2014-09-17

Subject: Thriller de Hitchcock revela mente activa em homem em estado vegetativo

 

Thriller de Hitchcock revela mente activa em homem em estado vegetativo

 

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@ Nature/CBS Photo Archive/Getty Images

Uma dúzia de voluntários assistiram a um filme de Alfred Hitchcock em nome da ciência, enquanto deitados imóveis no interior de um scanner de ressonância magnética. Outro participante, um homem que está em estado vegetativo há 16 anos, mostrou uma actividade cerebral espantosamente semelhante à dos voluntários saudáveis, sugerindo que a trama do filme tinha tido impacto sobre ele. 

O estudo é publicado esta semana na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

O filme, um episódio de 1961 da série televisiva Alfred Hitchcock Apresenta condensado para durar apenas 8 minutos, é um estudo sobre suspense. Nele, uma criança de 5 anos brinca com um revólver carregado, que ela pensa ser um brinquedo, percorrendo a sua vizinhança suburbana gritando “bang” de cada vez que aponta a alguém e prime o gatilho.

Enquanto os participantes no estudo visionavam o filme, os investigadores monitorizavam a sua actividade cerebral através de imagens de ressonância magnética funcional (fMRI). Todos os 12 participantes saudáveis mostraram padrões de actividade semelhantes, particularmente em zonas do cérebro que já foram associadas à cognição superior (regiões frontal e parietal), bem como em regiões envolvidas no processamento de informação sensorial (córtex auditivo e visual).

Uma pessoa comportalmente não reactiva, uma mulher de 20 anos, revelou padrões de actividade cerebral apenas nas áreas sensoriais mas um homem com 34 anos, que tem estado em estado vegetativo desde os 18, apresentou padrões de actividade cerebral nas zonas executivas e sensoriais do cérebro semelhantes à das pessoas saudáveis.

“Na realidade não era distinguível de um participante saudáveis que estivesse a assistir ao filme”, diz Adrian Owen, neurocientista na Universidade do Ontário Ocidental em Londres, Canadá. 

O estudo “fornece as melhores evidências até agora de que a fMRI pode ser usada para identificar a consciência em pacientes vegetativos”, diz Russell Poldrack, neurocientista cognitivo na Universidade de Stanford na Califórnia, que não esteve envolvido no estudo.

Owen alcançou a fama em 2006 depois de ter relatado actividade cerebral consciente numa mulher de 23 anos em estado vegetativo. Apesar de a mulher permanecer não reactiva, quando os investigadores lhe pediram que imaginasse que estava a jogar ténis enquanto estava na fMRI, as áreas motoras do seu cérebro activaram-se da mesma forma que nas pessoas saudáveis. Usando testes parecidos, a equipa detectou padrões semelhantes a actividade consciente em cerca de uma em cada cinco pessoas consideradas em morte cerebral.

“Mas suspeitamos que esse número pode ainda maior", diz a neurocientista Lorina Naci, investigadora de pós-doutoramento no laboratório de Owen e que co-liderou o novo estudo.

Em esforços anteriores para detectar actividade cerebral em pacientes comportamentalmente não reactivos os participantes recebiam instruções muito específicas sobre aquilo em que tinham que pensar e quando mas a sua atenção podia perder-se enquanto estavam deitados no scanner. Naci pensou que mostrar-lhes filmes tornaria o teste mais simples; “É um estímulo que lhes chama à atenção naturalmente e é impossível não seguir, especialmente quando se trata de um filme apelativo de um mestre como Hitchcock”, diz ela.

 

Estudos de outros investigadores relataram padrões de actividade neural nos cérebros de pessoas saudáveis que assistiam a filmes como episódios da série de Hitchcock ou O bom, o mau e o feio de Sérgio Leone. Owen e Naci procuraram especificamente sinais neurais de pensamento concentrado.

“A razão porque Alfred Hitchcock é considerado um realizador tão fantástico neste contexto é que os seus filmes estão cheios de camadas de inferências e deduções", diz Owen. “Todas estas coisas exigem processamento executivo, algo que não se consegue inconscientemente.” Por exemplo, quando a criança do filme está prestes a disparar contra a sua mãe, os espectadores pensam quantas balas ela carregou na cena anterior.

Estas descobertas não significam que os participantes no estudo estavam a ter pensamentos idênticos durante o filme, diz Naci, apenas que alguns aspectos da experiência eram semelhantes. “As primeiras duas vezes que vi o filme, estava na ponta da cadeira e é o que pensamos que aconteceu com o paciente. Achamos que ele compreendeu e seguiu a história."

“Eu pensaria que actividade nestes sistemas é mais um marcador de um aspecto particular de experiência consciente” e não de consciência, diz Poldrack, que já anteriormente alertou para uma leitura excessiva dos dados da fMRI. “Os resultados parecem-me muito sólidos, tão sólidos como se poderia esperar para o estudo de um caso", diz ele.

No futuro ele gostaria de ver resultados de mais pessoas em estados não reactivos e provas de que alguns aspectos específicos do filme se relacionam com padrões de actividade cerebral semelhantes aos de pessoas saudáveis e vegetativas.

Owen diz que a equipa scanned muitas outras pessoas durante o visionamento do filme, incluindo muitas em estado vegetativo e espera que outros médicos adoptem o método. Mais, diz ele, a sua descoberta deve ajudar a melhorar a vida de pacientes incapazes de expressar os seus desejos.

Desde que o homem de 34 perdeu a consciência aos 18 anos após um assalto, o seu pai tem-no levado ao cinema todas as quartas-feiras. "O facto de podermos dizer que ele aprecia e compreende os filmes diz alguma coisa sobre a sua qualidade de vida", diz Owen. “São muitas quartas-feiras em 16 anos."

 
 

 

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