2014-09-03

Subject: El Niño abrandou mas deve ressurgir

 

El Niño abrandou mas deve ressurgir

 

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@ Nature/John M. Mabanglo/AFP/Getty Images

Quando Julia Baum tentou voar para um atol remoto no Pacífico chamado Kiritimati com uma pequena arca congeladora na bagagem, a companhia de aviação colocou objecções mas como Baum precisava de armazenar amostras das algas que estão na base do frágil ecossistema do recife de coral do atol, acabou por ceder.

Este ano Baum, bióloga marinha na Universidade de Victoria no Canadá, tem um incentivo acrescido para ir para o campo: o padrão climático conhecido por El Niño está em formação e ela pretende observar o que o aquecimento que traz às águas do Pacífico tropical fará às algas dos recifes de Kiritimati, parte da ilha-nação de Kiribati.

A sua será uma de muitas equipas a observar este potencial El Niño. Um crescente número de satélites, bóias ancoradas ou livres e veículos submarinos autónomos estão a seguir as alterações nas temperaturas oceânicas e nas condições atmosféricas. Estes dados são encaminhados para modelos climáticos que tentam prever a força e o momento do evento El Niño deste ano, pois o seu comportamento errático tem testado os peritos. Se os investigadores conseguirem prever estes eventos com precisão isso pode melhorar significativamente a sua compreensão do clima passado e futuro.

Os primeiros sinais do El Niño surgiram em Janeiro, quando os ventos leste para oeste que sopram pelos trópicos enfraqueceram subitamente e um sopro de ventos de oeste desencadeou uma lenta ascensão de águas quentes para o Pacífico equatorial oriental. Em 1997, condições semelhantes ajudaram a colocar em movimento um dos eventos El Niño mais fortes de que há registo, causando precipitação extrema nas costas ocidentais das Américas do Norte e do Sul e secas na Austrália e sudeste asiático, que resultaram em milhares de mortes e dezenas de milhares de milhões de dólares em danos.

A manutenção de um evento El Niño exige que o oceano e a atmosfera funcionem em conjunto. Normalmente, o aquecimento do Pacífico oriental que pressagia estes eventos fortalece os padrões de vento que empurram ainda mais águas quentes para leste mas este ano a atmosfera não desempenhou o seu papel. Em resultado, o oceano arrefeceu em Maio, Junho e Julho e o El Niño abrandou.

Anthony Barnston, que trabalha na previsão sazonal do clima na Universidade de Colúmbia em Nova Iorque, considera que os últimos dados mostram que os ventos de oeste estão a formar-se novamente, o que dá uma segunda oportunidade para o desenvolvimento de um evento El Niño desenvolvido. A sua equipa estima que haja uma probabilidade de 75% de que se forme um evento fraco a moderado até ao final do ano, um pouco mais tarde do que se esperava. As previsões estão de acordo com as feitas pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica americana (NOAA), que coloca as probabilidades em 65%.

Seja o que for que aconteça, os próximos meses serão um importante teste para a última geração de modelos de previsões sazonais. Os cientistas têm-se debatido com a interpretação das previsões extremamente divergentes fornecidas pelos modelos antes do El Niño de 1997–98, mas há mais optimismo desta vez. 

 

Quando o aquecimento do Pacífico oriental começou a abrandar neste Verão os últimos modelos, que têm maior resolução e usam computadores muito mais poderosos que os antecessores, previram que o El Niño iria abrandar no Verão e depois ressurgir. “Se não houver El Niño este ano ficamos com uma enorme mancha no desempenho dos modelos", diz Barnston.

Outros cientistas estão a tentar aprender o que podem sobre a ligação do El Niño a futuras alterações climáticas.

Os modelos climáticos discordam sobre se o aquecimento global irá alterar a força e a frequência dos eventos El Niño mas mesmo que o padrão geral dos eventos não se altere o aquecimento produzido por um dado El Niño num clima de forma geral mais quente pode gerar mais eventos climáticos extremos, diz Wenju Cai, perito climático no Centro de Investigação Marinha e Atmosférica da Organização de Investigação Científica e Industrial da Commonwealth em Aspen­dale, Austrália. “O mundo não está desperto para isso", diz Cai, cujos modelos sugerem que até ao final deste século os eventos El Niño podem duplicar de frequência em relação ao que aconteceu no século XX.

Já a equipa de Baum espera compreender melhor da história do El Niño analisando o conteúdo em oxigénio, salinidade e temperatura de amostras de água dos atóis de Kiritimati e Palmyra, territórios americanos separados por cerca de 680 km. Os investigadores vão usar os dados para ajudar a calibrar os registos do clima passado que estão preservados no coral fossilizado. Alterações nas razões de isótopos de oxigénio capturados em camadas de coral podem revelar alterações na temperatura do oceano, fornecendo um registo dos eventos El Niño com milhares de anos.

Uma coisa é certa, diz Michael McPhaden, oceanógrafo na NOAA em Seattle, Washington: seja como for que o evento El Niño deste ano decorra, vai influenciar a investigação durante vários anos. “Perceber a natureza e não ser tão surpreendido vai ser realmente importante.”

 

 

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