2014-08-23

Subject: Atlântico é a chave da pausa no aquecimento global

 

Atlântico é a chave da pausa no aquecimento global

 

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@ Nature/FRANS LANTING, MINT IMAGES / SCIENCE PHOTO LIBRARY

Um aparente abrandamento no aquecimento global que tem vindo a ocorrer desde o final da década de 1990 pode ser devido a alterações nos padrões de circulação nos oceanos Atlântico e Antárctico, sugere um estudo publicado na última edição da revista Science.

Estes padrões de circulação transportam as águas tropicais aquecidas pelo sol para as latitudes mais elevadas, onde se afundam e regressam ao equador, refere o o autor principal do estudo Ka-Kit Tung, cientista atmosférico na Universidade de Washington em Seattle.

Da década de 1970 à década de 1990, diz Tung, este movimento foi relativamente lento, o que permitiu à água quente permanecer à superfície tempo suficiente para perder a maior parte do seu calor para o ar e, assim, contribuir para um aquecimento global rápido.

Mas por volta de 1999, as correntes aceleraram, enviando a água relativamente quente para as profundezas do oceano. Isso é suficiente para, de acordo com Tung e o seu co-autor Xianyao Chen, oceanógrafo na Universidade do Oceano da China em Qingdao, para explicar a razão porque as temperaturas superficiais dos continentes e dos oceanos parecem ter estabilizado desde o anormalmente quente ano de 1998.

Os cientistas têm-se debatido com dificuldades para explicar este abrandamento, com teorias que vão desde ligeiras alterações na luminosidade solar a aumentos na poluição atmosférica sobre a Ásia, que pode produzir uma névoa luminosa que dispersa a luz do sol de volta para o espaço.

Para testar a sua hipótese, Tung e Chen examinaram dados de instrumentos oceanográficos que mediram as condições abaixo da superfície desde o início da década de 1970, para ver se conseguiam descobrir o calor desaparecido escondido no oceano profundo.

Examinaram primeiro os dados do oceano Pacífico, que tinha sido alvo de vários estudos anteriores: "Conseguimos encontrar uma pequena alteração mas não o suficiente", diz Tung. Mas quando analisaram as medições nos oceanos Atlântico e antárctico, os investigadores descobriram um grande aumento na quantidade de calor que alcançava as profundezas até aos 1500 metros, começando por volta do momento em que o aquecimento global abrandou.

Esta alteração na circulação oceânica está associada a alterações cíclicas na salinidade das águas das latitudes elevadas. Quando os padrões de circulação abrandam, as águas superficiais mais quentes têm mais tempo para perder humidade por evaporação. Isto torna-as cada vez mais salgadas, e por isso mais densas, quando atingem as zonas de latitude elevada, onde se afundam. Eventualmente, a situação atinge um ponto crítico, em que as águas em afundamento rápido aceleram a corrente.

Mas Tung alerta que o efeito não vai durar para sempre: à medida que as correntes aceleram, as águas quentes perdem menos humidade por evaporação e tornam-se menos salgadas. 

O calor que a água transporta também provoca o derretimento de glaciares e gelo oceânico, libertando mais água doce para a superfície do oceano. Eventualmente, a salinidade baixará o suficiente para que as águas não se afundem tão rapidamente nas latitudes mais elevadas, abrandando os padrões de circulação globais.

Os dados de temperatura do centro de Inglaterra sugerem que este processo tem vindo a acontecer desde há cerca de 350 anos, com ciclos de aproximadamente 70 anos.

Tung considera que os seus resultados mostram que o aquecimento global não foi interrompido. Ele compara a tendência de aquecimento a longo prazo com uma enorme escadaria, em que subidas rápidas são intercaladas por patamares, “e nós estamos agora num desses patamares da escadaria".

Outros cientistas estão mais cépticos sobre se o trabalho explica realmente a aparente pausa no aquecimento. “A conclusão bastante forte de que ‘a causa foi encontrada' é exagerada", diz Gavin Schmidt, perito climático e director do Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA em Nova Iorque. Schmidt considera que múltiplos factores estão em funcionamento, todos empurrando o clima na mesma direcção.

Richard Alley, geólogo na Universidade Estadual da Pensilvânia em University Park, considera o estudo interessante “mas se é uma história completamente diferente ou parte da mesma história é algo que acho que ainda está por esclarecer".

Alley considera, no entanto, bem-vindo o foco no oceano Atlântico: “Aqueles de nós que trabalham com paleoclima há muito que têm a ideia de que o Atlântico é muito importante. As evidências das idades do gelo é que ocorreram enormes alterações no Atlântico norte que são visíveis nos registos climáticos por todo o mundo.”

 

 

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