2014-08-09

Subject: Ébola declarado emergência de saúde pública

 

Ébola declarado emergência de saúde pública

 

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@ Nature/Ministério da Defesa Espanhol/AP

A escalada do surto de ébola na África ocidental é uma ameaça internacional e todos os países devem trabalhar juntos para o conter, refere a Organização Mundial de Saúde (OMS) a 8 de Agosto. O anúncio surge no meio do debate sobre a utilização de medicamentos experimentais no surto: um epidemiologista de renome espera que este anúncio altere o foco internacional para a dependência de medidas básicas de saúde pública para controlar a doença.

A OMS declarou formalmente a doença uma “emergência de saúde pública causadora de preocupação internacional", revelou a sua directora-geral Margaret Chan, após um encontro de dois dias com peritos, em Genebra. A declaração significa que os peritos concluíram que o surto pode propagar-se para além dos países da África ocidental onde tem estado concentrado (Guiné, Serra Leoa e Libéria), a não ser que a comunidade internacional coordene os seus esforços para o conter.

“O que isto nos diz é que temos um problema sério em mãos na África ocidental que exige envolvimento da comunidade internacional para o controlar", diz o epidemiologista Jeffrey Duchin, chefe da secção de imunização e epidemiologia de doenças contagiosas do Departamento de Saúde Pública de Seattle e King County, Washington.

Para controlar a epidemia, a OMS faz uma série de recomendações aos países onde já existe transmissão do ébola, incluindo:

  • Dar às comunidades papel central na identificação de casos, seguimento de contactos e educação sobre o risco, envolvendo líderes locais e religiosos, bem como curandeiros tradicionais;

  • Garantia de protecção e pagamento adequado e atempado aos prestadores de cuidados de saúde;

  • Monitorização de todos os que deixem esses países;

  • Garantia da realização de funerais com redução de risco de infecção e adiamento de eventos de grande dimensão;

  • Disponibilização de fundos de emergência e activação de medidas de emergência para prevenção e controlo da infecção e consciencialização da comunidade.

Para impedir que o surto atravesse as fronteiras internacionais, a OMS recomenda que todos os países estejam preparados para detectar e gerir casos de ébola e para gerir viajantes com origem em zonas infectadas com o vírus que cheguem com febre inexplicada.

O epidemiologista Michael Osterholm, chefe do Centro de Investigação e Política de Doenças Infecciosas da Universidade do Minnesota em Minneapolis, espera que a declaração da OMS altere o foco internacional para longe de vacinas e medicamentos experimentais e o volte para a utilização de medidas básicas de saúde pública para controlar o surto.

Depois de dois americanos terem sido tratados com um cocktail de anticorpos criado pela Mapp Biopharmaceutical de San Diego, Califórnia, três peritos internacionais em saúde apelaram a que esse medicamento fosse disponibilizado aos africanos. A 6 de Agosto, a OMS referiu que iria reunir um painel de peritos para debater a ética da utilização de tratamentos não testados contra o surto e a Administração Americana para a Alimentação e Medicamentos (FDA) removeu a barreira ao uso de outro medicamento experimental, o TKM-Ebola, produzido pela Tekmira de Burnaby, Canadá. A FDA tinha interrompido os testes clínicos preliminares a 3 de Julho mas a 7 de Agosto autorizou a sua administração a pacientes infectados.

O especialista em medicina tropical Jeremy Farrar, chefe do Wellcome Trust, considera que a decisão da OMS de realizar a discussão da utilização ética de tratamentos experimentais para o ébola “um passo muito bem vindo na direcção certa".

“É essencial que protocolos rigorosos para o estudo de intervenções experimentais sejam desenvolvidos rapidamente para que os países africanos tenham as mesmas oportunidades de os considerar que teriam os ocidentais e que haja acesso equitativo a todos os que se revelem eficazes", disse Farrar num comunicado.

Os reguladores permitiram a utilização de medicamentos não aprovados antes epidemias anteriores de doenças infecciosas, por exemplo em 2009 com a epidemia de H1N1 a FDA permitiu o uso de emergência do antiviral peramivir. Mas a situação actual é diferente porque os medicamentos experimentais contra o ébola não foram adequadamente testados em pessoas.

“Estes medicamentos não têm um registo estabelecido de segurança em humanos logo é mais complicado", diz Amesh Adalja, médico de doenças infecciosas no Centro Médico da Universidade de Pittsburgh na Pennsylvania. “Não haveria precedentes na utilização deste tipo de medicamento num surto.”

Mas Osterholm diz que a corrente discussão sobre esses medicamentos e vacinas experimentais está a afastar a atenção internacional das medidas que considera necessárias ao bloqueio do surto, como por exemplo, seguir os contactos dos indivíduos infectados e distribuição de equipas de profissionais de saúde que garantam que todos os afectados são diagnosticados.

“Estamos tão fixados em vacinas e medicamentos que nos esquecemos que a forma de reduzir a morbilidade e mortalidade não é com vacinas e medicamentos", diz Osterholm. “Estamos a falar de quantas botas podemos colocar no terreno para ajudar.”

Os epidemiologistas dizem que a declaração de emergência de saúde pública pode ajudar a controlar a epidemia convencendo os países mais ricos a enviar mais pessoal de saúde e materiais médicos básicos para os países onde o ébola está presente. Como os países mais fortemente atingidos não têm sistemas de saúde fortes, as organizações não governamentais têm vindo a fornecer grande apoio aos afectados.

Foi anunciado a 6 de Agosto que morreram duas pessoas na Nigéria com a doença e um homem morreu na Arábia Saudita mas ainda não foi registado nenhum outro caso nesses países. Nessa data, 932 pessoas tinham morrido neste surto, a maioria na Serra Leoa, Guiné e Libéria.

Os países afectados já tomaram algumas medidas para impedir a propagação do vírus além-fronteiras: a 6 de Agosto Ellen Johnson Sirleaf, a presidente da Libéria, declarou o estado de emergência e começou a usar soldados para garantir a aplicação de quarentena às comunidades infectadas, enquanto na Serra Leoa a polícia criou bloqueios aos distritos gravemente afectados, proibindo o trânsito de entrar ou sair.

Mas Osterholm questiona se esse tipo de acção irá convencer as comunidades a colaborar com os prestadores de saúde: “Uma das coisas que temos que fazer é criar confiança nas comunidades de que não serão penalizados se colaborarem."

A declaração da OMS de emergência global de saúde pública é a terceira desde que as regras internacionais foram implementadas em 2007: a primeira foi em 2009 durante a epidemia de gripe H1N1 e a segunda em Maio, alertando para a potencial propagação internacional do vírus da pólio.

 

 

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