2014-08-31

Subject: Medicamento contra o ébola salva macacos infectados

 

Medicamento contra o ébola salva macacos infectados

 

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@ Nature/Ahmed Jallanzo/epa/Corbis

O ZMapp, o medicamento que foi usado para tratar sete pacientes durante o actual surto de ébola na África ocidental, consegue proteger completamente macacos contra o vírus, revela investigação agora conhecida.

O estudo, publicado online na revista Nature, surge no dia seguinte à Organização Mundial de Saúde (OMS) ter alertado para o facto de o surto de ébola, que já matou mais de 1500 pessoas, estar a agravar-se e poder infectar outras 20 mil pessoas antes de terminar. Um quinto país da África ocidental, o Senegal, relatou esta sexta-feira o seu primeiro caso.

Os peritos em saúde pública consideram que medidas comprovadas, como a distribuição de um maior número de prestadores de cuidados de saúde para as zonas afectadas, deveriam estar a ser o foco da resposta mas o ZMapp, produzido pela farmacêutica Mapp Pharmaceutical de San Diego, Califórnia, é um dos vários produtos não aprovados que a OMS considerou que podiam ser usados neste surto.

O medicamento, um cocktail de três imunoproteínas purificadas (anticorpos monoclonais) que têm o vírus do ébola como alvo, foi administrado a sete pessoas: dois americanos e três africanos prestadores de cuidados de saúde, uma enfermeira inglesa e um padre espanhol. 

Desde então, morreram o padre e um prestador de cuidados de saúde liberiano. Não há forma de dizer se o ZMapp foi eficaz nos pacientes que sobreviveram pois receberam o medicamento em momentos diferentes da sua infecção e receberam níveis diversos de cuidados de saúde.

No estudo, concebido e realizado em parte por cientistas da Mapp Pharmaceutical, 18 macacos receberam três doses do medicamento começando três, quatro e cinco dias após serem infectados com ébola. Todos os animais que receberam o medicamento sobreviveram, independentemente do momento de início do tratamento, enquanto os três macacos não tratados morreram.

A estirpe de ébola usada no estudo não é a mesma que está na origem do actual surto mas os investigadores mostraram que os anticorpos do ZMapp reconhecem a actual forma do vírus em culturas celulares e as partes do vírus reconhecidas pelo medicamento estão presentes na estirpe de ébola que causou o surto.

As descobertas tornam o ZMapp o primeiro medicamento a demonstrar ser altamente eficaz quando dado a macacos que já revelam sintomas de infecção, como febre e anormalidade nas proteínas de coagulação. Isso é importante pois, a não ser que se saiba que o paciente esteve exposto ao vírus, sintomas como a febre são os primeiros sinais de que está  infectado e precisa de tratamento.

Thomas Geisbert, virologista no ramo médico da Universidade do Texas em Galveston, estima os cinco dias de infecção em macacos sejam mais ou menos equivalentes aos 7 a 9 dias de infecção em humanos. As pessoas desenvolvem sintomas até aos 21 dias após contraírem ébola, apesar de geralmente os sinais surgirem entre os 8 e os 10 dias após a infecção.

Os autores do estudo dizem que o ZMapp funciona em estádios avançados da doença. O medicamento foi capaz de salvar um macaco que já tinha começado a sangrar por debaixo da pele em mais de 70% do corpo e outros macacos que tinham vírus em quantidade suficiente no sangue para causar sintomas severos em pessoas, diz o co-autor do estudo Gary Kobinger, investigador de doenças infecciosas na Agência de Saúde Pública do Canadá em Winnipeg. "Em humanos, a grande maioria está incapaz de andar ou mesmo de se sentar por esta altura e a maioria deles vai morrer no espaço de 24 horas", explica Kobinger.

Outro investigadores, no entanto, dizem que as descobertas devem ser analisadas com precaução, pois os macacos com ébola não são um análogo perfeito para humanos com a doença. “Não me parece que os dados apoiem a ideia de que este medicamento é eficaz, mesmo no modelo animal, em indivíduos com a doença em estado avançado", diz o médico de doenças infecciosas Charles Chiu, da Universidade da Califórnia, San Francisco.

Saber quando administrar o medicamento pode ajudar a guiar a sua utilização no futuro mas por agora a Mapp avisa que não há mais ZMapp disponível e não haverá durante muitos meses.

 

 

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