2014-08-08

Subject: Homem triplicou níveis de mercúrio nas camadas superiores do oceano

 

Homem triplicou níveis de mercúrio nas camadas superiores do oceano

 

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@ Nature/Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

Os níveis de mercúrio nas camadas superiores do oceano triplicaram desde o início da revolução industrial e as culpadas são as actividades humanas, relatam os investigadores na última edição da revista Nature.

Apesar de vários modelos de computador terem estimado a quantidade de mercúrio no mar, a nova análise fornece as primeiras medições globais e é uma peça crítica do quebra-cabeças do ambiente global, seguindo não só a quantidade de mercúrio nos oceanos mas de onde veio e a que profundidade se encontra.

“Ninguém antes tinha tentado fazer uma panorâmica mais abrangente de todos os oceanos e obter uma estimativa do total de mercúrio à superfície e em parte das águas mais profundas", diz David Streets, perito em política de energia e ambiente no Laboratório Nacional Argonne em Lemont, Illinois, que não esteve envolvido no estudo.

Os investigadores recolheram milhares de amostras de água durante oito viagens de pesquisa aos Atlântico e Pacífico norte e sul, entre 2006 e 2011. Para determinar de que forma os níveis de mercúrio se tinham alterado ao longo do tempo compararam amostras de água do mar de profundidades até 5 km com água mais perto da superfície, que tinha sido mais recentemente exposta à poluição com mercúrio vindo de terra e do ar.

A sua análise revela que as actividades humanas, essencialmente a queima de combustíveis fósseis mas também a mineração, tinham aumentado os níveis de mercúrio nos 100 metros superiores do oceano por um facto de 3,4 desde o início da revolução industrial. A quantidade total de mercúrio antropogénico nos oceanos da Terra está agora nos 290 milhões de moles, com os maiores níveis nos oceanos Árctico e Atlântico norte.

“Foram mesmo capazes de olhar para trás no tempo com este estudo", diz Noelle Eckley Selin, química atmosférica no Instituto de Tecnologia do Massachusetts em Cambridge, que não esteve envolvida no estudo.

Os investigadores dizem que os padrões de circulação oceânica ajudaram a amortecer os efeitos de algumas das subidas no mercúrio marinho. Os padrões de circulação que conduzem água muito fria, densa e salgada ao fundo do mar transportam grandes quantidades de mercúrio para longe das águas superficiais onde a vida abunda. Isso fornece alguma protecção à vida marinha, pois os efeitos tóxicos do mercúrio aumentam a cada nível da cadeia alimentar: por exemplo, os níveis de mercúrio num predador de topo como o atum são até 10 milhões de vezes superiores do que os da água do mar envolvente.

Mas o co-autor do estudo Carl Lamborg, geoquímico marinho na Instituição Oceanográfica Woods Hole no Massachusetts, considera que a capacidade das águas profundas para sequestrar o mercúrio pode estar prestes a esgotar-se. O Homem apresta-se a emitir tanto mercúrio nos próximos 50 anos como o que foi emitido nos últimos 150, salienta ele.

“Estamos a sobrecarregar a capacidade das águas profundas para esconder algum do mercúrio que emitimos logo mais e mais das nossas emissões passarão a ser encontradas em águas mais superficiais", acrescenta Lamborg. Isso aumenta as probabilidades de os níveis de mercúrio em espécies chave para a nossa alimentação subirem, aumentando a exposição humana.

Entre 5 e 10% das mulheres americanas em idade fértil já apresentam níveis de mercúrio no sangue que aumentam o risco de problemas neurais e de desenvolvimento nos seus bebés e estima-se que 1,5 a 2 milhões de crianças na União Europeia nasçam com níveis de exposição ao mercúrio associados a deficits de QI. A vida selvagem também não é poupada: estudos revelaram que os níveis de mercúrio comprometem a saúde reprodutiva e a fertilidade de peixes e aves.

David Krabbenhoft, geoquímico no US Geological Survey de Middleton, Wisconsin, considera que o novo estudo sugere que os esforços para reduzir a poluição de mercúrio podem ser eficazes pois os oceanos não estão uniformemente contaminados.

“Trabalhos como este sugerem fortemente que alterações geracionais podem ser observadas nos níveis de mercúrio nos oceanos e se isso é facto pode-se esperar que sofram respostas associadas à redução, que se espera, das emissões de mercúrio antropogénicas daqui para diante", diz ele

Lamborg concorda: “Os novos dados sugerem que o problema está um pouco mais tratável. É caso para algum optimismo e deve entusiasmar-nos a fazer algo mais pois podemos fazer a diferença.”

 

 

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