2014-09-18

Subject: Substitutos do açúcar associados a obesidade

 

Substitutos do açúcar associados a obesidade

 

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@ Nature/Bebeto Matthews/AP

Os adoçantes artificiais que são vulgarmente considerados uma forma de combater a obesidade e a diabetes podem, em parte, estar a contribuir para a epidemia global destas doenças.

Os substitutos do açúcar, como a sacarina, podem agravar estar perturbações metabólicas ao agir sobre as bactérias do intestino humano, de acordo com um estudo publicado esta semana na revista Nature.

Estudos menores já tinham mostrado uma associação entre a utilização de adoçantes artificiais e a ocorrência de perturbações metabólicas mas este é o primeiro trabalho a sugerir que os adoçantes podem estar a exacerbar as doenças metabólicas e que tal pode estar a acontecer através do microbioma intestinal. “É contra intuitivo, ninguém o esperava porque não ocorreu a ninguém olhar para isto", diz Martin Blaser, microbiólogo na Universidade de Nova Iorque.

As descobertas podem ser uma dor de cabeça para a indústria alimentar. Segundo a BCC Research, uma companhia de pesquisa de mercado de Wellesley, Massachusetts, o mercado dos adoçantes artificiais é florescente e as agências reguladoras (que controlam a segurança dos aditivos alimentares, onde se incluem os adoçantes artificiais), não assinalaram esta associação.

Em resposta a estas últimas descobertas, Stephen Pagani, porta-voz da Agência Europeia de Segurança Alimentar (AESA) em Parma, Itália, diz que, tal como o faz com todos os novos dados, a agência “irá decidir atempadamente se estes devem ser trazidos à atenção de um painel de peritos para revisão".

Uma equipa liderada por Eran Elinav, do Instituto Weizmann de Ciência em Rehovot, Israel, alimentou ratos com vários adoçantes (sacarina, sucralose e aspartame) e descobriu que após 11 semanas os animais apresentavam intolerância à glicose, um marcador de propensão para perturbações metabólicas.

Para simular a situação real de pessoas com risco variado de ter estas doenças, a equipa alimentou alguns ratos com uma dieta normal e outros com uma dieta rica em gorduras e adicionou à sua água glicose ou glicose e um dos adoçantes, a sacarina.

Os ratos alimentados com sacarina desenvolveram uma acentuada intolerância à glicose quando comparados com aqueles que foram apenas alimentados com glicose. Mas quando os animais receberam antibióticos para matar as bactérias intestinais, a intolerância à glicose foi evitada e quando os investigadores transplantaram fezes dos ratos alimentados com sacarina intolerantes à glicose para o intestino de ratos criados com intestinos estéreis, também estes últimos se tornaram intolerantes à glicose, indicando que a sacarina esta a tornar o microbioma pouco saudável.

  A equipa de Elinav também usou dados de um estudo clínico sobre nutrição em curso que recrutou perto de 400 pessoas em Israel. Os investigadores notaram uma correlação entre os sinais clínicos de perturbações metabólicas, como aumento de peso ou redução na eficácia do metabolismo da glicose, e o consumo de adoçantes artificiais.

Mas "isto é um pouco como a galinha e o ovo", diz Elinav. “Se estamos a ganhar peso, temos maior probabilidade de nos virarmos para comida de dieta. Não significa necessariamente que a comida de dieta foi a causa do aumento de peso."

Por isso a sua equipa recrutou sete voluntários magros e saudáveis, que normalmente não usavam adoçantes artificiais, para um pequeno estudo de prospecção. Os recrutados consumiram a dose diária máxima aceitável de adoçantes artificiais durante uma semana e quatro tornaram-se intolerantes à glicose e os seus microbiomas intestinais sofreram uma alteração que se sabe estar associada à susceptibilidade a doenças metabólicas.

Os outros três pareceram ser resistentes aos efeitos da sacarina, "o que sublinha a importância da nutrição personalizada pois ninguém é igual a ninguém", diz Elinav.

Ele ainda não propõe um mecanismo para o efeito dos adoçantes artificiais sobre o microbioma mas, diz Blaser, compreender como estes compostos funcionam sobre algumas espécies do intestino pode “inspirar-nos a desenvolver novas abordagens terapêuticas às doenças metabólicas”.

Yolanda Sanz, nutricionista e vice-presidente do painel de produtos dietéticos, nutrição e alergias da AESA, considera ser demasiado cedo para tirar conclusões sólidas pois as doenças metabólicas têm muitas causas e o estudo é muito pequeno.

 

 

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