2014-08-22

Subject: Focas levaram tuberculose para as Américas

 

Focas levaram tuberculose para as Américas

 

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@ Nature/Sara Marsteller

Sequências de material genético bacteriano antigo recolhidas de vestígios humanos no Peru sugerem que foram as focas que primeiro pegaram a tuberculose aos humanos nas Américas.

As estirpes modernas de tuberculose encontradas nas Américas do Norte e do Sul são aparentadas de perto com as estirpes europeias, sugerindo que os espanhóis terão introduzido a doença no Novo Mundo quando colonizaram a América do Sul no século XVI.

Mas desde a década de 1950 que estudos paleontológicos têm vindo a revelar evidências de lesões associadas à tuberculose em esqueletos pré-colombianos na América do Sul. Isto sugeria que um membro do complexo Mycobacterium tuberculosis, o grupo de bactérias responsável pela doença, estava presente no continente antes do contacto com os europeus.

Num estudo agora publicado na revista Nature, uma equipa liderada pelo paleogeneticista Johannes Krause, da Universidade de Tübingen, Alemanha, fornece evidências de DNA para esta teoria. Os investigadores apresentam três genomas com mil anos de idade de M. tuberculosis extraídos de esqueletos humanos encontrados no Peru.

“Queríamos reconstruir o genoma das M. tuberculosis antigas para obter uma espécie de fóssil molecular", explica Krause. “Oa agentes patogénicos não produzem fósseis mas deixam o seu DNA no esqueleto, dentes e ossos das vítimas da doença." Tendo sequenciado os três genomas, os investigadores avançaram para tentar compreender de que forma essas estirpes antigas estavam relacionadas com as modernas.

A opinião geral nos últimos anos tem sido que a tuberculose terá emergido há cerca de 70 mil anos e que os humanos modernos a adquiriram antes de sair de África. Estas datas foram determinadas pela medição do grau de diferença entre todas as estirpes conhecidas de tuberculose e seguidamente usando a taxa a que as diferenças genéticas se acumulam (um relógio molecular) para determinar quanto tempo foi necessário para que toda essa diversidade tivesse evoluído.

Krause realizou os seus próprios cálculos de relógio molecular, baseando a taxa de evolução da tuberculose nas diferenças entre as estirpes modernas e as peruanas com mil anos de idade. Os seus resultados sugerem que o ancestral comum mais recente de todas as estirpes de M. tuberculosis terá evoluído há menos de 6 mil anos.

“Este é um artigo histórico que desafia as nossas ideias prévias sobre a origem da tuberculose, não só nas Américas mas também no Velho Mundo", diz Terry Brown, arqueólogo biomolecular na Universidade de Manchester, Reino Unido. A data é tão recente que “sugere que as estimativas anteriores para o mais recente ancestral comum estavam muito erradas", diz ele. No entanto, acrescenta, serão necessárias mais sequências genómicas de Mycobacterium, e de períodos de tempo diferentes, para confirmar este resultado.

Se as descobertas forem correctas e a M. tuberculosis tiver menos de 6 mil anos de idade, levantam outro mistério. A bactéria deve ter alcançado as Américas antes da chegada dos europeus mas depois da ponte terrestre entre a América do Norte e a Ásia ter desaparecido, há cerca de 11 mil anos, salienta Krause: “Como é que lá chegou?"

Em busca de respostas, os investigadores resolveram analisar a genética de 40 estirpes diferentes de tuberculose que infectam animais. Descobriram que as estirpes peruanas antigas não se pareciam com as formas adaptadas ao Homem mas eram muito semelhantes às chamadas Mycobacterium pinnipedii, que estão adaptadas a focas e leões marinhos.

A Mycobacterium pinnipedii foi transmitida das focas para os humanos em zoos e Brown salienta que já anteriormente os arqueólogos tinham especulado sobre se esta teria sido a fonte da infecção com tuberculose nas áreas costeiras da América do Sul, onde a caça à foca era comum.

Tom Gilbert, biólogo evolutivo na Universidade de Coepnhaga, diz que a ideia da transferência a partir das focas é certamente atraente mas pede cautela sobre as conclusões do artigo. “O que é mais provável, que os mamíferos marinhos deram origem à tuberculose em humanos na América do Sul ou simplesmente que ainda não obtivemos amostras suficientes de hospedeiros terrestres relevantes no continente para detectar o verdadeiro ancestral?"

Krause concorda que dado que estas estirpes antigas não existem em humanos actualmente não podemos ter a certeza que se adaptaram ao seu novo hospedeiro, significando que se tornaram transmissíveis de pessoa para pessoa: “Para garantir esta hipótese temos que encontrar tuberculose na América do Norte e em populações mais para o interior na América do Sul.”

 

 

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