2014-08-12

Subject: Peixes florescem com ansiolíticos

 

Peixes florescem com ansiolíticos

 

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@ Nature/Jelger Herder/Buiten-beeld/Getty

Peixes expostos a um medicamento ansiolítico vulgar são mais activos e têm mais probabilidade de sobreviver que peixes não expostos, relatam os investigadores na última edição da revista Environmental Research Letters. Os resultados sugerem que os métodos standard de avaliação de impacto ambiental dos fármacos nos cursos de água podem estar a falhar alguns dos efeitos dos medicamentos dado que se focam exclusivamente nos danos, referem os autores.

No estudo, os investigadores liderados por Jonatan Klaminder, da Universidade Umeå na Suécia, expuseram percas eurasiáticas Perca fluviatilis a oxazepam, um dos medicamentos mais vulgarmente utilizados da classe benzodiazepinas.

As experiências standard de ecotoxicologia usam peixes saudáveis e sem stress que foram criados em laboratório. Os grupos de controlo são concebidos para ter 100% de taxa de sobrevivência de modo a que reduções na sobrevivência dos grupos de teste serem fáceis de detectar por comparação. Mas é difícil de detectar qualquer aumento nas taxas de sobrevivência quando o grupo de controlo já tem uma sobrevivência praticamente total.

Assim, Klaminder usaram a abordagem oposta. Expuseram os peixes ao medicamento em duas etapas do ciclo de vida particularmente sensíveis: peixes selvagens com dois anos retirados de um lago sueco recém-descongelado após o Inverno e fiadas de ovas contendo embriões em desenvolvimento. Estas são condições mais realistas, dizem os investigadores, pois os animais na natureza sofrem frequentemente elevadas taxas de mortalidade.

Os investigadores usaram o oxazepam a uma concentração elevada de 1000 μg l−1 e uma concentração baixa de 1 μg l−1. A dose baixa é relevante para os ambientes aquáticos em áreas urbanas pois foram medidas concentrações de 1,9 μg l−1 nos efluentes das estações de tratamento de águas residuais.

A mortalidade era elevada nos grupos não tratados de peixes e ovas, tal como na natureza. Mas a concentração mais alta do medicamento melhorou a taxa de sobrevivência das ovas por comparação com os grupos não expostos e de baixa concentração, e ambas as doses melhoraram a sobrevivência dos peixes adultos. “É uma nova era na investigação da contaminação se queremos incluir os fármacos, pois os seus efeitos não são tão tradicionais como o nosso modo de pensar", diz Klaminder.

Ainda assim, estes efeitos não são necessariamente bons para os ecossistemas como um todo: “Se um fármaco tem um efeito benéfico sobre uma das espécies, é provável que tenha efeito negativo sobre as suas presas ou sobre espécies competidoras”, diz Kathryn Arnold, ecologista na Universidade de York, Reino Unido. “A actual avaliação de risco não tem em conta estes efeitos indirectos na teia alimentar.”

No ano passado, a equipa de Klaminder mostrou que o oxazepam altera o comportamento dos peixes e efeitos semelhantes foram observados neste último estudo. Os peixes expostos eram mais activos, mais arrojados e menos sociáveis. Foi enquanto estudavam estes efeitos comportamentais que a equipa se apercebeu do efeito sobre a sobrevivência, diz Klaminder.

Apesar do aumento de actividade poder parecer uma resposta surpreendente a um medicamento que relaxa as pessoas, os investigadores acreditam que isso pode ser causado pela redução do stress, que, por sua vez, torna os peixes mais arrojados. Os peixes passam por isso menos tempo com os seus parceiros e mais tempo em busca de alimento, o que pode explicar a maior taxa de sobrevivência.

Outra possível explicação é a chamada hormese, em que baixas concentrações de um medicamento podem ter o efeito oposto das concentrações elevadas, diz Alistair Boxall, perito ambiental na Universidade de York. Infelizmente, ninguém realmente compreende como funciona a situação.

Uma questão mais importante pode ser se o efeito se estende a outros medicamentos, espécies e conjuntos de condições. “É certamente algo a seguir", diz Gerald Ankley, toxicólogo na Agència de Protecção Ambiental americana em Duluth, Minnesota. “Mas com base neste conjunto de condições seria prematuro falar em mudanças na forma de testar.”

 

 

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