2014-08-16

Subject: Expressão de genes implicada em stress pós-traumático

 

Expressão de genes implicada em stress pós-traumático

 

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@ Nature/CONEYL JAY/SCIENCE PHOTO LIBRARY

A maioria das pessoas recupera gradualmente de um trauma mas uma pequena porção de indivíduos desenvolve síndroma de stress pós-traumático (SPT), levando os cientistas a procurar as raízes biológicas desta resposta extrema a situações traumáticas, como a guerra, um acidente de carro ou um desastre natural.

Um estudo publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences identifica 334 genes que podem estar envolvidos na vulnerabilidade ao stress pós-traumático em ratos.

A maioria dos estudos sobre stress em animais usa estímulos intensos, como os choques eléctricos, para produzir grandes diferenças de grupo entre animais expostos e não expostos mas Nikolaos Daskalakis tentou uma abordagem mais subtil para desencadear uma vasto leque de respostas individuais em ratos que tinham todos sofrido o mesmo trauma, imitando de forma mais próxima a variabilidade de respostas humanas a acontecimentos perturbadores.

"Queríamos capturar as diferenças entre um indivíduo susceptível e um não susceptível à mesma experiência", diz Daskalakis, neuroendocrinologista na Faculdade de Medicina Icahn em Mount Sinai, Nova Iorque.

Os investigadores expuseram cerca de 100 ratos a areia de gato suja, que evocava o predador temido, e testaram os animais uma semana depois em busca de sinais persistentes de trauma. Cerca de um quarto dos animais expostos foram classificados como tendo reacções 'extremas', mostrando altos níveis de ansiedade e muito assustadiços perante sons altos. Outro quarto dos animais tinham respostas 'mínimas' e apresentavam níveis de ansiedade semelhantes aos dos ratos não expostos.

Para sondar os mecanismos que controlam a susceptibilidade ao trauma, os investigadores usaram tecnologia de microDNA para analisar 22 mil genes em amostras retiradas do sangue e de duas zonas do cérebro envolvidas no cérebro ena memória, a amígdala e o hipocampo. Tanto em machos, como em fêmeas, em todos os diferentes tecidos, algo como 86 a 334 genes revelaram alterações nos seus níveis de expressão que pareciam relacionar-se com as respostas extremas ou mínimas.

A maioria dos genes parecia estar envolvido em conferir ou vulnerabilidade ou resiliência mas não ambas. Daskalakis diz que os resultados sugerem que ao nível genómico o equilíbrio entre os dois sistemas de resposta ao stress podem controlar a susceptibilidade individual ao SPT.

Com base na sua análise, os investigadores previram que a expressão de genes associados a vulnerabilidade e resiliência ao trauma seja regulada por 73 factores de transcrição, cerca de um quarto dos quais estão envolvidos em sinalização de receptores de glucocorticóides. Uma má regulação dos receptores de glucocorticóides há muito que se suspeitava estar envolvida no SPT e alguns estudos tinham sugerido que níveis anormalmente baixos de actividade destes receptores seria a sua causa.

"Dá-nos uma visão para marcadores genéticos para a susceptibilidade ao SPT e para potenciais tratamentos que tenham como alvo a activação dos receptores de glucocorticóides como parte da terapia", diz David Diamond, neurocientista comportamental na Universidade do Sul da Florida em Tampa. Encontrar melhores indicadores para a susceptibilidade ao trauma pode ajudar os investigadores a desenvolver e monitorizar os tratamentos, diz ele.

A equipa de Daskalakis foi mais longe nos testes a esta hipótese injectando os ratos com corticosterona, uma hormona glucocorticóide natural que é libertada na sequência do stress, uma hora depois da exposição ao trauma. Sete dias depois, os ratos que receberam o tratamento revelaram efeitos reduzidos do trauma, quando comparados com ratos não tratados.

A equipa também está a estudar o tratamento de emergência de pacientes em hospitais que passaram por eventos traumáticos, testando se o SPT pode ser evitado através de uma única dose elevada de cortisol, a hormona glucocorticóide em humanos, dada poucas horas após o trauma.

 

 

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