2014-08-10

Subject: As vantagens ocultas da vacinação

 

As vantagens ocultas da vacinação

 

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@ Nature/Alfredo Caliz/Panos Pictures

Este Verão, a Eritreia, a Costa do Marfim e o Níger irão juntar-se à crescente lista de países em que as crianças recebem uma vacina que previne a pneumonia, a meningite e outras doenças mortais causadas pelas bactérias pneumococos Streptococcus pneumoniae. A pneumonia é uma das principais causas de morte de crianças nos países com baixos rendimentos e as vacinações entre 2010 e o final deste ano deverão evitar 500 mil mortes, segundo a GAVI Alliance de Genebra, uma organização internacional de promoção da vacinação.

Dados da África do Sul apontam para outro benefício da vacinação: conter a onda de resistência aos antibióticos nos países em desenvolvimento. A introdução no país da vacina conjugada contra os pneumococos (PCV) em 2009 não só reduziu a incidência global de doenças invasivas causadas por pneumococos em dois terços das crianças (a faixa etária vacinada) e em adultos, como também reduziu as infecções resistentes à penicilina nos dois grupos.

Esta é a primeira vez que este tipo de benefício se observa fora de países desenvolvidos. Os dados deverão estimular as entidades da saúde nos países com baixos rendimentos a usar a vacinação, caso ainda não o façam, diz Anne von Gottberg, microbióloga clínica no Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis de Joanesburgo e líder do estudo. A sua equipa relatou os resultados em conferências mas ainda não foram publicados.

O problema da resistência aos antibióticos é particularmente pertinente em países com baixos rendimentos, onde a prescrição excessiva e a falta de regulamentações se combinam com uma maior carga de doenças e falta de condições sanitárias para aumentar a utilização de medicamentos antimicrobianos Um estudo recente feito pela Organização Mundial de Saúde (OMS) encontrou taxas de resistência em Klebsiella pneumoniae até 54%. A reduzida susceptibilidade do Streptococcus pneumoniae à penicilina tem sido encontrada por todo mundo e atinge os 50% em alguns locais.

Na América do Norte, Europa e outras zonas do mundo mais ricas, a introdução de vacinas contra o pneumococos no início da década de 2000 reduziu os casos de doenças invasivas causadas pela bactéria em mais de um terço nas crianças vacinadas e nos adultos não vacinados, que tipicamente recebem a infecção das crianças. A vacina também reduziu o número de infecções graves com pneumococos resistentes aos antibióticos da linha da frente, como a penicilina.

Entre 1998 e 2008, um estudo nos Estados Unidos revelou uma redução de 64% de pneumococos resistentes aos antibióticos nas crianças e de 45% entre os adultos com mais de 65 anos. As diferentes vacinas contra o pneumococos têm como alvo um punhado (7, 10 ou 13, dependendo da vacina) das mais de 90 variedades (serótipos) de pneumococos mas esses serótipos são igualmente os que têm maior probabilidade de desenvolver resistência aos antibióticos. O resultado é uma maior redução das estirpes resistentes aos antibióticos na população, em comparação com as estirpes sensíveis.

Os países com baixos recursos começaram a aplicar as vacinas contra pneumococos por volta de 2009 e mais de 40 o deverão fazer até 2015. Muitos destes países recebem as vacinas gratuitamente ou com fortes descontos através do apoio financeiro da GAVI Alliance. “Fazer chegar estas vacinas a países com baixos rendimentos num período de 10 anos é uma implementação incrivelmente rápida", diz Katherine O’Brien, epidemiologista na Faculdade de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg em Baltimore, Maryland. Ela salienta que a maior parte das outras vacinas chegaram aos mais pobres muito depois de terem sido introduzidas nos países desenvolvidos.

A África do Sul, que não pode receber apoio da GAVI, financiou o seu próprio programa de vacinação contra o pneumococos em 2009 usando PCV7 de sete estirpes e a equipa de von Gottberg seguiu os seus efeitos. Uma mistura diferente de serótipos de pneumococos dos países ocidentais (para os quais a PCV7 foi concebida) circula na África do Sul e o tipo de pessoa que contrai a doença causada por pneumococos  também é diferente (adultos HIV-positivos, muitas vezes mães, também contraem a doença, para além das crianças e dos mais idosos).

Apesar de todas estas diferenças, a equipa de von Gottberg apercebeu-se de uma redução abrupta nas taxas de doenças invasivas causadas por pneumococos depois que a vacinação começou. Em 2012, os casos devidos aos serótipos incluídos na vacina tinham caído tanto em crianças como em adultos de meia idade em 89% e 57%, respectivamente, e as infecções resistentes aos antibióticos com os mesmos serótipos tinham caído 82%. 

Os resultados sugerem que os efeitos da vacina nos países ocidentais são transponíveis para crianças e adultos num país subsaariano. É notável, diz von Gottberg, que a incidência de casos resistentes aos medicamentos tenha caído mais que a incidência dos casos sensíveis aos medicamentos.

O’Brien diz que os dados sugerem que outros países subsaarianos devem experimentar os mesmos benefícios após a introdução da vacina. A monitorização em curso dos efeitos da implementação da vacina PCV10 em 2010 num distrito do Quénia também revelaram reduções abruptas nas infecções graves de pneumococos.

As reduções nas doenças causadas por pneumococos resistentes aos antibióticos podem conduzir à redução da utilização global de antibióticos. Um estudo na Finlândia revelou que a introdução de uma vacina contra pneumococos diferente reduziu a compra de antibióticos em 8%. Mais, se os médicos estiverem confiantes que os antibióticos de primeira linha curam as doenças causadas por pneumococos, “não terão a tentação de avançar com os antibióticos muito fortes", diz O’Brien. A utilização mais prudente de antibióticos pode conter o desenvolvimento de mais resistências.

Von Gottberg espera que os dados da sua equipa encorajem os países que ainda não aderiram à vacinação a seguirem o exemplo da Eritreia, Costa do Marfim e Níger: “Ter outra arma no nosso arsenal para reduzir a resistência aos antibióticos é uma óptima notícia para os convencer.”

 

 

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