a ser 4,6, em parte devido à falta de acesso a contraceptivos.

Ainda assim, um estudo de 2001 revelou uma probabilidade de 85% de que a população mundial atingisse o seu máximo antes do final do século e iniciasse mesmo uma descida lenta.

Mais recentemente, projecções da população mundial feitas pelas Nações Unidas criaram um leque grande de cenários. Estes incluem uma projecção média baseada na actual e esperada taxa de fertilidade global e estimativas mais elevadas e mais baixas, que têm em conta a incerteza na taxa de fertilidade acrescentando ou subtraindo 'meia criança' por mulher.

As projecções resultantes tinham uma amplitude enorme, de 7 mil milhões a mais de 16 mil milhões de pessoas até 2100, no mais recente World Population Prospects, publicado em 2012. Mais, diz Patrick Gerland, demógrafo na divisão da população das Nações Unidas em Nova Iorque e autor principal do novo estudo, e ainda que essa abordagem tenha sido útil para fazer as perguntas 'e se', não permitiu aos investigadores quantificar a probabilidade dos diferentes resultados.

O último estudo empregou uma abordagem estatística. Os autores começaram com os dados da ONU publicados este ano e que especificam várias décadas de taxas de fertilidade por país, em vez de apenas apresentar médias global. Seguidamente extrapolaram estas taxas locais para o futuro.

“Os cenários alto e baixo tradicionais da ONU aumentaram certamente a incerteza sobre a dinâmica da população global”, diz Adrian Raftery, estatístico na Universidade de Washington em Seattle e um dos co-autores do estudo. “Mas ainda permanece alguma incerteza em relação às futuras taxas de nascimento, particularmente em países com altas taxas de fertilidade no mundo em desenvolvimento."

Mas ter isso em conta faz diferença, dizem os autores do artigo na revista Science. Ainda que a taxa de fertilidade nos países desenvolvidos não se deva desviar muito dos 1,5–2 actuais, em alguns países africanos é muito menos previsível e pode variar entre menos de 3 até mais de 6. Mais, a população actual nos países em desenvolvimento é muito mais jovem do que a da maioria dos países desenvolvidos, logo a probabilidade de haver mais pessoas (e de estas terem filhos) durante mais tempo. 

 

Os autores calculam uma probabilidade de 80% de que a população mundial em 2100 esteja entre os 9.6  e os 12,3 mil milhões e uma probabilidade de 95% de estar entre os 9 e os 13,2 mil milhões. Também prevêem uma probabilidade de 70% de que a população continue a crescer a o longo do século.

O método usado no último estudo “é um avanço, sem dúvida", diz Wolfgang Lutz, que liderou o trabalho de 2001 que previa um pico a meados do século e é director do Programa da População Mundial no Instituto Internacional de Análise Aplicada de Sistemas em Laxenburg, Áustria. “Seria desejável que as abordagens probabilísticas se tornassem a regra nos estudos populacionais, como há muito já acontece na previsão meteorológica.”

Raftery projecta que a população africana irá pelo menos triplicar até 2100, alcançando 3,1 mil milhões ou mesmo os 5,7 mil milhões. A população da Nigéria, actualmente de 160 milhões de pessoas, pode subir aos 1,5 mil milhões e ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo, diz Raftery.

“Alguns ambientalistas podem sonhar com um mundo com apenas 8 mil milhões mas isso não vai acontecer”, diz Hans Rosling, perito em saúde pública no Instituto Karolinska de Estocolmo. “Temos que fazer planos para pelo menos 11 mil milhões de pessoas e temos que agir adequadamente: a luta contra a pobreza, a educação e os contraceptivos para quem não os tem são as medidas mais eficazes para controlar o crescimento populacional.”

Acabar com a pobreza extrema vai tornar o planeamento familiar mais aceitável em todas as culturas, diz Rosling. “Não há necessidade de falar de uma bomba populacional, se derem às famílias pobres uma vida decente, o rápido crescimento populacional acabará rapidamente."

 

 

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