2014-07-29

Subject: Asteróide que matou dinossauros atingiu-nos mesmo no momento errado

 

Asteróide que matou dinossauros atingiu-nos mesmo no momento errado

 

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@ Nature/Mark Garlick/Science Photo Library

Imediatamente antes de um enorme asteróide atingir a Terra há 66 milhões de anos, a diversidade das espécies herbívoras de dinossauros tinha reduzido ligeiramente, sugere um novo estudo agora conhecido. Essa alteração minúscula pode ter sido o suficiente para condenar todos os dinossauros quando o impacto aconteceu.

A escassez de herbívoros teria deixado os animais mais vulneráveis à fome e ao colapso populacional após o impacto, com consequências que se propagaram por toda a cadeia alimentar.

“O asteróide atingiu-nos num momento particularmente mau”, diz Stephen Brusatte, paleontólogo na Universidade de Edimburgo, Reino Unido. “Se nos tivesse atingido alguns milhões de anos antes ou depois, provavelmente os dinossauros estariam muito melhor equipados para sobreviver."

Brusatte e a sua equipa descreve esta pequena nuance da visão da famosa extinção na última edição da revista Biological Reviews.

Há décadas que os paleontólogos discutem sobre se os dinossauros estariam de boa saúde aquando do impacto do asteróide ou se já estariam a sofrer um declínio global do número de espécies. Para explorar esta questão, o estudo recolheu informação de uma base de dados sobre a diversidade global dos dinossauros, incluindo centenas de fósseis encontrados na última década.

Os cientistas usaram métodos analíticos para ter em conta que algumas formações rochosas fossilíferas estão bem estudadas e outras não, o que pode distorcer o número e distribuição aparente das espécies de dinossauros. Descobriram que a maioria dos dinossauros estava em pleno mesmo até ao momento do impacto: “Se olharmos para a imagem global, não encontramos evidências de um declínio a longo prazo", explica o membro da equipa Richard Butler, paleontólogo na Universidade de Birmingham, Reino Unido. “Os dinossauros não estavam de modo algum condenados à extinção e o asteróide não foi apenas a gota de água que acelerou esse destino."

Mas na América do Norte, nos 8 a 10 milhões de anos antes do impacto do asteróide, dois grandes grupos de herbívoros (os dinossauros bico de pato e os com chifres, como o Triceratops) tinham diminuído ligeiramente. Em algumas zonas, passou-se de várias espécies para apenas uma, talvez porque o arrefecimento do clima alterou o tipo de vegetação disponível, diz Michael Benton, paleontólogo da Universidade de Bristol, Reino Unido. Muitos grupos de dinossauros já tinham recuperado destas pequenas quedas populacionais anteriormente mas não desta vez.

Um estudo de 2012 que modelou as teias alimentares antigas pode ajudar a explicar o porquê, diz Butler. As simulações de computador sugeriram que bastaria uma pequena alteração na diversidade de dinossauros para tornar os ecossistemas muito mais propensos ao colapso após grandes perturbações ambientais, como as alterações climáticas generalizadas causadas pelo impacto de um asteróide: as plantas murchavam, os herbívoros morriam de fome e os dinossauros carnívoros não teriam presas.

Este último estudo abrange muitas das descobertas dos últimos anos, diz David Archibald, paleontólogo na Universidade Estadual de San Diego na Califórnia. “Do meu ponto de vista, a maior parte disto é bastante certeira, é quase de certeza o impacto que mata os dinossauros.” 

Mas ele discorda de alguns dos dados. Numa análise feita pela Sociedade Geológica da América, Archibald compara várias formações rochosas datadas de perto do final dos dinossauros no Canadá e nos Estados Unidos e descobre que os dinossauros bípedes carnívoros terópodes também estavam em declínio.

Brusatte atribui as diferenças à forma como os investigadores têm em conta o grau de estudo ou de preservação das diversas formações rochosas fossilíferas. “Na realidade, só agora com tantas espécies novas de dinossauros a ser descobertas é que podemos pensar sobre estas nuances com algum detalhe."

A extinção deixou o palco livre para o mundo moderno, salienta Butler. Apesar de uma linhagem de dinossauros ter sobrevivido sob a forma de aves, os mamíferos apenas iniciaram a sua ascensão após os dinossauros saírem de cena. ”Isso nunca teria acontecido se os dinossauros nunca se tivessem extinguido", diz Butler. ”Parece-me muito provável que se o asteróide nunca nos tivesse atingido ainda teríamos dinossauros na Terra hoje.”

 

 

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