2014-08-30

Subject: Ébola sofre mutações com a mesma rapidez com que se propaga/Custo para controlar ébola dispara

 

Ébola sofre mutações com a mesma rapidez com que se propaga

 

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@ Nature/John Moore/Getty

A 24 de Maio Augustine Goba recebeu uma amostra de sangue de uma mulher grávida na Serra Leoa que tinha adoecido depois de assistir ao funeral de uma vítima do ébola na Guiné. Vinte e quatro horas depois os resultados vieram positivos. Goba, que dirige o laboratório de diagnóstico no hospital governamental Kenema na Serra Leoa, confirmou assim o primeiro caso de ébola no país.

Ele e os seus colegas descodificaram agora as sequências genéticas de 99 vírus ébola recolhidos de 78 pacientes durante os primeiros 24 dias da epidemia na Serra Leoa. O trabalho, publicado online na revista Science, pode ajudar a informar a concepção de diagnósticos, terapêuticas e vacinas, refere a bióloga estrutural Erica Ollmann Saphire, do Instituto Scripps de Investigação em La Jolla, Califórnia.

A pidemia de ébola na África ocidental já matou mais de 1500 pessoas, incluindo cinco dos co-autores de Goba do Kenema. O artigo é, por isso, dedicado à sua memória.

Os dados das sequências, que foram tornados públicos a 31 de Julho, constituem a maior colecção de informação genética sobre o ébola alguma vez publicada. Para a obter, o grupo recolheu sangue que sobrou de amostras tiradas para os testes de diagnóstico no Kenema e usaram uma solução química para desactivar os vírus, enviando, então, as amostras para serem sequenciadas no Instituto Broad em Cambridge, Massachusetts.

Os investigadores sequenciaram os genomas virais de cada amostra em média mais de 2 mil vezes, permitindo-lhes seguir a forma como o vírus mutou à medida que se propagava de doente para doente. Em Abril, investigadores relataram ter sequenciado dados de vírus de pacientes guineenses mas essa equipa produziu um genoma viral composto para cada paciente em vez de sequenciar diferentes cópias do vírus encontradas em cada paciente, como este último trabalho.

Ao comparar os seus dados com os guineenses, a equipa de Goba confirmou que o ébola terá sido importado para a Serra Leoa por 12 pessoas que participaram num funeral na Guine e que o surto se terá originado num único evento, em que o vírus terá passado de um animal para uma pessoa. Outras comparações sugerem que o vírus que causou o surto se separou dos que causaram os surtos de há 10 anos, tendo acumulado mais de 395 mutações entre esse momento e Junho, quando foram recolhidas as últimas amostras incluídas nesta análise.

O vírus acumulou 50 mutações durante o seu primeiro mês, descobriram os investigadores. Segundo eles, não há sinais de que estas mutações tenham contribuído para a dimensão sem precedentes deste surto ao alterar as características do ébola, por exemplo, a sua capacidade de se propagar de pessoa para pessoa ou para matar os pacientes infectados mas outros investigadores estão ansiosos por examinar estas questões.

Mas esses riscos aumentam à medida que o vírus se propaga: “Quanto mais permitimos que o surto continue, maiores as oportunidades para o vírus mutar e que mute para uma forma que seja um ameaça ainda maior do que já é", diz Charles Chiu, médico de doenças infecciosas na Universidade da Califórnia, San Francisco.

As mutações não parecem estar a afectar a eficácia das vacinas e medicamentos experimentais, alguns dos quais foram administrados a pacientes neste surto. Algumas alterações ocorreram em regiões do genoma que são usadas nos testes de diagnóstico, o que não os torna ineficazes mas obriga uma uma atenção especial a estas mutações, diz Chiu.

Entretanto, médicos e investigadores dizem que a única forma de controlar o surto é enviar mais prestadores de cuidados de saúde e materiais para as regiões afectadas, para treinar os africanos a diagnosticar, seguir e tratar o ébola.

