2014-08-21

Subject: Dupla ameaça para o Tibete

 

Dupla ameaça para o Tibete

 

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@ Nature

Uma avaliação ambiental do planalto do Tibete revelou que a região está a ficar mais quente, húmida e poluída, ameaçando os seus frágeis ecossistemas e todos os que deles dependem.

O planalto e as montanhas que o rodeiam cobrem 5 milhões de quilómetros quadrados e contêm a maior concentração de gelo fora do árctico e do antárctico. A região é, por isso, frequentemente conhecida como o terceiro pólo e, tal como os verdadeiros pólos, está a sentir cada vez mais os efeitos das alterações climáticas mas o rápido desenvolvimento está a duplicar o risco.

Publicada em Lhasa a 9 de Agosto pela Academia Chinesa de Ciências (ACC) e pelo governo do Tibete, a avaliação tinha como objectivo preencher as falhas no conhecimento sobre a extensão dos problemas que enfrenta o planalto com 4500 metro de altitude. Revela que a precipitação aumentou 12% desde 1960 e que as temperaturas dispararam 0,4°C por década, o dobro da média global.

Para além disso, os glaciares estão a recuar rapidamente e um décimo da permafrost já descongelou, só na última década. Isto significa que o número de lagos cresceu 14% desde 1970 e mais de 80% deles expandiram-se desde então, devastando as pastagens e comunidades adjacentes.

O planalto alimenta os maiores rios da Ásia (ver imagem acima) logo estes problemas deverão afectar milhares de milhões de pessoas, refere o relatório. A poluição devia aos resíduos humanos e industriais em resultado do rápido desenvolvimento também coloca um risco sério à região.

Mas a avaliação também sugere formas de combater estes problemas, apelando aos governos chinês e tibetano para tornar a conservação e a protecção ambiental nas suas prioridades máximas. Ajudará na concepção de “políticas de mitigação das alterações climáticas e no alcance de um equilíbrio entre o desenvolvimento e a conservação", diz Meng Deli, vice-presidente do Tibete.

“O planalto tibetano está a ficar mais quente e mais húmido", diz Yao Tandong, director do Instituto de Investigação do Planalto Tibetano da ACC em Pequim, que liderou a avaliação. Isto significa que a vegetação se está a expandir para altitudes mais elevadas e mais para norte, tal como as estações de crescimento, que estão mais longas. Mas algumas áreas, como a zona da mãe-d'água dos maiores rios da Ásia, tornaram-se mais quentes e mais secas e estão a ser severamente afectadas pela desertificação e pela degradação da vegetação das pradarias e zonas húmidas.

A actividade humana também está em ascensão. A população do planalto chegou aos 8,8 milhões em 2012, cerca de três vezes superior ao que era em 1951, e o efectivo de cabeças de gado mais que duplicou, colocando maior pressão sobre as pradarias.

A crescente urbanização está a criar mais resíduos do que a região pode suportar: o Tibete tem a capacidade de tratar 256 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por ano, menos do que a quantidade gerada pelas suas duas maiores cidades, Lhasa e Shigatse. “Vê-se muito lixo por todo o planalto, incluindo nas regiões da mãe-d'água", diz Kang Shichang, glaciólogo no Instituto de Investigação Ambiental e Engenharia das Regiões áridas e Frias da ACC em Lanzhou. “É uma ameaça ambiental.”

Uma ameaça ainda maior provém da mineração. Segundo a avaliação, as minas tibetanas produziram 100 milhões de toneladas de águas residuais em 2007 e 18,8 milhões de toneladas de resíduos sólidos em 2009. Como a maioria das minas são a céu aberto e têm pouco fiscalização ambiental. “a poluição do ar, água e solo são particularmente graves", diz o relatório, ainda que haja poucos detalhes sobre o reais níveis de poluição.

Mas a poluição não vem só de fontes locais: poeiras, carbono negro, metais pesados e outros compostos tóxicos são soprados desde África, Europa e sul da Ásia até à região. As poeiras e os resíduos de carbono estão a escurecer os glaciares, tornando-os mais susceptíveis ao degelo, e os compostos tóxicos estão a envenenar culturas, gado e fauna selvagem.

Mas as ameaças da mineração e da poluição não são nada quando comparadas com as potenciais repercussões das alterações na cobertura de gelo e vegetação, diz a avaliação. Diferentes superfícies (gelo, pradaria, deserto, etc.), reflectem e absorvem diferentes quantidades de radiação solar, afectando a forma como o ar sobre elas é aquecido. Isto significa que alterações no coberto deverão afectar o desencadear e a força das monções asiáticas e terão importantes ramificações sobre o modo de vida das comunidades a jusante pois os glaciares, permafrost e ecossistemas funcionam como um enorme esponja, ajudando a controlar a libertação de águas e as cheias. 

Prevê-se que as temperaturas no planalto subam entre 1,7°C e 4,6°C até ao final de 2100, em relação à média 1996–2005, com base nos cenários de melhores e piores emissões globais. Assim, à medida que a urbanização e as alterações climáticas se agravam, os investigadores temem que o desenvolvimento desregrado devaste o ambiente do planalto. Para o proteger, o governo central deve avaliar os funcionários locais com base no seu desempenho ambiental e não apenas económico. Deve investir mais em compensações ambientais, por exemplo, pagando aos pastores para reduzir o número de cabeças de gado. Finalmente, deve ser mais transparente sobre incidentes de poluição.

“O Tibete será o teste para avaliarmos até que ponto a China leva a sério a protecção ambiental", diz Yao. “A salvaguarda do ambiente do planalto é crucial não apenas para a sustentabilidade da região mas também para a estabilidade social e para as relações internacionais.”

 

 

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