2014-08-27

Subject: Detectadas por SONAR centenas de plumas de metano no fundo do mar

 

Detectadas por SONAR centenas de plumas de metano no fundo do mar

 

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@ Nature/NOAA Okeanos Explorer Program, 2013 Northeast U.S. Canyons Expedition

Plumas de bolhas com origem em centenas de recém-descobertas fendas no fundo do mar ao largo da Carolina do Norte e do Massachusetts contém provavelmente metano e podem estar a acrescentar até mais 90 toneladas desse gás de efeito de estufa à atmosfera e às águas sobrejacentes todos os anos, sugere uma recente investigação agora publicada na revista Nature Geoscience.

Estima-se que dois terços das emissões emanem de sedimentos localizados a profundidades onde materiais gelados ricos em metano podem estar a decompor-se devido ao aquecimento da água junto ao fundo, referem os investigadores. Os efeitos destas plumas sobre o clima e sobre a química oceânica ainda não são claros mas podem estender-se bem para além das próprias plumas.

As filas de bolhas surgiram nos registos de SONAR do fundo do mar feitos entre Setembro de 2011 e Agosto de 2013, durante expedições oceanográficas que percorreram desde o Cabo Hatteras na Carolina do Norte ao Banco Georges ao largo do Cabo Cod. 

No seu todo, os investigadores analisaram dados que cobrem um arco com 94 mil quilómetros quadrados (uma área do tamanho da Hungria) que inclui a orla da plataforma continental e a íngreme encosta do talude continental, diz o co-autor do estudo Adam Skarke, geólogo na Universidade Estadual do Mississípi em Starkville. Numa distância de 950 km, os investigadores encontraram 570 plumas de bolhas, um número espantoso considerando que os cientistas apenas tinham anteriormente detectado um punhado delas na região, salienta ele.

Apesar de algumas das plumas se estenderem por centenas de metros acima do fundo do oceano, as bolhas que emanam de fontes de águas profundas geralmente dissolvem-se no mar antes de chegarem à superfície, diz Skarke.

“Não estou surpreendido com o facto de as pessoas não as terem visto antes", diz Tim Minshull, oceanógrafo na Universidade de Southampton, Reino Unido, que não esteve envolvido no trabalho. “Estas estruturas são bastante estreitas, por vezes com poucos metros de largura e o oceano é muito vasto."

Os investigadores ainda não recolheram amostras das bolhas, diz Carolyn Ruppel, geofísica no US Geological Survey em Woods Hole, Massachusetts, e uma das co-autoras do estudo. Ainda assim, presume-se que contenham metano devido à sua origem, salienta ela. Algumas das fendas de águas menos profundas estão agora em zonas submersas que faziam parte de zonas húmidas produtoras de metano durante a última idade do gelo, quando os níveis do mar eram mais de 100 metros inferiores aos actuais.

No entanto, muitas das fontes ao longo do talude continental estão em profundezas geladas em que gelos se formaram a altas pressões no interior de sedimentos no fundo do mar, que em tempos aprisionaram o metano produzido pelos microrganismos que neles viviam. Estes materiais gelados podem agora estar a decompor-se lentamente devido ao aquecimento das águas sobrejacentes, diz Skarke. Pelo menos um estudo prévio já tinha indiciado que o aquecimento das águas estava a destabilizar os gelos ricos em metano a profundidades moderadas mais a sul, ao logo da costa atlântica dos Estados Unidos.

A amostragem das bolhas, bem como das águas em redor das plumas, irá ajudar os cientistas a estimar os efeitos das emissões de metano, diz Skarke. O gás reage com (e por isso reduz o seu teor) o oxigénio dissolvido, um processo que cria dióxido de carbono que, por sua vez, tenderá a acidificar as águas em seu redor.

“Este é um estudo muito cuidadoso que cria as fundações para outras pesquisas", diz Ronald Cohen, geólogo na Instituição Carnegie para a Ciência em Washington DC, que não esteve envolvido no estudo. Entre outras coisas, salienta ele, “os cientistas gostariam de saber que fontes são estas, quanto metano estão a produzir e como variam ao longo do tempo”.

Apesar de Skarke e os seus colegas suspeitarem que as águas em aquecimento podem estar a aumentar as taxas de emissões de metano, a quantidade de minerais carbonatados observados em alguns dos locais mais profundos visitados por veículos operados remotamente, e que são criados por microrganismos devoradores de metano e que tipicamente se acumulam a uma velocidade de menos de 5 cm por cada milénio, sugere que algumas destas fontes estão activas há mil anos ou mais.

 

 

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