2014-09-12

Subject: Microrganismo vaginal fornece novo antibiótico

 

Microrganismo vaginal fornece novo antibiótico

 

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@ Nature/BSIP SA / Alamy

Bactérias que vivem no corpo humano contêm genes que provavelmente codificam um vasto leque de moléculas que poderão ser usadas como medicamentos, incluindo um novo antibiótico produzido por bactérias vaginais, relatam os investigadores na última edição da revista Cell.

O medicamento, baptizado lactocilina, indicia o imenso potencial por descobrir desta paisagem microscópica.

“Eles mostraram que há um enorme e diversificado potencial deste microbioma para a produção de moléculas antimicrobianas", diz Marc Ouellette, microbiólogo no Centro Hospitalar da Universidade de Laval (CHUL) no Quebec, Canadá, que não esteve envolvido na investigação.

Estudos têm sugerido que a composição dos nossos microbiomas tem enorme impacto sobre a nossa saúde mas tem sido difícil mostrar exactamente como tudo isto funciona.

Michael Fischbach, microbiólogo e químico na Universidade da Califórnia, San Francisco, liderou uma equipa que tinha como objectivo preencher todas estas lacunas. Os investigadores construíram uma máquina com um algoritmo de aprendizagem, treinando um programa de computador a reconhecer genes que á são conhecidos por produzir pequenas moléculas que podem funcionar como medicamentos. 

Seguidamente pediram ao programa que procurasse genes semelhantes no microbioma humano. A busca produziu milhares desses genes produtores de medicamentos nos microrganismos que vivem sobre e no interior do corpo. Alguns são semelhantes a medicamentos a ser testados clinicamente, como a classe de antibióticos conhecida por tiopeptidos.

“Era costume pensar-se que os medicamentos eram descobertos pelas companhias farmacêuticas e receitadas por médicos e finalmente chegavam a nós", diz Fischbach. “O que descobrimos aqui é que as bactérias que vivem sobre e no interior dos humanos estão no final da sequência, estão a produzir medicamentos directamente no nosso corpo."

A equipa de Fischbach purificou uma dessas moléculas: um tiopeptido produzido por uma bactéria que normalmente vive na vagina humana. Os investigadores descobriram que o medicamento pode matar os mesmos tipos de bactérias que outros tiopeptidos, por exemplo Staphylococcus aureus, que provocam infecções de pele. Os cientistas não demonstraram realmente que as bactérias vaginais humanas produzem o medicamento no corpo mas mostraram que quando cultivaram a bactéria ela o produziu.

Descobrir moléculas específicas como estas e estudar o que são capazes de fazer irá ajudar os investigadores a compreender de que forma o microbioma interage com o nosso corpo, diz o genomicista microbiano Derrick Fouts, do Instituto J. Craig Venter de Rockville, Maryland.

 

“Este é um óptimo exemplo do poder da bioinformática não só para identificar genes de interesse mas também para juntar cassettes de genes que aumentam a nossa compreensão fundamental de como as bactérias comensais mantêm um microbioma humano saudável”, diz Fouts.

Outros investigadores dizem que o artigo também demonstra de que forma o microbioma pode ser explorado em busca de novos medicamentos. Os cientistas há muito que defendem que o conjunto de microrganismos que vivem no corpo humano podem ser uma fonte rica deste tipo de medicamentos e muitas farmacêuticas estão a tentar capitalizar sobre isso e Fischbach é conselheiro de duas delas.

“Tanto quanto sei, este é o primeiro trabalho que isola novos compostos com forte potencial medicamentoso do microbioma humano", diz Rob Knight, ecologista microbiano na Universidade do Colorado, Boulder. “Este trabalho fornece uma plataforma entusiasmante para a exploração dos nossos microbiomas em busca de novos compostos com interesse médico.”

Um medicamento semelhante está em desenvolvimento pela Novartis mas Fischbach não planeia desenvolver o antibiótico que descobriu num medicamento. Em vez disso, ele quer descobrir novos tipos de molécula que sejam produzidos pelo microbioma. Estudar estas moléculas pode ajudar os investigadores a compreender de que forma o microbioma influencia a nossa susceptibilidade à doença, diz ele.

“As pessoas estão ansiosas por perceber o que fazem exactamente as bactérias benéficas”, diz Fischbach. “Ninguém tinha antecipado que tinham a capacidade de produzir diferentes tipos de medicamentos. Não acredito que isto seja a única coisa que fazem mas é algo importante.”

 

 

 

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