2014-08-24

Subject: Medicamento salva macacos de vírus semelhante ao ébola

 

Medicamento salva macacos de vírus semelhante ao ébola

 

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@ Nature/C. Bickel/Science Translational Medicine

Um medicamento administrado dias após a infecção é capaz de salvar macacos de um vírus mortal semelhante ao ébola, relatam os investigadores na última edição da revista Science Translational Medicine.

“Isto está claramente a entrar no reino da terapia e não de um tratamento pós-exposição", diz o virologista Gene Olinger, principal conselheiro científico para a organização de investigação MRIGlobal em Kansas City, Missouri, que não esteve envolvido no estudo. “É um momento mais difícil para intervir logo é importante que o tenham demonstrado."

O medicamento, chamado TKM-Marburg, foi desenvolvido pela farmacêutica Tekmira em Burnaby, Canadá, como tratamento para o vírus Marburg. Tal como o seu parente próximo ébola, o vírus Marburg provoca uma febre hemorrágica letal: um surto em Angola em 2004–05 matou mais de 90% das pessoas infectadas e está em circulação nos países afectados pelo actual surto de ébola, como na Serra Leoa.

Neste último estudo, os investigadores usaram o medicamento da Tekmira contra o Marburg em 16 macacos rhesus Macaca mulatta, divididos em quatro grupos que receberam o tratamento em momentos diferentes: 30 a 45 minutos após a infecção ou um, dois ou três dias após a infecção. Todos os macacos tratados, incluindo os quatro que receberam o medicamento três dias após a exposição (o equivalente a mais ou menos seis numa infecção humana), sobreviveram, enquanto os quatro animais não tratados morreram.

O autor do estudo Thomas Geisbert, microbiólogo na delegação médica da Universidade do Texas, Galveston, diz que esta é a primeira vez que um único medicamento mostrou ser capaz de salvar animais do vírus Marburg quando administrado dias após a entrada do vírus no corpo. Actualmente, a única forma de confirmar uma infecção por ébola ou Marburg em humanos é esperar vários dias até que o vírus alcance níveis detectáveis no sangue da pessoa.

O medicamento da Tekmira usa pedaços de material genético, pequenos RNA de interferência (siRNA) para perturbar a capacidade do vírus Marburg para se replicar, abrandando o curso da infecção. O siRNA está envolvido num envelope de material lipídico.

Alguns investigadores dizem que o actual estudo pode ajudar na decisão sobre a utilização de medicamentos experimentais no surto de ébola. Ainda não foram aprovados quaisquer medicamentos para tratar o vírus mas estão vários em desenvolvimento, incluindo o TKM-Ebola, produzido pela Tekmira através de técnicas semelhantes ao TKM-Marburg. A Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou a 12 de Agosto "eticamente aceitável" a utilização destes medicamentos não aprovados na situação actual.

A investigação com o TKM-Marburg “mostra que temos uma janela de oportunidade quando se intervém antes do ponto de viragem a partir do qual as pessoas ficarão demasiado doentes para recuperar", diz Amesh Adalja, médico de doenças infecciosas no Centro Médico da Universidade de Pittsburgh na Pensilvânia.

Os medicamentos experimentais normalmente só estão disponíveis em pequenas quantidades logo compreender exactamente ocorre o ponto de viragem pode ajudar os investigadores a decidir quais os pacientes que serão bons candidatos para o tratamento, diz Adalja. 

Por exemplo, o padre espanhol infectado com ébola na Libéria recebeu uma das poucas doses existentes do cocktail experimental de anticorpos monoclonais ZMapp, produzido pela Mapp Biopharmaceutical de San Diego, Califórnia. Ele acabou por morrer possivelmente porque recebeu o medicamento num momento em que já estava demasiado doente para tirar partido dele: “Quando se tem recursos escassos, temos que nos perguntar quem é que já está tão doente que não melhorará, independentemente do que lhe deres", diz Adalja.

Geisbert e o seu grupo gostariam de testar se o TKM-Ebola também funciona quando administrado dias após a infecção mas no momento estão limitados nas suas acções por falta de financiamento. Já foi demonstrado que o TKM-Ebola protegeu macacos quando receberam uma série de doses, começando 30 minutos após os animais terem sido infectados. O medicamento estava em testes humanos de segurança, que foram interrompidos em Julho devido a preocupações de segurança, mas desde 7 de Agosto que os reguladores disseram que podia ser usado em pessoas com ébola.

Julie Rezler, directora de relações com investidores e comunicações corporativas da Tekmira, diz que a companhia “está em conversações com vários governos e organizações não governamentais de vários países, bem como com a OMS" sobre o TKM-Ebola mas não revela se algum dos grupos pediu o medicamento.

Para além do padre espanhol, dois profissionais de saúde americanos e três liberianos receberam doses de ZMapp. Em Março, Geisbert e outros investigadores receberam uma bolsa de US$26 milhões do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas americano para estudarem a combinação do TKM-Ebola e ZMapp.

Uma barreira no desenvolvimento de medicamentos para febres hemorrágicas virais tem sido a necessidade de criar medicamentos individuais para as muitas estirpes de cada vírus que existem mas, no seu artigo, Geisbert descreve a forma como o TKM-Marburg protege contra várias estirpes diferentes. Geisbert diz que, se recebesse financiamento adequado, os testes clínicos para o medicamento para o Marburg podiam ser realizados no espaço de um ano.

 

 

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