2014-09-08

Subject: Café e chá ganharam o poder estimulante por vias diferentes

 

Café e chá ganharam o poder estimulante por vias diferentes

 

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@ Nature/Dimas Ardian/Bloomberg/Getty Images

A capacidade estimulante do café é tão fantástica que evoluiu duas vezes: o genoma da planta do café foi agora publicado e revela que a planta produz cafeína através de um conjunto de genes diferente dos encontrados no chá, cacau e outras plantas estimulantes.

As plantas do café são cultivadas em mais de 11 milhões de hectares de terra, com mais de dois mil milhões de chávenas da bebida consumidas todos os dias. É produzida a partir dos frutos fermentados, torrados e moídos da Coffea canephora e da Coffea arabica, variedades da planta do café conhecidas vulgarmente por robusta e arábica, respectivamente.

Uma equipa internacional de cientistas identificou agora mais de 25 mil genes codificantes no genoma do café robusta. A espécie representa cerca de um terço do café produzido, muito dele para marcas de café instantâneo como a Nescafé. O arábica contém menos cafeína mas também é menos ácido e menos amargo, o que o torna mais saboroso para muitos apreciadores. No entanto, a espécie robusta foi seleccionada para sequenciação porque o seu genoma é mais simples que o do arábica.

A cafeína evoluiu muito antes de humanos privados de sono se viciarem nela, provavelmente como forma de defesa da planta do café contra predadores e outros benefícios (por exemplo, as folhas contêm os níveis mais elevados de cafeína de qualquer outra parte da planta e quando caem para o solo impedem o crescimento de outras plantas nas redondezas).

“A cafeína também cria habituação nos polinizadores e fá-los voltar uma e outra vez, algo que também conseguiu connosco", diz Victor Albert, perito em genómica na Universidade de Buffalo em Nova Iorque, que co-liderou o esforço de sequenciação. Os resultados da sua equipa foram publicados na última edição da revista Science.

Quando a equipa procurou famílias de genes que distinguissem as plantas do café de outras, as responsáveis pela produção da cafeína lideraram a lista. Os genes codificam enzimas metiltransferases, que transformam a molécula da xantosina em cafeína ao acrescentar-lhe grupos metilo em três etapas.

 

Já o chá e o cacau, por sua vez, produzem cafeína usando metiltransferases diferentes das identificadas pela equipa no robusta. Isto sugere que a capacidade de produzir cafeína evoluiu pelo menos duas vezes, no ancestral das plantas do café e no ancestral do chá e do cacau, diz Albert.

O genoma pode ser usado para identificar genes que ajudem a planta a combater doenças, como a ferrugem do café, e a lidar com as alterações climáticas.

Os genes produtores de cafeína também podem ser inactivados para criar um descafeínado mais saboroso. Um cultivar de café geneticamente modificado para não produzir cafeína pode ser um desenvolvimento bem-vindo para muitas pessoas que ficam demasiado afectadas por ela.

Actualmente o processo de remoção da cafeína envolve processamento químico e também afecta o sabor: “Tenho que fazer uma chávena todas as manhãs mas durante o dia não bebo mais porque fico a tremer", diz Albert.

 

 

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