2014-08-03

Subject: Mãe polvo estabelece recorde de gestação

 

Mãe polvo estabelece recorde de gestação

 

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@ Nature/ MBARI

Um polvo de profundidade estabeleceu um recorde de resistência, cuidando dos seus ovos durante 53 meses, mais do que qualquer outras espécie conhecida, relataram os investigadores na última edição da revista PLoS ONE.

Em 2007, uma equipa do Instituto de Investigação do Aquário de Monterey Bay (MBARI) em Moss Landing, Califórnia, avistou um polvo fêmea de profundidade grávido sobre um afloramento rochoso 1400 metros abaixo do nível do mar e aproveitou a oportunidade para observar a espécie Graneledone boreopacifica, que não sobrevivia em cativeiro. 

Durante anos, os investigadores regressaram regularmente ao local para encontrar a mãe a cuidar dos seus ovos: "Continuava e continuava, ficámos de boca aberta", diz Bruce Robison, biólogo do mar profundo no MBARI, que liderou o estudo. "Todas as vezes que mergulhávamos e a visitávamos dizíamos 'esta é a última vez que ela cá vai estar'."

Alguns animais de mar profundo tendem a ter tempos de gestação longos, em parte porque os ovos crescem mais lentamente nas temperaturas baixas típicas das águas profundas, mas o maior período de gestação de que havia conhecimento era 14 meses e pertencia ao polvo Bathypolypus arcticus.

Robison e os seus colegas estavam a monitorizar o local no oceano Pacífico onde descobriram a mãe G. boreopacifica há já 25 anos. Conhecido por Midwater 1, está a cerca de 20 km a sul da base do MBARI em Moss Landing. A cada mês ou dois, utilizam um veículo remotamente operado (ROV) para documentar a vida sob o mar. Durante muitos anos trabalharam apenas a profundidades entre os 50 e os 1000 metros abaixo da superfície mas em 2005 começaram a examinar o fundo do mar por baixo da sua zona de estudo. Ao descobrir um afloramento rochoso interessante, resolveram mante-lo debaixo de olho.

O primeiro avistamento da criação do polvo surgiu em Maio de 2007, quando a equipa descobriu a fêmea deitada sobre o afloramento a cuidar dos seus ovos. Ela tinha sido capturada em vídeo a deslocar-se em direcção às rochas um mês antes disso, dando à equipa uma data de início aproximada para o período de gestação. "Soubemos imediatamente que tínhamos uma oportunidade única", diz Robison. “Foi um acaso."

A equipa rapidamente apelidou o animal Octomamã e começou a visitá-la regularmente no seu habitat rochoso, confirmando a sua identidade através de cicatrizes particulares e usando lasers montados no ROV para medir os seus ovos. Uma análise do filme mostrou que o polvo guardava os mesmos ovos durante o longo período de gestação e os ovos tinham crescido entre cada avistamento.

Em Outubro de 2011, a Octomamã desapareceu, deixando apenas os vestígios das cápsulas vazias dos ovos. Dado que o polvo foi avistado em Setembro de 2011, a equipa foi capaz de estimar o seu período de gestação em cerca de 53 meses: "Ficámos aliviados de saber que o seu martírio tinha terminado", diz Robison, pois tinham-se apercebido que ela estava cada vez mais frágil. "Mas tinha-se tornado um hábito para nós ir visitá-la e pensámos ‘Oh, e agora o que fazemos?’"

"Fiquei espantadíssimo", diz Clyde Roper, perito em cefalópodes no Museu Nacional de História Natural Smithsonian em Washington DC. "Foi muito para além do que alguma vez pensámos, é um trabalho fabuloso."

Os polvos e as lulas frequentemente morrem após uma única gravidez e os investigadores suspeitam que alguns, como a espécie da Octomamã, comem pouco ou nada durante o tempo em que cuidam dos ovos. Durante as visitas do ROV dos investigadores, o polvo estava sempre com os seus ovos e a equipa nunca a viu tentar alimentar-se de presas potenciais que havia em redor.

O benefício evolutivo de uma tal maratona materna pode ser o maximizar do tempo de desenvolvimento das crias e das hipóteses de sobrevivência. Robison salienta que o G. boreopacifica é um dos polvos de profundidade mais comuns na região, sugerindo que a sua estratégia evolutiva é bem sucedida.

 

 

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