2014-09-04

Subject: Organismos marinhos acrescentam novo ramo à árvore da vida

 

Organismos marinhos acrescentam novo ramo à árvore da vida

 

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@ Nature/Jørgen Olesen

Os cientistas identificaram dois animais marinhos em forma de cogumelo que não encaixam em nenhuma das categorias conhecidas que fazem parte da árvore da vida e podem mesmo estar relacionados com grupos que se pensavam extintos há 500 milhões de anos.

Jean Just, zoólogo no Museu de História Natural da Dinamarca em Copenhaga, descobriu 18 espécimes de invertebrados de aspecto estranho quando arrumava os materiais que tinha recolhido no mar da Tasmânia em 1986. Nessa expedição ele explorou o talude continental ao largo da costa sudoeste da Austrália usando um trenó que se arrasta sobre o fundo do mar, recolhendo os animais que aí vivem.

No estudo, que foi publicado na última edição da revista PLOS ONE, os investigadores relatam 14 espécimes, recolhidos a profundidades de 400 a mil metros, que não puderam ser classificados em nenhum dos principais filos conhecidos. Estes “pequenos animais em forma de cogumelos tão engraçados”, como Just lhes chama, são multicelulares, na sua maioria assimétricos (uma característica crucial para a classificação dos organismos) e têm uma camada gelatinosa entre as camadas interna e externa do corpo.

Os investigadores classificaram os organismos num novo género, Dendrogramma, numa referência aos dendrogramas usados na biologia para ilustrar as relações evolutivas entre os organismos. Os nomes das duas espécies, D. enigmatica e D. discoides, alude aos seu carácter misterioso e à forma de disco, respectivamente.

As amostras foram inicialmente fixadas em formaldeído e trazidas de volta ao laboratório, onde foram armazenadas durante algum tempo em álcool, prevendo a possibilidade de posterior extracção e análise de DNA para determinar as suas relações com outros organismos.

Ao microscópio as amostras mostram semelhanças morfológicas com dois grupos existentes, os cnidários e os ctenóforos, o que sugere que podem estar relacionados com um deles, apesar de não puderem ser classificados como nenhum deles.

“Seria incrivelmente excitante se os autores tivessem descoberto um grupo desconhecido de animais que divergiram há tanto tempo”, diz Casey Dunn, biólogo evolutivo na Universidade Brown em Providence, Rhode Island.

 

Os investigadores também descobriram semelhanças, como o mesmo tipo de padrão de ramificação e estruturas lobadas em redor da abertura oral, entre os Dendrogramma e um pequeno grupo de medusóides que viveu há 600 milhões de anos durante o período de Ediacara.

Tetyana Nosenko, bióloga evolutiva na Universidade Ludwig Maximilian em Munique, considera que “esta descoberta implica uma possibilidade excitante de que o mar profundo australiano tenha preservado os descendentes vivos dos organismos de Ediacara, que se pensavam extintos há mais de 500 milhões de anos.”

É frequente a descoberta de novas espécies, só a expedição australiana de 1984 forneceu 200 ou 300, mas encontrar uma que não encaixa no que se conhece da árvore da vida só aconteceu duas ou três vezes nos últimos 20 anos, diz Andreas Hejnol, biólogo do desenvolvimento do Centro Internacional Sars para a Biologia Molecular Marinha em Bergen, Noruega.

Hejnol diz que as linhagens animais que sobreviveram aos grandes eventos de extinção passados transportam importantes informações que ajudam os investigadores a reconstruir o curso da evolução. “Seguir uma nova linhagem é como descobrir um tesouro", diz ele.

Jean diz, rindo-se, que toda a gente lhe pergunta por que levou tanto tempo a classificar os animais: “Quando pensas que tens algo verdadeiramente extraordinário levas muito tempo a estudar, ler, consultas à esquerda e à direita, até te convenceres que tens mesmo algo especial", diz ele.

Dunn acrescenta que deve ser agora uma prioridade adquirir novos espécimes para análises anatómicas e genéticas mas Hejnol pensa que algum DNA pode ser recuperado das amostras existentes, com a tecnologia que permitiu aos investigadores sequenciar o genoma de Neanderthal, por exemplo: “Não tenho dúvida que a informação genética ainda lá está", diz ele. 

 

 

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