2014-07-28

Subject: O aumento do valor de artigos como calças de pele de tigre ou marfim de elefante conduziu a uma expl

 

Declínio global da vida selvagem associado a escravatura infantil

 

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@ BBC

Uma nova investigação veio sugerir que o declínio global da vida selvagem está associado a um aumento do tráfico de pessoas e da escravatura infantil: os ecologistas dizem que a escassez de animais selvagens significa que, em muitos países, é preciso mais mão-de-obra para encontrar alimento.

Uma forma frequente de preencher esta necessidade de mão-de-obra barata parece ser a utilização de crianças, especialmente na indústria da pesca. O declínio generalizado de espécies também está a ajudar na proliferação do terrorismo e na instabilidade de muitas regiões.

Segundo o estudo agora publicado na revista Science, a colheita de animais do mar e da terra vale anualmente US$400 mil milhões e é responsável pelo sustento de 15% da população mundial mas os autores argumentam que a rápida exploração de espécies tem vindo a aumentar a necessidade de trabalho escravo. 

O declínio das pescas em todo o mundo, por exemplo, significa que os navios têm que se deslocar para mais longe e enfrentar condições mais agrestes para obter capturas. Na Ásia, homens da Birmânia, Cambodja e Tailândia são cada vez mais frequentemente vendidos aos barcos de pesca, permanecendo no mar durante vários anos sem receber qualquer salário e forçados a jornadas de 18 a 20 horas diárias.

"Há uma ligação directa entre a escassez de vida selvagem, as exigências de mão-de-obra das colheitas e este aumento dramático na escravatura infantil", diz Justin Brashares, da Universidade da Califórnia, Berkeley, que liderou o estudo.

"Muitas comunidades que dependem destes recursos da vida selvagem não têm a capacidade económica para contratar mais trabalhadores, pelo que, em vez disso, procuram mão-de-obra barata e em muitas zonas isso conduziu à compra de crianças como escravas."

Esta exploração também ocorre em África, onde as pessoas que em tempos encontravam alimento nas florestas vizinhas têm agora que viajar durante dias para encontrar presas. As crianças são frequentemente usadas pelos caçadores para extrair fauna selvagem de zonas de onde seria demasiado dispendioso faze-lo.

Os investigadores estabelecem a comparação entre o resultado do colapso das pescas na costa nordeste dos Estados Unidos e nas águas ao largo da Somália: enquanto nos Estados Unidos o declínio foi amortecido por subsídios federais para criar alternativas de emprego para os pescadores, na Somália o aumento da competição pelos stocks pesqueiros levou ao aumento da pirataria.

"Foi assim que o conflito da Somália começou", refere Brashares. "Os pescadores começaram a ir para o mar com armas numa tentativa de afastar os navios que pescavam ilegalmente nas suas água. Infelizmente, um segmento dessa comunidade achou que conseguia viver muito melhor recebendo os resgates desses navios do que a pescar."

O aumento do valor de artigos como calças de pele de tigre ou marfim de elefante conduziu a uma explosão no tráfico por grupos armados e poderosos, como forma de alcançar os seus objectivos.

Os autores apontam o Janjaweed, o Exército de Resistência do Senhor, o Al-Shabab e o Boko Haram, que consideram estarem envolvidos na caça furtiva ao elefante e ao rinoceronte para financiar os seus ataques terroristas. No entanto, outros investigadores consideram que não existem dados suficientes para apoiar estas alegações.

Independentemente da força das evidências, a resposta ocidental a estes acontecimentos tem sido declarar uma "guerra aos caçadores furtivos", algo que os autores consideram incorrecto pois não em em conta o panorama mais geral. 

"Podemos continuar a tentar e a encobrir a situação com pequenos esforços para aplicar a força", refere Brashares, "mas até que comecemos a lidar com a questão maior que é a má governança e o grátis para todos global não iremos conseguir lidar com a maré de conflitos."

O estudo refere que existem, no entanto, algumas abordagens que podem funcionar: os autores defendem que quando os governos locais derem aos pescadores e caçadores direitos exclusivos para capturar em algumas zonas, as tensões sociais podem ser reduzidas. Eles exemplificam com a pesca nas Fiji estruturada em redor de direitos territoriais de uso e as políticas pró-activas da Namíbia que ajudaram a reduzir a caça furtiva.

"O mais importante deste artigo, penso eu, é que precisamos de compreender melhor os factores subjacentes ao declínio das pescas e da vida selvagem a partir de uma perspectiva local e  que as abordagens interdisciplinares são provavelmente a melhor opção para facilitar esta compreensão", diz Meredith Gore, da Universidade Estadual do Michigan, que não participou no estudo.

 

 

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