2014-07-25

Subject: Estudo genético sobre aranhas revela emaranhada teia evolutiva

 

Estudo genético sobre aranhas revela emaranhada teia evolutiva

 

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@ Nature/Gustavo Hormiga

Há mais de uma maneira de apanhar moscas: as teias de aranha parecem as armadilhas perfeitas para capturar insectos mas uma árvore filogenética das aranhas baseada em centenas de genes sugere que muitas aranhas desprezaram a teia em favor de outras formas de captura de presas. 

Os novos estudos invertem o dogma de décadas mostrando que as aranhas que tecem teias em forma de orbe não são todas aparentadas, com algumas das espécies mais aparentadas com outras que capturam as presas de forma diferente.

“As teias de aranha são fantásticas mas não são o pináculo da evolução das aranhas que se pensava”, diz Jason Bond, biólogo evolutivo na Universidade Auburn em Alabama, cuja equipa determinou a relação evolutiva das aranhas ao analisar mais de 300 genes em 33 famílias. O artigo e um estudo semelhante por parte de uma equipa independente foram ambos publicados na revista Current Biology.

Os cientistas identificaram até agora 45 mil espécies de aranhas, agrupadas em mais de 100 famílias. As aranhas que tecem teias em forma de orbe pertencem a duas famílias principais, os araneóides como as aranhas de jardim, e os mais obscuros deinopóides que incluem as aranhas lançadoras de teias. Os dois grupos tecem teias com seda quimicamente distinta (os araneóides tecem com uma fibra pegajosa fabricada de forma mais eficiente que as teias mais secas dos deinopóides). Mas como os dois grupos tecem as teias de forma semelhante há muito que os aracnólogos as juntam na árvore filogenética das aranhas no grupo dos orbicularianos.

Mas agora as árvores filogenéticas moleculares, criadas pela comparação de diferenças no DNA de centenas de genes em numerosas aranhas, pintam um quadro muito diferente. Apesar das descobertas apoiarem inúmeras ideias prévias sobre as relações na árvore filogenética das aranhas (como a unicidade das aranhas escavadoras, que constróem armadilhas subterrâneas de terra, seda e plantas) os araeonóides tecedores de orbes e os deinopóides parecem bastante mais distantes entre si do que antes se pensava.

Uma equipa liderada pela bióloga evolutiva Rosa Fernández, da Universidade de Harvard em Cambridge, Massachusetts, chegou à mesma conclusão, usando uma árvore filogenética criada a partir de mais de 2 mil genes em 12 famílias de aranhas. Apesar do seu comportamento de tecer a teia, os deinopóides são mais aparentados com as famílias que incluem as aranhas-lobo e as aranhas caranguejeiras, que tendem a emboscar as presas, do que com os araneóides, relatam os investigadores.

Essa descoberta deixa duas possíveis explicações para a evolução da teia de aranha: ou emergiu muito mais cedo do que os cientistas pensavam, num ancestral comum da maioria das famílias de aranhas, e foi posteriormente abandonada por algumas espécies como a maioria dos investigadores acreditava, ou a capacidade de tecer seda pode ter evoluído várias vezes. Fernández diz que ambas as teorias são viáveis e apenas mais dados genéticos sobre mais famílias de aranhas poderá resolver a questão.

Bond, no entanto, favorece a ideia de que o comportamento de tecer teias seja muito antigo e tenha sido perdido ao longo do curso da evolução. O conjunto de comportamentos exigido ao tecer teias parece ser demasiado complicado para ter evoluído várias vezes, diz ele. Com base nas suas descobertas, Bond sugere que a teia de aranha em forma de orbe terá emergido no Jurássico inferior (entre 187 milhões e 201 milhões de anos) e que os ancestrais de muitas aranhas abandonaram as teias em favor de outras estratégias de captura de presas.

Mas por que razão uma aranha abandonaria as teias em forma de orbe? “A evolução é imprevisível", responde Matjaž Kuntner, biólogo evolutivo na Academia das Ciências e Artes da Eslovénia em Ljubljana. “A orbe simétrica é bonita mas pode ser a arquitectura ideal apenas num subconjunto de ambientes e para um subconjunto de presas das aranhas.”

Paul Selden, paleontólogo de aracnídeos na Universidade do Kansas em Lawrence, também pensa que a teia deve ter sido abandonada por muitas aranhas. “Tudo bem que captura insectos voadores mas anuncia a um predador que há lá uma aranha”, diz ele. “As aranhas mais avançadas livraram-se delas e desenvolveram outra coisa.”

 

 

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