2014-09-02

Subject: Teste rápido para malária muito prometedor

 

Teste rápido para malária muito prometedor

 

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@ Nature/AFP/Getty Images

Um dispositivo que cabe numa mesa é capaz de diagnosticar uma infecção de malária ao detectar um sub-produto do crescimento do parasita no sangue. Se a técnica demonstrar ser capaz de ser usada no campo, pode detectar e ajudar no tratamento da malária em zonas remotas, onde o equipamento convencional de testes nem sempre está disponível.

A técnica standard para o diagnóstico da malária é procurar o Plasmodium falciparum, o parasita que provoca a doença, numa amostra do sangue do paciente ao observada ao microscópio. Este método exige um especialista treinado e está sujeita a erro humano. Outras técnicas de detecção disponíveis não são quantitativas e são dispendiosas ou pouco práticas de usar no campo, especialmente em países em desenvolvimento.

Jongyoon Han, bioengenheiro no Centro para a Investigação e Tecnologia da Aliança Singapura-MIT, concebeu um teste de diagnóstico que evita muitos destes problemas. O método, descrito num artigo publicado a 31 de Agosto na revista Nature Medicine, funciona com uma pequena gotícula (tão pequena como 10 microlitros) de sangue e pode fornecer um diagnóstico em alguns minutos. Para além disso, não depende da perícia de um técnico.

Quando o P. falciparum invade os glóbulos vermelhos e se alimenta do seu conteúdo degrada a hemoglobina em aminoácidos e grupo heme, um composto contendo ferro. O grupo heme livre é tóxico logo o parasita rapidamente o converte numa forma cristalizada insolúvel conhecida por hemozoína.

Os cristais de hemozoína comportam-se como pequenos ímanes", explica Han. Ele e a sua equipa usaram a técnica conhecida por relaxometria por ressonância magnética (RRM) para detectar o sinal magnético da hemozoína em amostras de sangue humano que infectaram com P. falciparum e em amostras de ratos infectados com Plasmodium berghei, um modelo animal da doença.

A RRM é um tipo de espectroscopia por ressonância magnética nuclear (RMN), um dos grandes cavalos de trabalho da análise química. Apesar das máquinas de RMN serem notoriamente grandes, nos últimos anos os investigadores reduziram-nas para dimensões de bancada. Outro passo importante em direcção a trazer esta tecnologia para o campo, diz Han, foi o facto de a sua equipa ter sido capaz de detectar a hemozoína directamente na amostra de sangue, sem necessidade de a processar primeiro em laboratório.

A RRM detecta o P. falciparum quando a sua concentração no sangue é de apenas dez células infectadas por microlitro, diz o co-autor do estudo Peter Preiser, parasitólogo na Universidade Técnica Nanyang em Singapura. A técnica microscópica convencional apenas consegue detectar o parasita em concentrações de 50 células por microlitro ou mais, o que é também quando os sintomas começam a surgir.

“O desempenho da técnica parece ser comparável, se não superior, à microscopia de rotina”, diz Richard Maude, epidemiologista da Universidade de Oxford, Reino Unido. No entanto, acrescenta ele, será necessário fazer uma ”avaliação rigorosa do seu desempenho em humanos" e uma comparação com outros testes.

“Será importante mostrar que isto pode ser feito com sangue obtido a partir de amostras clínicas em contextos de malária endémica”, onde a maioria dos pacientes estão no estádio em que os parasitas infectaram os glóbulos vermelhos, diz Carole Long, imunologista que estuda a malária no Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas em Bethesda, Maryland.

Stephan Karl, biomédico no Instituto de Investigação Médica Walter e Eliza Hall de Melbourne, Austrália, considera que o método parece prometedor mas alerta para o facto de a maioria das infecções não produzir quantidades significativas de hemozoína: “Quando olhamos mais de perto para os dados apresentados, é evidente que o método está longe de ser aplicável de forma fiável no diagnóstico de campo da malária", diz ele.

Han concorda que há questões a resolver antes de a técnica puder ser aplicada a amostras de pacientes reais mas diz que já está a trabalhar em formas de as ultrapassar. Em particular, precisam de compreender de que forma a resposta do sangue de diferentes pessoas pode variar de acordo com factores como a genética e a dieta.

 

 

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