2014-08-15

Subject: Peixe gigante do Amazonas extinto localmente devido a pesca excessiva

 

Peixe gigante do Amazonas extinto localmente devido a pesca excessiva

 

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@ BBC

Um peixe com 3 metros de comprimento que costumava dominar o rio Amazonas foi pescado até à extinção em vários locais, revelaram os cientistas. As populações de arapaima estão extintas em oito das 41 comunidades estudadas e o seu efectivo é reduzido em todas as restantes.

Esta conclusão foi tirada com a ajuda de pescadores locais, que foram treinados para contar os peixes como parte de um censo em larga escala. Segundo os investigadores, o impacto da pesca sobre peixes tropicais é muito mais grave do que se pensava até aqui, como pode ser lido no artigo agora publicado na revista Aquatic Conservation: Freshwater and Marine Ecosystems.

O arapaima pode pesar até 180 kg e está entre os maiores peixes de água doce do mundo. São peixes pulmonados que vêm à superfície a cada 5 a 15 minutos, o que os torna fáceis de capturar. A sua dimensão torna-os ainda mais apetecíveis para os pescadores, que os capturam com a ajuda de arpões e armadilhas de rede.

Há um século estes peixes gigantes dominavam a pesca no Amazonas mas os investigadores revelaram que a pesca excessiva reduziu dramaticamente o seu número. 

Até aqui, teorias bioeconómicas previam que a pesca não poderia causar extinções porque os pescadores inevitavelmente se afastam de zonas onde os recursos estão depauperados. Os cientistas, liderados por Leandro Castello, do Virginia Tech, portanto, ficar a conhecer a saúde das populações de arapaima no Amazonas inferior.

Eles quiseram descobrir se estas pescas apoiavam as predições bioeconómicas ou a teoria alternativa da pesca em cascata, que prevê que os peixes grandes, fáceis de capturar e com elevado valor serão pescados até à extinção.

A equipa de investigadores entrevistou 182 pescadores, considerados peritos pelos seus colegas, em 81 comunidades numa área de 1040 quilómetros quadrados das planícies de inundação do Amazonas. As contagens de peixes foram desenvolvidas em 41 dessas comunidades e oito pescadores foram treinados para contar arapaimas no momento em que emergiam para respirar.

O censo revelou que as populações de arapaima estavam depauperadas em 76% da área analisada, localmente extintas em 19%, sobreexploradas em 17% e apenas em 5% eram bem geridas. Em 2% das comunidades este peixe não era pescado.

Para além dos resultados do censo, mais de três quartos dos pescadores questionados sobre isso referiram que o número de arapaimas tinha diminuído nos últimos anos. Quase um quarto dos pescadores de cada comunidade pescava arapaimas independentemente do estado da população.

A equipa refere que os resultados contradizem o pensamento económico convencional e apoia as previsões da pesca em cascata: "A ideia generalizada prevê que a escassez levaria a um aumento do preço, o que aumentaria os custos de pesca e ajudaria a salvar as espécies depauperadas mas não foi isso que aconteceu", diz Castello.

Dado que os trópicos têm muitas espécies de peixes numa comunidade, não há forma de evitar capturar arapaimas: "Os pescadores continuam a capturar o arapaima independentemente da degradação da população. Quando os peixes adultos e de grande dimensão desaparecem, usam-se armadilhas de rede para capturar peixes menores e essas capturam os arapaimas juvenis. É por isso que oito comunidades relatam zero arapaimas", acrescenta Castello.

Apenas 27% das comunidades estudadas têm regras de gestão das capturas de arapaima mas as que têm e os pescadores as respeitam são também as que apresentam stocks do peixe maiores. "Muitas extinções induzidas pela pesca nos trópicos estão a passar despercebidas por falta de dados, pesca ilegal e falta de alternativas económicas para os pescadores", diz Castello.

"Chegou o momento para aplicar o conhecimento ecológico local para ajudar a avaliar as populações, documentar as práticas e tendências e resolver problemas tirando partido da participação das comunidades na gestão e conservação", diz ele, algo que está a ser desenvolvido e implementado para o arapaima na região. "Há vontade por parte dos pescadores para implementar a gestão mas os nossos esforços exigem mais apoio das agências governamentais."

 

 

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