2014-08-19

Subject: Estirpe de pólio do Congo pode resistir a vacina

 

Estirpe de pólio do Congo pode resistir a vacina

 

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@ Nature/AMINU ABUBAKAR/AFP/Getty Images

A causa de um surto invulgarmente severo de poliomielite que atingiu o Congo em 2010 foi identificada: uma estirpe de poliovírus que por vezes resiste às respostas imunitárias criadas por pessoas vacinadas.

Felizmente, pessoas que recentemente receberam a vacina oral viva da pólio, que fornece a imunidade mais forte, estão protegidas contra a estirpe. A sua propagação no Congo foi interrompida voltando a vacinar oralmente toda a população das zonas adjacentes.

No entanto, um novo estudo publicado a 18 de Agosto na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere que uma porção dos que receberam a vacina morta mais fraca teriam estado vulneráveis. Esta vacina é agora vulgar nos países desenvolvidos e os investigadores que caracterizaram a estirpe alertam que algo semelhante pode voltar a acontecer durante as fases finais do esforço global para erradicar a pólio.

Apesar de o mundo estar à beira de eliminar completamente a pólio através da vacinação, surtos periódicos continuam a acontecer. O surto de 2010 infectou 445 pessoas e matou quase metade delas. Ainda não é claro quantas das que morreram estavam vacinadas mas a invulgarmente alta taxa de mortalidade intrigou os cientistas.

Para o investigar, Christian Drosten, virulogista no Centro Médico da Universidade de Bona, Alemanha, em conjunto com uma equipa internacional de investigadores, sequenciou a estirpe do vírus que causou o surto. Descobriram uma combinação nunca vista de duas mutações, ambas nas proteínas da cápsula, o que tornava mais difícil a ligação dos anticorpos ao vírus. “É um vírus que consegue escapar ao nível habitual de imunidade nas populações que temos", diz Drosten.

A equipa também testou amostras de sangue de voluntários no vizinho Gabão, onde parte da equipa estava sediada, bem como de estudantes de medicina alemães que tinham sido todos vacinados. Os seus anticorpos eram menos potentes contra a estirpe do Congo do que contra a estirpe usada na vacina. Os investigadores dizem que 15 a 29% dos estudantes alemães estariam potencialmente desprotegidos em relação ao vírus de 2010.

As boas notícias é que a estirpe não causa problemas a quem tenha sido recém-vacinado com a vacina oral. “A imunidade recente causada por uma nova vacinação irá bloqueá-lo", diz Drosten.

Ainda assim, ele está preocupado com a possibilidade de outras variantes do vírus que possam escapar às respostas imunitárias induzidas por vacinas surgirem novamente nos estágios finais da actual campanha de erradicação mundial. Ele especula que essas estirpes circulam na natureza mas os mais comuns normalmente têm uma vantagem de sobrevivência qualquer. Quando as estirpes mais raras chegam a zonas onde as estirpes dominantes foram erradicadas mas a cobertura de vacinação é incompleta, surtos semelhantes ao mortal de 2010 podem surgir.

Olen Kew, virulogista no Centro de Controlo e Prevenção de Doenças Atlanta, Georgia, está menos preocupado. “O ponto é que a vacina oral contra a pólio funciona onde seja usada adequadamente, ou seja, com altas taxas de cobertura”, diz ele. “A República do Congo teve um período de muito baixa cobertura devido à guerra civil e as falhas na imunidade alargaram-se.”

A equipa de Drosten mostrou que o vírus do surto era aparentado de perto com um estirpe angolana de 2009 e que ambos descenderam de vírus na Ásia central, onde a pólio ainda não foi completamente erradicada. Os investigadores apelam a uma melhor vigilância para detectar a propagação de variantes semelhantes do vírus.

Mark Pallansch, director da Divisão de Doenças Virais do CCPD, diz que a estirpe do surto foi agora erradicada. Acrescenta que todos os poliovírus a nível global são routineiramente caracterizados por sequenciação, apesar de poder haver atrasos no seu carregamento para bases de dados públicas. Drosten diz que isso pode impedir a pesquisa.

 

 

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