Vários autores do estudo, incluindo Christian Happi, da Universidade Redeemer em Redemption City, Nigéria, estiveram envolvidos nesse tipo de treino na África ocidental e estão agora a realizar sequenciação genética. O Centro Africano de Excelência para a Genética de Doenças Infecciosas de Happi espera receber o primeiro sequenciador de última geração da África ocidental: “A nossa esperança é que da próxima vez que isto acontecer sejamos capazes de fazer a sequenciação aqui mesmo em África", diz Happi.

 

Custo para controlar ébola dispara

 

Controlo surto de ébola na África ocidental vai exigir um influxo de verbas de dadores internacionais de US$490 milhões nos próximos seis a nove meses, referiu a Organização Mundial de Saúde (OMS) a 28 de Agosto.

Esse número, descrito num novo relatório, é significativamente superior ao pedido de 5 de Agosto da OMS de $71 milhões e baseia-se na estimativa de que 20 mil pessoas podem vir a ser infectadas antes da epidemia ser contida. Os $490 milhões pagariam apenas a resposta imediata ao ébola e não a reconstrução a longo prazo dos serviços de saúde devastados que os peritos dizem ser necessário realizar após a contenção da doença.

“Esta verba serve apenas para apagar o fogo, não para reconstruir o quartel dos bombeiros", explica o  director-geral assistente da OMS Bruce Aylward.

A OMS estima que 750 prestadores de cuidados de saúde estrangeiros e 12 mil dos países afectados deverão ser necessários para controlar o surto no espaço de seis meses. A organização não avançou o número de prestadores de cuidados que já estão envolvidos na resposta ao ébola.

Espera que os países membros da OMS paguem a conta da luta, bem como o Banco Mundial e o Banco Africano para o Desenvolvimento, que já se comprometeram com $100 milhões e $210 milhões, respectivamente. Por comparação, o orçamento da OMS para surtos e resposta a crises é de apenas $228 milhões pois foi reduzido a metade devido à crise.

A OMS tem um plano em 3 partes para combater a epidemia de ébola: primeiro, os governos e equipas de primeira intervenção no terreno devem garantir que todas as zonas afectadas têm vigilância e cuidados de saúde adequados no espaço de 3 meses, para que as estratégias base de contenção e monitorização funcionem; segundo, os países precisam de conter qualquer surto em novas zonas no espaço de 8 semanas e; terceiro, os países precisam de fortalecer a sua capacidade de detectar e responder aos casos.

A estimativa de $490 milhões assume que o surto é duas a quatro vezes maior do que a OMS está a ser capaz de detectar, pois muitos casos de infecção não estão a ser relatados. Também assume que no espaço de duas semanas os prestadores de cuidados de saúde sejam capazes de convencer as companhias de aviação a retomar os voos para as zonas onde o ébola está descontrolado pois esta decisão tem dificultado fortemente a capacidade da OMS e outras organizações de colocar pessoal e equipamento de protecção no terreno. Se as restrições às viagens continuarem, os custos de transporte podem subir significativamente.

Jeremy Youde, perito em política na Universidade do Minnesota em Duluth, diz que a transparência da OMS é admirável e demonstra porque o seu plano para combater o ébola merece o investimento mas ele duvida que os $490 milhões sejam suficientes e sugere que o financiamento se pode tornar mais complicado com o prolongar do surto.

Youde diz que a OMS está a pesar a sua resposta imediata ao ébola em relação ao seu orçamento a longo prazo. Os estados membros, que fornecem 77% do orçamento da OMS, “podem dizer 'já demos $100 milhões para o ébola, não podemos dar nada para a gripe’”, diz ele.

Mas Barry Bloom, perito em saúde pública na Universidade de Harvard em Boston, Massachusetts, diz que a OMS beneficiaria se a sua resposta ao ébola for eficaz, fortalecendo a posição da organização em relação ao financiamento no futuro, especialmente para a melhoria dos sistemas de saúde nos países em desenvolvimento.

 

 

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