2014-07-31

Subject: Tratamentos para o ébola apanhados no limbo

 

Tratamentos para o ébola apanhados no limbo

 

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@ Nature/OMS

O pessoal de ajuda médica que luta contra o crescente surto de ébola na África ocidental não foi propriamente recebido de braços abertos: parece que a morte é a única coisa que oferecem pois a maioria dos doentes que entra nos hospitais improvisados acaba por morrer, as suas famílias são proibidas de lidar com os corpos e abundam os rumores de que os recém-chegados estão a colher órgãos e a realizar experiências fatais.

Em resultado de tudo isso, as populações fugiram, tornando uma situação grave ainda pior. O surto, o maior de que há registo na história do ébola, já matou mais de 670 pessoas na África ocidental e pensa-se que tenha infectado outras 400, sem que haja sinal de apaziguamento.

Os médicos não têm uma cura para oferecer aos infectados e as clínicas com poucas condições têm se ficar pelo isolamento dos infectados, encontrar e colocar sob quarentena as suas famílias e educar o público sobre formas de evitar a propagação do vírus. 

Apesar de várias vacinas e tratamentos para o ébola já existirem, estão empatados em vários estádios de testes devido à falta de financiamento e de procura internacional. Mesmo que avançassem, passariam anos antes de essas medidas chegarem aos que delas necessitam.

Para investigadores como Heinz Feldmann, virulogista no Instituto Americano de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID) em Hamilton, Montana, a situação parece que podia ter sido evitada. Em 2005 ele publicou uma plataforma de vacina baseada no vírus da estomatite vesicular (VSV) que desde então forneceu uma vacina para o ébola que se revelou eficaz em macacos. Mas não há dinheiro para o próximo passo, que é testar a segurança da vacina em humanos, diz Feldmann. Comparado com a malária ou o HIV, “o ébola não é um grande problema de saúde pública a nível mundial, logo origina pouco interesse por parte dos financiadores públicos e privados.

“O que funciona com o ébola é a velha saúde pública", diz Thomas Frieden, director do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças em Atlanta, Georgia. “Seria óptimo ter uma vacina mas não é fácil nem claro em quem a testarias."

A vacina VSV parece ser uma opção promissora pois pode ser usada preventivamente ou logo após a infecção. Em 2009 foi usada numa técnica de laboratório alemã que acidentalmente se picou com uma agulha contendo ébola. Apesar de não ser claro se ela alguma vez chegou a ficar infectada, sobreviveu e não sofreu qualquer efeito secundário da vacina.

“Todos os do meu laboratório se ofereceram para receber a vacina”, diz Thomas Geisbert, microbiólogo da Universidade do Texas em Galveston, que também está a trabalhar num medicamento.

O centro de Investigação de Vacinas do NIAID em Bethesda, Maryland, desenvolveu uma vacina transportada por um adenovírus de chimpanzé, semelhante ao vírus que causa a constipação vulgar. O instituto espera começar a testá-la em pessoas saudáveis no início de Setembro. Barney Graham, director-adjunto do centro de investigação, diz que o instituto está em conversações com a Administração para a Alimentação e Medicamentos (FDA) para acelerar o processo de aprovação, apoiado pelo surto em África.

As companhias de biotecnologia também estão a desenvolver medicamentos a ritmo que podia ser acelerado. A Mapp Biopharmaceutical de San Diego, Califórnia, está a testar combinações de anticorpos monoclonais para o vírus e espera testar em humanos em breve. Com US$140 milhões do Departamento de Defesa, a Tekmira de Burnaby, Canadá, está a testar um tratamento chamado TKM-Ebola, que usa pequenas moléculas de RNA que se ligam ao vírus e o marcam para destruição. Os testes em humanos começaram em Janeiro mas a FDA interrompeu-o em Julho.

Um tratamento pode ser aprovado pela FDA com base na 'utilização por compaixão' mas esse processo teria que lidar com as regras dos países. “Um país tem que pedir estas coisas, não o podemos obrigar a usá-las", diz Gene Olinger, virologista na MRIGlobal em Frederick, Maryland. “Temos que seguir as suas políticas internas para desenvolvimento e testes de medicmentos.”

 

 

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