2014-08-06

Subject: Ursos rechonchudos dão pista sobre diabetes

 

Ursos rechonchudos dão pista sobre diabetes

 

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@ Nature/Kevin Corbit

À medida que o Verão se transforma em Outono, todos os anos os ursos pardos embarcam num festim selvagem e glutão. Quando descansam para o seu sono invernal, armazenaram gordura suficiente para lhes duram toda a estação.

No entanto, apesar desta descida anual à obesidade, os investigadores descobriram que os ursos não sofrem de problemas metabólicos, como a falta de controlo do açúcar no sangue, que geralmente surgem em humanos obesos. Ao estudar a forma como os ursos alcançam este feito, os cientistas esperam descobrir novas formas de lidar com a diabetes em humanos.

Os ursos são objectos de estudo grandes e pouco obedientes, concede Kevin Corbit, que estuda doenças metabólica na Amgen, uma companhia de biotecnologia em Thousand Oaks, Califórnia. Mas os roedores já provaram ser fracos modelos para a doença humana, acrescenta ele, e em ursos a evolução já desenhou as experiências cruciais: “Acredito que há um animal algures que tem a resposta para qualquer doença humana, só temos que o descobrir."

Para encontrar a resposta para a diabetes, Corbit uniu-se a especialistas em ursos em Washington para estudar os ursos pardos Ursos arctos horribilis que foram removidos do Parque Nacional Yellowstone por serem problemáticos com os humanos. Os ursos foram alojados numa colónia de investigação para primatas abandonada perto do rio Snake em Washington.

Corbit registou os níveis de açúcar no sangue dos ursos em três momentos diferentes ao longo do ano: Outubro, durante o período de glutonice pré-hibernação, Janeiro, durante a hibernação e Maio, quando acordam da hibernação. A equipa descobriu que os níveis de açúcar no sangue dos ursos permaneciam espantosamente estáveis, tal como as concentrações de insulina, a hormona que leva as células a recolher açúcar do sangue.

Os humanos obesos tornam-se frequentemente resistentes à insulina, levando a picos dos níveis de açúcar no sangue. Para descobrir se o mesmo processo ocorre nos ursos, Corbit e a sua equipa injectaram os animais com insulina em cada intervalo de estudo e monitorizaram a sua resposta.

A resposta mais notória ocorreu quando os ursos foram injectados com insulina durante o período crucial de alimentação antes da hibernação, quando os animais se parecem mais com humanos obesos. As doses de insulina semelhantes às usadas por humanos quase que matavam os animais e os investigadores perceberam que os ursos não estavam a responder à sua recém-adquirida corpulência tornando-se resistentes à insulina, como poderia acontecer com um humano. Em vez disso, algo estava a aumentar a sensibilidade dos ursos à insulina: “Disse 'meu Deus, acho que tropeçámos em algo muito importante'”, diz Corbit.

A equipa descobriu que a expressão da proteína PTEN, que regula o crescimento e divisão celulares, era reduzida na gordura dos ursos obesos mas não noutros tecidos que foram testados, relata a equipa na última edição da revista Cell Metabolism. A PTEN foi associada à diabetes há dois anos, quando Anna Gloyn, investigadora da diabetes na Universidade de Oxford, Reino Unido, ter relatado que humanos que não têm uma das cópias do gene PTEN têm tendência a ser obesos mas metabolicamente saudáveis.

Essa descoberta levantou a entusiasmante possibilidade de combater a diabetes bloqueando a PTEN, diz Gloyn. Mas havia um problema central: os participantes do estudo que não tinham a cópia do gene PTEN também tinham tendência para desenvolver cancro.

Os estudos com ursos podem revelar uma forma de contornar este problema, diz ela, pois os ursos desenvolveram uma forma de bloquear a PTEN especificamente na gordura, sem afectar a expressão noutros tecidos. Corbit espera descobrir de que forma os ursos o fazem e se pode revelar um novo alvo na luta contra a diabetes.

Gloyn diz que os estudos em ursos podem ser muito esclarecedores, apesar de ela não ter ideia de passar o seu trabalho para os ursos nos próximos tempos. “Tenho um enorme respeito pelo trabalho feito com esse organismo modelo", diz Gloyn. “Mas estou feliz por não ter tido que recolher aquelas biopsias.”

 

 

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