2014-09-01

Subject: Explicadas 'pedras errantes' do Vale da Morte

 

Explicadas 'pedras errantes' do Vale da Morte

 

Dificuldades em visualizar este e-mail? Consulte-o online!

Newsletter não segue Acordo Ortográfico

@ Nature/Dennis Flaherty/Alamy

Pondo fim a uma especulação geológica com meio século de vida, os cientistas conseguiram finalmente observar o processo que provoca o movimentos de rochas sobre o chamado Racetrack Playa, o leito seco de um lago no deserto nas montanhas sobre o Vale da Morte na Califórnia: os investigadores viram a formação de geada sobre a playa, seguida da sua quebra em finas camadas de gelo que, empurradas pelo vento, deslocaram as rochas através do leito do lago.

Até agora, ninguém tinha sido capaz de explicar porque razão centenas de rochas se moviam sem ninguém ver através da superfície da playa, deixando trilhos atrás de si como crianças que arrastassem paus pela lama.

“É um prazer estar envolvido na resolução deste tipo de mistério público”, diz Richard Norris, oceanógrafo na Instituição Scripps de Oceanografia em La Jolla, Califórnia, que liderou a pesquisa com o seu primo James Norris, engenheiro na Interwoof de Santa Barbara, Califórnia. O trabalho foi publicado na edição de 27 de Agosto da revista PLoS ONE.

Os geólogos já antes tinham especulado que algum tipo de combinação entre vento, chuva e gelo teria um papel no movimento das pedras errantes mas poucos esperavam que a resposta envolvesse gelo tão fino como o vidro das janelas, empurrado por brisas ligeiras e não por vendavais.

Os visitantes do Vale da Morte têm que se desviar do caminho para visitar a Racetrack Playa, localizada 1130 metros acima do nível do mar a três horas de acidentada viagem da cidade mais próxima. Os investigadores começaram a estudar a região em 2011, estabelecendo uma estação meteorológica e câmaras time-lapse, ao mesmo tempo que colocavam rochas com localizadores GPS. As rochas estavam equipadas de maneira a começar a registar a sua posição e velocidade assim que algo as fizesse deslocar.

O que não era claro era quanto tempo os Norris tinham que esperar. Ralph Lorenz, um planetólogo no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, estudava a playa desde 2007 como uma analogia do leito de lagos noutros planetas. Ele tinha pouca esperança que as rochas equipadas com GPS se deslocassem num intervalo de tempo que pudesse ser capturado: “Sempre pensei que ia ser a experiência mais chata da história da ciência", diz ele.

Mas quando os investigadores viajaram para a playa em Dezembro de Dezembro de 2013 para verificar os instrumentos e mudar as baterias, descobriram uma enorme poça de gelo incrustado que cobria cerca de um terço da playa de 4,5 km de comprimento. 

Após acamparem por vários dias, decidiram sentar-se acima da extremidade sul da playa na manhã de 20 de Dezembro. “Estava um bonito dia cheio de sol e começaram a surgir zonas derretidas à nossa frente", recorda Richard Norris. “Às 11:37, de repente, ouviram-se uns estalidos por todo o lado à nossa frente e eu disse para o meu primo que tinha chegado a hora."

Estavam a olhar quando o gelo começou a deslocar-se para além das rochas, na sua maioria partindo-se mas também empurrando-as gentilmente. As rochas começaram a mover-se lentamente mas a uma velocidade demasiado lenta para seguir a olho nu.

Mas quando o gelo derreteu nessa tarde, conseguiram ver trilhos formados de fresco deixados por mais de 60 rochas que se deslocaram. A 9 de Janeiro, James Norris regressou à playa com Lorenz e conseguiu registar um vídeo das pedras errantes. “Isto muda tudo", diz Lorenz. “Não se trata apenas de relatos anedóticos mas temos fotografias do antes e do depois, bem como informação meteorológica simultânea.” No final do Inverno, as rochas mais velozes tinham-se deslocado 224 metros.

As rochas da Racetrack Playa raramente se deslocam, “talvez alguns minutos num milhão", diz Lorenz, e os dois eventos que os cientistas observaram, com as finas placas de gelo a empurrar as rochas através da playa molhada, não explicam necessariamente todas as circunstâncias do movimento das rochas no local. “Mas quebram a espinha do problema cientificamente", diz Lorenz. “São empurradas pelo gelo.”

Resolver o mistério da Racetrack Playa não é exactamente um avanço científico bombástico, diz Lorenz, mas o trabalho mostra que uma combinação rara de condições pode permitir que as rochas aparentemente se desloquem sozinhas. E este empurrão do gelo pode ter efeitos notáveis: em 1952 desenterrou um número suficiente de postes de linha telefónica num lago no Nevada para interromper a linha transcontinental.

Uma pessoa que está feliz de ver estes resultados é Dwight Carey. Enquanto estudante universitário na década de 1970, ele ajudou numa experiência em que duas rocha sforam colocadas num cercado na playa. Ao longo de um Inverno, uma rocha deslocou-se, sem ser observada, para fora do cercado, enquanto a outra não.

Esta nova explicação “faz sentido para mim", diz Carey, que é actualmente consultor de regulamentos ambientais em Brea, Califórnia. “Eventualmente terás força suficiente na pilha de gelo por detrás das rochas para as conseguir deslocar.”

 

 

Saber mais:

Asteróides criaram o caos na Terra primitiva

Deriva continental levou ao desenvolvimento de mamíferos de grande porte

Remoção do topo de montanhas danosa para cursos de água

Seguindo o destino do dióxido de carbono no subsolo

Diamantes revelam formas de vida mais antigas?

Fontes hidrotermais das profundidades produzem petróleo e gás

 

 

Facebook simbiotica.orgTwitter simbiotica.orgGoogle + simbiotica.orgFlikr simbiotica.orgYouTube simbiotica.org Pinterest simbiotica.org

 

Arquivo  |  Partilhar Comentar |   Busca Contacte-nos  |  Imprimir  |  Subscrever | @ simbiotica.org, 2014


Return to Archives

Newsletter service by YourWebApps.com