2014-07-23

Subject: Fósseis antigos portadores de cérebros modernos

 

Fósseis antigos portadores de cérebros modernos

 

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@ Nature/

Pode-se perdoar a alguém que pense que os anomalocaris criaturas de outro planeta: estes predadores vagamente semelhantes a camarões, que viveram nos mares do câmbrico de há 541 a 485 milhões de anos, tinham olhos pedunculados e um par de gigantescos apêndices nos lados da boca.

Mas agora, três espantosamente bem preservados fósseis destes animais encontrados na China mostram que o cérebro do anomalocaris tinha uma organização muito semelhante à dos modernos onicóforos.

Tanto o anomalocaris como os onicóforos pertencem aos artrópodes, o filo de invertebrados que inclui aranhas, insectos e crustáceos e cujas estruturas cerebrais são de três tipos. Dois desses tipos já se sabia serem muito antigos e os novos fósseis, descritos na revista Nature, sugerem que o terceiro tipo (a arquitectura neural encontrada nos onicóforos) também terá mudado muito pouco em mais de 500 mil anos de evolução.

Baptizados Lyrarapax unguispinus, os três fósseis com 8 cm de comprimento são relativamente pequenos para anomalocaris pois algumas das espécies deste grupo podem ter atingido os 2 a 3 metros. No entanto, os seus corpos segmentados e apêndices frontais são de puro anomalocaris, diz Nicholas Strausfeld, neurocientista na Universidade do Arizona em Tucson, que co-liderou o estudo.

O que realmente captou a atenção de Strausfeld foi o cérebro do animal, preservado achatado como uma flor prensada. “Eu disse logo ‘Caramba, é um cérebro de onicóforo!’”, recorda ele. Os apêndices frontais dos animais estão ligados a gânglios em frente aos nervos ópticos. 

Tanto os gânglios como os nervos ópticos conduzem a um cérebro segmentado, uma disposição que é desconcertantemente semelhante ao do cérebro dos onicóforos actuais, diz Strausfeld: “É completamente diferente de qualquer outra coisa noutro tipo de artrópode.”

Os fósseis solucionam alguns mistérios evolutivos, acrescenta Strausfeld. Primeiro, sugerem que os apêndices frontais dos anomalocaris são análogos das peças bocais dos artrópodes. Os fósseis, bem como dois outros animais descobertos por Strausfeld, também mostram que os três tipos de cérebros de artrópode existem há mais de 500 milhões de anos, mesmo que os seus corpos tenham mudado drasticamente.

Como predadores de topo da sua época, os anomalocaris podem ter estimulado a evolução de cérebros mais sofisticados nos outros artrópodes deque se alimentavam, ainda que os seus sistemas nervosos tivessem permanecido comparativamente simples, diz Strausfeld: “Um predador em busca de presas não precisa de ter um cérebro muito complicado, não tem muitos inimigos afinal.”

 

 

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